Kayra Arslan Já se passaram alguns dias desde a primeira vez que decidi visitar a minha sogra. Nesse tempo, venho tentando criar uma rotina de vê-la, sempre depois do almoço. Não é fácil, mas eu insisto. E insisto porque sinto que ela precisa, mesmo que não demonstre. Essa sensação começou assim que eu soube dela e principalmente, quando a vi. Nos dois ou três primeiros dias, percebi que ela ficou incomodada com a minha presença. É um incômodo silencioso, um jeito de virar o rosto, de endurecer os olhos ou de fingir que eu não existo. Mas eu não desisto. Continuo aparecendo, trazendo comigo um pouco de paciência, uma colher, e a esperança de que ela aceite comer. Alimentar a minha sogra é uma tarefa que exige mais calma do que eu imaginava. Muitas vezes ela não abre a boca, não masti

