Kayra Selik A roupa nova cai bem no corpo como um leve disfarce, mas eu queria algo mais coberto. Algo mais longo e com mangas cumpridas. Seria melhor para disfarçar mais. Porém, é um vestido simples, pouco abaixo dos joelhos, justo na cintura. A cor é neutra, discreta e perfeita para passar despercebida. Só me incomodo com o tamanho e a manga curta. Me enrosco na bandana que me deram para domar as mechas rebeldes do cabelo e, por um instante, quase creio na mentira que preciso viver: Najla, a mulher sequestrada, frágil e agradecida por um teto. E claro, a nova empregada da mansão. Ao saímos do quarto, Samia caminha ao meu lado pelo corredor com a leveza de quem já fez esse trajeto mil vezes. Ela segura algumas peças dobradas e me avisa que logo chegarão mais roupas para mim. Inclusiv

