Capitulo 17 Caçador

1295 Words
O PREDADOR NA CONTENÇÃO O metal da chave de roda estalou quando terminei de apertar o último parafuso, um som seco e definitivo que ecoou pela via expressa deserta, mas o barulho que realmente martelava na minha mente era a respiração pesada e descompassada da Samira logo atrás de mim. O sol do meio-dia no Rio não tava pra brincadeira, castigava o asfalto e fazia o suor escorrer em trilhas ardentes pelos sulcos do meu peito e pelas tatuagens das minhas costas, fazendo cada traçado de tinta brilhar sob o mormaço. Eu não precisava olhar pra trás pra saber que ela tava me secando. Eu sentia o peso daquele olhar queimando a minha pele nua com mais força do que o próprio sol. Joguei a ferramenta no porta-malas com um baque metálico que fez o blindado vibrar e me virei devagar, sem pressa, saboreando o pânico dela. A Samira tava ali, encostada na lateral da Land Rover, tentando sustentar aquela pose de primeira-dama intocável, mas os dedos dela apertavam a alça da bolsa de grife com tanta força que os nós das mãos tavam brancos, sem sangue. Ela desviava os olhos pro nada, pro horizonte de asfalto, mas o peito dela subia e descia num ritmo que entregava toda a neurose que tava passando naquela cabeça. A "santa" do Imperador tava perdendo o fôlego e o juízo. Dei um passo na direção dela, invadindo o perímetro, deixando o cheiro de borracha queimada, suor e testosterona dominar o ar que ela respirava. — Pronto, patroa. O problema tá resolvido. O pneu tá no lugar — falei, a voz saindo lá do fundo da garganta, um rosnado grave que vibrou naquela distância perigosa que eu já tinha decidido cruzar. Ela tentou se esquivar, ensaiando um passo em direção à porta do carro pra fugir do cerco, mas eu fui mais rápido que o estalo de um gatilho. Apoiei as duas mãos na lataria, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo a Samira entre o metal blindado e o calor bruto do meu corpo nu. A distância sumiu. Eu sentia o calor que emanava daquela pele bronzeada, o cheiro de baunilha doce sendo sufocado pelo meu cheiro de homem e de guerra. — Me deixa passar, Renan. Já perdemos tempo demais nessa estrada — ela sibilou, mas a voz dela já não tinha aquela autoridade de quem manda no morro. Ela mantinha o olhar fixo no meu pescoço, onde o suor brilhava entre as minhas correntes, com medo de encarar o que tava na minha cara. — Tu tá com pressa de voltar pra gaiola por quê, Samira? O dono do morro não tá lá agora pra te puxar pelo cabelo — provoquei, me inclinando mais, sentindo o hálito quente dela bater direto no meu peito. — Aqui fora, o mundo é outro, morena. Aqui tu não é patrimônio, não é troféu. Tu é só uma mulher que tá morrendo de vontade de sentir o que é perigo de verdade. — Você está louco... O Augusto vai te matar, ele vai te picar em mil pedaços — ela sussurrou, finalmente levantando os olhos. O brilho ali era uma mistura de pânico puro com um desejo proibido que ela tentava enterrar, mas que eu, como bom caçador, já tinha rastreado faz tempo. — Deixa ele tentar — respondi, descendo uma das mãos pela lataria até que meus dedos calejados roçassem de leve no ombro dela, sentindo a pele dela arrepiar instantaneamente sob o meu toque. — Ele pode ter o título de Imperador, mas ele não tem a minha pegada. Ele te usa pra marcar território, mas ele não sabe como fazer esse teu coração bater desse jeito, quase saindo pelo peito, né? A Samira tentou me empurrar, as mãos pequenas espalmadas contra o meu peito suado, mas foi como tentar mover uma rocha de granito. O choque térmico entre a pele gelada dela e o fogo que subia do meu corpo fez o ar estalar. Ela me olhou com um ódio que escondia uma fome do c*****o, os lábios tremendo. — Você ficou maluco de vez, Renan! Sai da minha frente! — ela sibilou, os olhos castanhos faiscando. Ela tentou girar o corpo pra escapar por baixo do meu braço, mas eu não sou o melhor segurança do Turano por sorte. Antes dela dar o segundo passo, minha mão disparou e segurou o pulso dela com firmeza, trazendo ela de volta com um tranco que fez o corpo dela bater contra o meu. O perfume de baunilha dela foi engolido pela minha fúria. — Onde tu pensa que vai, morena? Eu não terminei de dar a visão — rosnei, puxando ela pela cintura com a outra mão e colando ela em mim sem a menor cerimônia. Eu a prensei contra a Land Rover de novo, mas dessa vez usei o peso do meu corpo. Colei meu quadril no dela, sentindo a rigidez do meu m****o contra a maciez do linho caro que ela usava. Minha mão direita desceu com tudo, vulgar e possessiva, apertando a b***a dela com uma pegada bruta, enterrando meus dedos naquela carne firme através do tecido. Senti ela dar um pulo, um arquejo de susto e prazer que ela tentou abafar mordendo o lábio. — Me solta, Renan! É uma ordem! — ela gritou, a voz falhando enquanto as unhas dela cravavam no meu antebraço tatuado. — Eu sou a mulher do Imperador! Se ele sonha que tu tá encostando a mão em mim desse jeito, ele te mata! Eu dei uma risada vulgar e alta, encostando meu rosto no pescoço dela, sentindo a pulsação do coração dela batendo desesperada. Aspirei o cheiro daquela nuca, um vício que tava me matando há meses. — Ordem? Aqui no asfalto, a única ordem que vale é a do meu sangue quente, Samira — sussurrei, apertando ainda mais a b***a dela, sentindo o tecido do vestido subir. — O Augusto pode ter o morro, mas agora sou eu que tô sentindo o teu corpo tremer. Sou eu que tô sentindo que tu tá ficando molhada só de imaginar o que esse "segurança" é capaz de fazer contigo. Eu a puxei mais pra cima, forçando ela a sentir o volume brutal que marcava a minha calça tática. O desrespeito era total, a traição tava assinada em brasa. — Tu gosta dessa pegada vulgar, né? Tu tá cansada de ser tratada como boneca de cristal por um cara que só te usa pra inflar o ego — continuei, a voz saindo como um rosnado no ouvido dela, enquanto minha mão não parava de apertar, mapeando cada milímetro daquela curva. — Olha pra mim e diz que quer que eu pare. Diz que tu me odeia enquanto o teu corpo tá implorando pra eu te jogar nesse banco de trás e te mostrar o que é um homem de verdade. — Você... você é um bicho, um animal... — ela disse, a voz sumindo, mas as mãos dela, que antes me empurravam, agora estavam agarradas aos meus ombros, os dedos se perdendo nos meus músculos das costas, puxando pra perto. — Eu sou o bicho que o teu dono colocou pra te vigiar, patroa. O erro dele foi achar que eu ia me contentar em só olhar o banquete — rebati, mordendo o lóbulo da orelha dela com força, sentindo ela estremecer da cabeça aos pés enquanto eu continuava apertando a carne dela, mostrando que ali, naquele acostamento, o único Imperador era o meu desejo. Eu não tava nem aí pra hierarquia. Eu tava sentindo o gosto do perigo e o cheiro da mulher que eu ia tomar pra mim, custasse o que custasse. O Augusto que se f**a; a relíquia dele agora tinha um novo dono nas sombras.
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