Capítulo 18 Caçador

853 Words
O PREDADOR NA CONTENÇÃO — Chega! — O grito dela cortou o ar abafado como uma lâmina afiada, rasgando o silêncio daquela via expressa deserta onde o tempo parecia ter parado. A Samira usou toda a força que tinha e me empurrou, o peito subindo e descendo numa fúria cega, os olhos castanhos transbordando um ódio que eu sabia ser alimentado por um desejo que a apavorava. Antes que eu pudesse sequer recompor a postura ou descer o braço, o som do estalo ecoou no acostamento. Ela me deu um tapa na cara, um golpe seco, vulgar e ardido que fez meu rosto virar pro lado com a força do impacto. O silêncio que se seguiu foi pior que o barulho do tapa; era o som da traição ganhando forma física. Passei a mão no rosto devagar, sentindo o calor subir, a marca dos dedos dela latejando na minha bochecha como um ferro em brasa. Dei um sorriso cínico, de canto, o olhar fixo no dela, sem um pingo de arrependimento. Pelo contrário, aquele tapa foi a confirmação de que eu já tinha entrado sob a pele dela. — Tu tem a mão pesada, patroa... — falei, a voz saindo rouca, um sussurro carregado de uma promessa sombria que fez ela dar um passo atrás. — Mas aproveita esse teu ímpeto de dona do morro enquanto tu ainda acha que manda em alguma coisa. Porque quando tu for minha de verdade e tu sabe que vai ser, eu vou te f***r com tanta vontade que tu vai esquecer até que esse o****o do teu marido existe. Tu vai implorar pra esse bicho aqui não parar nunca, enquanto eu enterro o resto da tua marra no colchão e mostro o que é o toque de um homem que não precisa de um fuzil de ouro pra se sentir grande. Ela não disse nada, mas o rosto tava vermelho de uma mistura perigosa de raiva e um t***o reprimido que ela não conseguia mais esconder nem de mim, nem da própria consciência. Ela entrou na Land Rover com os movimentos bruscos, quase tropeçando no linho do vestido, e bateu a porta com tanta força que o vidro blindado chegou a vibrar na moldura. — Volta pro morro agora, seu animal! — ela gritou lá de dentro, a voz abafada pelo vidro, tentando retomar a pose de primeira-dama que eu tinha acabado de estraçalhar. — Entra nesse carro e faz o teu trabalho antes que eu mude de ideia e mande o Augusto te apagar ainda hoje! Tu não passa de um segurança, Renan! Um empregado! Eu soltei uma risada cínica, peguei minha camisa preta no chão e limpei o suor do peito com calma, sentindo o sol queimar as minhas costas tatuadas. Vesti a camisa devagar, fazendo questão de manter o contato visual pelo vidro fumê, deixando claro que o medo dela não me atingia. Entrei no carro e o ronco do motor ecoou pelo matagal. O caminho de volta foi um gelo absoluto, um silêncio de morte que pesava mais que o blindado, mas o clima dentro daquela cabine tava pegando fogo. A tensão s****l era quase física, um cheiro de pólvora e baunilha que sufocava. Eu olhava pelo retrovisor e via ela nervosa, ajeitando o cabelo, evitando o meu reflexo. Eu sentia um ódio profundo por ela ser tão fiel a um desgraçado que nem o Augusto. Um cara que trata ela como troféu, que se esfrega em p*****a no baile e que só sabe dar grito. O que ela via naquele verme? Ouro? Poder? Eu tinha o dobro da disposição e a metade da paciência. Quando parei no pátio da mansão, ela saiu quase correndo, querendo distância do meu cheiro e da minha presença que parecia ocupar todo o oxigênio do carro. — As sacolas, patroa! Esqueceu que gastou o ouro do patrão e agora eu que tenho que carregar o fardo? — debochei alto, saindo do carro e segurando as sacolas de grife com uma mão, enquanto o fuzil batia no meu peito. Caminhei até ela com aquele passo de predador que já conhece o rastro da presa encurralada e parei logo atrás, colado, sentindo o calor das costas dela. Entreguei as sacolas, mas fiz questão de chegar perto demais, encostando meu rosto no cabelo dela, sentindo aquele perfume que agora tava misturado com o cheiro da minha pele. — Lembra bem do peso da minha mão na tua b***a, Samira... — sussurrei no pé do ouvido dela, sentindo ela travar o corpo inteiro, a respiração ficando curta e falha. — O toque do Imperador é de quem acha que possui um objeto, uma boneca de luxo pra mostrar pros aliados. Mas a minha pegada... a minha é de quem sabe exatamente como te domar por dentro. Quando tu tiver sozinha nessa cama enorme, sentindo o rastro do meu calor na tua pele e lembrando de como tu estremeceu na estrada, tu vai entender que o ouro dele não compra o fogo que eu acendi em tu hoje. Ele é um fraco, Samira. Um fraco que se esconde atrás de soldado.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD