Capítulo 7 Continuação

1310 Words
— Olha pra isso, morena... — ele rosnou, me forçando a olhar pra baixo, pro volume que me ameaçava. — Só o teu rei tem o calibre pra te preencher. Só eu te deixo nesse estado. Ele não esperou. Não houve preliminar, não houve carinho. Ele entrou com tudo, uma investida seca, profunda e brutal que me fez soltar um grito abafado contra o ombro suado dele. Era grande demais, preenchendo cada centímetro vazio da minha existência, me obrigando a aceitar aquela invasão sem trégua. O ritmo dele era o ritmo do proibidão: rápido, pesado, violento e sem nenhuma dose de piedade. A cada estocada, eu sentia o baque surdo dos corpos se chocando, o som da carne contra a carne ecoando no quarto silencioso, enquanto o rádio de algum vapor chiava lá fora no corredor. Eu enlouquecia. Meu corpo, independente da minha vontade, respondia àquele estímulo bruto. Eu arranhava as costas dele, sentindo o relevo das cicatrizes sob minhas unhas, enquanto ele me socava com aquela peça enorme, me fazendo revirar os olhos e perder a noção de tempo e espaço. Era uma sensação agonizante de estar sendo possuída por um demônio que conhecia todos os meus nervos e sabia exatamente como extrair gemidos de dor e prazer de forma simultânea. — Geme, p***a! Quero ouvir o Turano saber que a Dama tá sendo bem cuidada pelo dono! — Ele me virou de quatro com um puxão de cabelo que me fez lacrimejar, me deixando totalmente exposta à sua fúria. Nessa posição, a penetração era ainda mais profunda, mais invasiva. Eu sentia ele batendo lá no fundo, no limite do meu útero, me fazendo arquear as costas em agonia e êxtase. Ele segurava meus quadris com tanta força que os dedos dele se enterravam na minha carne. Aquele p*u enorme trabalhava com uma cadência de metralhadora, uma sequência de golpes que me levava pra um abismo onde o ódio pelo que ele representava se misturava com o prazer insano que só aquele tamanho e aquela força brutal conseguiam proporcionar. — Geme pro teu dono, Samira! Diz quem é que manda nessa b*******a! Diz quem é o teu homem! — Ele rosnava no meu ouvido, os dentes roçando com força na minha orelha, quase mordendo. Eu tava no limite, as pernas trêmulas, o corpo banhado em suor. O prazer vinha em ondas violentas e dolorosas, provocadas pela fricção constante daquela peça gigante que parecia me completar e me destruir a cada movimento. Eu soltei um gemido alto, um grito de rendição total, sem me importar se o Caçador tava ouvindo no corredor, se os soldados tavam ouvindo na guarita. Naquele momento, eu era apenas carne, nervos e desejo sob o comando implacável do Imperador. Ele sentiu que eu tava chegando no ápice e acelerou ainda mais, o corpo dele todo tenso como uma corda de aço, os músculos do braço saltados enquanto ele me mantinha presa sob seu domínio. Ele descarregou tudo dentro de mim, um jato quente, longo e pulsante que fez ele travar os dentes e soltar um rosnado vitorioso, um grito de guerra abafado que selava a minha posse. Ele ficou ali por uns minutos, o peito subindo e descendo com força, o peso dele ainda me esmagando contra o colchão, me deixando sem ar. Ele se afastou devagar, limpando o suor da testa com um olhar de satisfação egoísta. Eu senti aquele vazio gelado e melancólico que sempre vinha depois da tempestade. Foi quando a ficha caiu de vez. O líquido quente escorrendo pelas minhas pernas me lembrou da imprudência dele, da sua obsessão por controle. — Augusto... tu gozou dentro? De novo? — perguntei, a voz saindo num fio de desespero, enquanto eu sentava e tentava me cobrir com os farrapos do vestido. — Tu sabe que a gente não pode... eu não tô pronta, o clima tá tenso, a guerra tá aí... Ele soltou uma risada debochada, se jogando de costas no travesseiro caro e esticando os braços tatuados como se o mundo fosse seu quintal. — Tá na hora de tu me dar um herdeiro, Samira. Um moleque com o meu sangue, com a minha cara, pra segurar esse fuzil de ouro quando eu não tiver mais aqui pra ditar a lei. Eu quero um sucessor, e tu é o ventre que eu escolhi pra gerar ele. — Ele se virou de lado, me dando as costas de forma fria. — Agora para de chorumelas, fecha a boca e dorme. Amanhã a gente tem muito o que resolver na boca. Eu esperei o ronco dele ficar pesado, transformando-o naquele bicho adormecido e perigoso. Levantei da cama com as pernas trêmulas, sentindo o corpo latejar da agressividade dele, sentindo ainda o rastro daquele preenchimento absurdo que parecia ter marcado a minha alma. Me enrolei num lençol de seda branca e caminhei em silêncio até o banheiro de mármore, fechando a porta com um clique quase inaudível. Abri o armário e, lá no fundo, atrás dos perfumes franceses e cremes importados, peguei a cartela escondida. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei cair. Tirei o comprimido. Engoli a seco, sentindo o amargo da pílula do dia seguinte descer rasgando a minha garganta, como se fosse o sabor da minha própria rebelião. No espelho, a Samira que eu via tinha os olhos marejados de ódio e o lábio inferior inchado pela força dos beijos dele. Eu não podia. Eu não ia dar um filho pra esse monstro de jeito nenhum. Um filho do Augusto não seria uma criança, seria apenas mais um soldado condenado, mais um alvo na guerra insana do crime organizado. Eu conheço o Augusto. No dia que eu parisse um moleque, eu perderia a única utilidade que ainda tenho pra ele como mulher. Ele ia me descartar como lixo, me chutar pra fora dessa mansão com uma mão na frente e outra atrás, e ia ficar com o filho. Ele ia tirar o meu sangue de mim pra criar a criança na base do ódio, da pólvora e da crueldade, transformando meu filho numa cópia exata dele mesmo. Eu não ia permitir que um pedaço de mim sofresse nas mãos dele. Não ia ver meu filho apanhando pra "virar homem" ou sendo forçado a carregar um ferro antes de aprender o ABC. Eu prefiro secar por dentro, prefiro ser a última da minha linhagem, do que ver um herdeiro sendo moldado pela mão pesada e doentia do Imperador. Um filho dele seria apenas uma extensão do seu ego, uma ferramenta de poder, e eu seria apenas o incubatório que ele jogaria fora depois de usar. "Herdeiro nenhum vai nascer pra ser teu escravo ou teu carrasco, Augusto", pensei, guardando a cartela de volta no esconderijo com uma determinação fria. Voltei pro quarto, caminhando na ponta dos pés, e me deitei na beirada extrema da cama, sentindo o frio do ar-condicionado bater na minha pele onde antes tava o calor sufocante dele. O silêncio voltou a reinar, mas eu sabia que o Caçador tava lá fora, no corredor, uma sombra implacável que ouviu cada um dos meus gemidos forçados, cada grito de dor disfarçado de prazer. A vergonha e o medo dançavam na minha mente, mas eu fechei os olhos e rezei pra que o remédio fizesse efeito. No Turano, a noite é perigosa, mas pro Imperador, o sonho dele de um sucessor era a única coisa que eu, a Dama supostamente fiel, tava disposta a sabotar sistematicamente pra garantir a minha e a dele liberdade futura. O amanhã viria com mais sombras, mais fuzis e mais ordens. Mas por hoje, o segredo amargo na minha garganta era a minha única pequena vitória contra o dono do morro. Eu ia proteger o meu corpo, o meu útero e o meu futuro da semente de ódio que ele tentava plantar em mim a qualquer custo.
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