Bati a porta da mansão com uma força que fez os cristais do lustre no hall de entrada tilintarem, um som agudo e frenético que parecia rir da minha desgraça. Eu caminhava rápido, os saltos estalando no mármore como tiros de fuzil em viela estreita, tentando fugir do fantasma do Renan que ainda parecia caminhar ao meu lado, soprando aquele hálito quente de pecado no meu pescoço. Minha respiração estava curta, o peito subindo e descendo violentamente sob o linho, e eu sentia o lugar onde a mão dele me apertou aquela pegada vulgar, possessiva, que marcou a minha pele queimando como se ele ainda estivesse me tocando. — Senhora Samira? — A voz da Juju, a empregada nova, me cortou o caminho. Ela estava parada perto da escada, com um pano de prato na mão e aquele olhar de curiosidade excessiva

