O silêncio do quarto era tão pesado que eu conseguia ouvir o tiquelar do relógio de ouro sobre a penteadeira, cada segundo soando como uma sentença de morte que o destino estava escrevendo para mim. Eu ainda estava sentada no chão de mármore, as mãos trêmulas, tentando organizar o caos absoluto que o Renan tinha instalado na minha cabeça com aquela pegada vulgar e desrespeitosa no asfalto. Foi quando três batidas leves, quase hesitantes, ecoaram na porta de madeira nobre. — Senhora Samira? — Era a voz da Juju, baixa, carregada de um receio que me fez sentir um aperto no peito. — Eu... eu trouxe um chá de camomila. A senhora parecia muito nervosa quando chegou. Desculpe interromper. Suspirei fundo, fechando os olhos com força e limpando o rosto com as costas das mãos. Eu tinha sido uma ca

