capitulo 41 Samira

1624 Words

O IMPÉRIO DO MEDO: A ASCENSÃO DA RAINHA O corpo do Augusto pesava nos meus braços como se carregasse todo o chumbo das favelas do Rio. Aquele peso morto, denso e quente, parecia sugar as minhas forças para o asfalto. O sangue dele, num tom de vermelho tão vivo que chegava a ser insultante sob o sol da tarde, encharcava a seda verde-esmeralda do meu vestido, transformando o luxo em uma mortalha viscosa e fétida. Eu segurava a cabeça dele contra o meu peito, sentindo o calor da vida dele se esvaindo, a respiração ficando cada vez mais curta, ruidosa, como o último suspiro de um motor quebrado. — AUGUSTO! ABRE O OLHO, p***a! — eu gritava, a minha voz rasgando o ar da Barra, sem me importar com a maquiagem borrada pelo sangue que sujava meu rosto e minhas mãos. — Tu não tem o direito de morr

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