O IMPÉRIO DO MEDO: O ASFALTO EM CHAMAS Eu enfiei o pé no acelerador e a Land Rover deu um solavanco violento, as rodas de liga leve fritando o asfalto antes de ganharem tração. O ronco do motor V12 ecoou pelas paredes dos prédios da Barra como um rosnado de um bicho ferido. Minha mão direita tava soldada no volante, os nós dos dedos brancos de tanta força, mas a esquerda não soltava a mão da Samira por nada nesse mundo. Eu sentia ela tremer, um tremor rítmico que subia pelo braço dela e batia direto no meu peito. O suor frio dela se misturava com o meu, criando uma cola de puro pavor entre as nossas palmas. O clima de romance, o vinho caro, a promessa de uma vida nova... tudo aquilo tinha sido enterrado na areia daquela praia no momento em que o primeiro ronco de moto atravessou a minha a

