Terminei meu café sem sentir o gosto de nada, peguei minha bolsa e caminhei até a porta principal. O sol já tava alto e o mormaço começava a subir as ladeiras do Turano. Ao abrir a porta, a figura de preto já tava lá, parada como uma estátua de guerra. A brisa quente do morro bateu no meu rosto, mas o que me fez estremecer foi o olhar dele. O Caçador não se moveu um milímetro, mas eu senti como se ele tivesse me tocado, uma carícia invisível e pesada que percorreu meu corpo todo. Aqueles olhos cinzentos, frios como o aço de um fuzil deixado no gelo, me mapearam de cima a baixo. Ele demorou um segundo a mais na fresta do meu conjunto de linho, onde a pele aparecia de leve. Senti meu sangue subir, uma mistura de irritação com uma eletricidade que eu me recusava a nomear, mas que fazia minha

