Matteo manteve-se ali, imóvel, como se soubesse exatamente o efeito que tinha acabado de provocar. Ele começou a circular ao meu redor lentamente, como um tubarão avaliando a presa. Mantive os olhos à frente, fixos na madeira escura da cabeceira da cama, recusando-me a virar para segui-lo. Sentia o ar se mover quando ele passou atrás de mim. Os nós dos dedos roçaram na minha escápula, um toque fugaz, leve como uma pena, que mandou um choque direto pelo meu corpo. Ele parou novamente à minha frente. O silêncio dele fazia mais do que qualquer palavra. Enchia minha cabeça, meus pulmões, o espaço entre nós, até ser a única coisa que existia. Ele estendeu a mão, o polegar traçando a linha do meu maxilar, inclinando levemente meu rosto para cima. O toque era firme, proprietário. — Você es

