NARRADO TATIANA O silêncio que ficou no meu apartamento depois que Rocco saiu era tão denso, tão palpável, que dava quase para sentir o gosto metálico do perigo flutuando no ar. Eu fiquei ali, estirada na cama king size, encarando o teto como se o gesso fosse me dar as respostas para o enigma da existência ou, pelo menos, para o enigma de como não ser assassinada ou abandonada nas próximas vinte e quatro horas. O meu cérebro, enquanto isso, tentava realizar uma manobra desesperada de reiniciar o Windows, mas tudo o que eu ouvia era o barulho de ventoinha superaquecida. — Tatiana, sua maluca de pedra... — murmurei para mim mesma, chutando o cobertor com a delicadeza de um touro bravo. — Você acabou de sobreviver a um encontro com o homem mais tatuado e insuportavelmente gostoso do mundo,

