PONTO DE VISTA: ROCCO A fumaça do cigarro subia devagar, densa e tóxica, desenhando umas espirais cinzentas que iam se misturando com a neblina pesada que sempre cobre o topo do Morro do Falcão na madrugada. Eu tava ali, cravado, encostado na mureta de concreto da laje, sentindo o vento gelado da p***a da noite bater direto na cara. Lá embaixo, centenas de metros abaixo do meu império de tijolo baiano e fuzil, as luzes da cidade de São Paulo brilhavam igual um mar de diamante falso, espalhado na imensidão. Aquele asfalto de merda, cheio de engravatado achando que manda no mundo só porque tem a p***a de um CNPJ. A adrenalina do bagulho no porto tinha baixado. A correria de quebrar osso, cobrar vacilão e fechar a fita no limite do cerco da polícia já tinha passado. O bonde tinha feito a li

