O sol, que até o momento anterior parecia o holofote ofuscante de uma sala de interrogatório militar, subitamente ganhou uma tonalidade dourada de pura esperança. Lorenzo ainda mantinha os olhos fechados, a respiração compassada e lenta, exibindo aquela imobilidade cadavérica de quem não possui um único traço de consciência pesada, quando o aparelho celular dele vibrou. Pousado no criado-mudo com a precisão geométrica de um artefato em exposição num museu, o telefone não emitiu um toque simples. Foi um aviso insistente, agressivo. Uma sequência de notificações em cascata que parecia cortar o silêncio sepulcral do quarto com a mesma eficiência de uma guilhotina caindo. Ele despertou no exato instante em que o aparelho silenciou. Os olhos abriram-se de supetão. Não houve espreguiçamento, n

