NARRADO POR TATIANA O ar parecia ter simplesmente desaparecido do ambiente. Sugado. Extinto. A intensidade do Lorenzo era como uma pressão barométrica fodida que esmagava o meu peito e me impedia de puxar o oxigênio normalmente. Ele me observava com aquele olhar clínico, e gélido de psicopata corporativo, como se estivesse analisando um relatório de desempenho financeiro que deu prejuízo, e não a mulher que ele supostamente deveria amar. Ele me escaneava de cima a baixo como se eu fosse um CNPJ prestes a tomar uma auditoria surpresa da Receita Federal. — Estou perfeitamente bem, Lorenzo — respondi, forçando o meu tom de voz a soar firme, inabalável, embora por dentro o meu cu estivesse tão trancado que não passava nem sinal de Wi-Fi. Eu tava contando mentalmente até dez pra não ter um

