Ao entrar no meu apartamento de seiscentos metros quadrados, o sistema de automação já havia preparado o cenário para o dono da casa: a iluminação indireta estava em um tom âmbar perfeito, a temperatura rigorosamente controlada nos vinte graus e o silêncio fúnebre que eu exijo para pensar com clareza. Fui direto para a suíte master e entrei no meu closet, que é, na prática, uma extensão do meu controle psicopata. Ali, cada peça de roupa estava catalogada, alinhada com precisão militar, organizada por cor, tecido, textura e ocasião. O caos não entra na minha casa. O ritual de me vestir após um banho gelado é um exercício de precisão cirúrgica. Hoje não era um dia para amadores. Escolhi um terno de lã fria, num tom de azul meia-noite quase preto, desenhado e costurado sob medida em Milão. A

