Girei o acelerador da Ducati, saindo da zona sul maquiada e entrando nas vias expressas que rasgavam a cidade rumo à zona norte. Conforme eu me afastava da bolha da Tatiana, o cenário mudava. O vidro espelhado e as árvores podadas iam pro ralo, dando lugar a concreto cru, tijolo aparente, fio de poste emaranhado e viela que polícia não entra sem Caveirão. Eu não era só um fotógrafo fodido. Eu era o dono da p***a toda. Eu era o Patrão do Morro do Falcão. A maior facção da cidade. A organização que controlava setenta por cento do tráfico de armas e pó que entrava e saía por vias cegas nesse estado. Eu herdei esse império de sangue do meu pai quando tinha só vinte e um anos de idade. Na época, era uma zona. Um bando de noiado se matando por ponto de venda. Em oito anos de gestão, passando o

