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Dormindo Com o Chefe do meu Marido.

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Blurb

Aos dezoito anos, Helena engravidou e acreditou que casar com o pai de sua filha era a escolha certa. Doze anos depois, ela vive um casamento sem amor, sustentado apenas pela rotina e pela filha que ambos compartilham.Quando descobre que o marido a trai há meses, ela decide revidar da única forma que consegue imaginar: traindo-o também. O que ela jamais esperava era que o homem escolhido para sua vingança fosse justamente o chefe do marido.O que começou como um caso para acertar as contas rapidamente se transforma em uma paixão proibida, colocando Helena diante de uma escolha impossível: continuar presa ao passado ou arriscar tudo por um amor que nunca imaginou encontrar.

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1. Uma Casa Sem Amor
Sempre dizem que a maternidade muda uma mulher. No meu caso, ela mudou tudo. Eu tinha dezoito anos quando descobri que estava grávida. Enquanto minhas amigas escolhiam faculdades, postavam fotos de formatura e faziam planos para viagens de mochila pela Europa, eu passava as tardes no computador antigo da sala, com uma mão na barriga ainda quase plana, pesquisando preços de berços e aprendendo que um pacote de fraldas podia custar mais do que o salário mínimo. O mundo inteiro parecia seguir em frente, colorido e cheio de possibilidades, enquanto o meu se estreitava em torno de uma única certeza: eu seria mãe. Também foi aos dezoito que me casei. Bruno era quatro anos mais velho, alto, de sorriso fácil e mãos que pareciam feitas para me proteger. Naquela época, eu acreditava que amor era suficiente para superar qualquer dificuldade. Acreditava que nós dois cresceríamos juntos, que aprenderíamos a ser adultos enquanto criávamos nossa filha. A cerimônia foi simples, na igreja pequena do bairro, com flores que minha mãe mesma arrumou e um vestido que ainda guardo, guardado no fundo do armário como uma relíquia de uma versão minha que já não existe. Doze anos depois, continuo usando a mesma aliança. O ouro já perdeu um pouco do brilho, arranhado pelo tempo e pelo dia a dia, mas ainda está no meu dedo anelar esquerdo. Porém, já não consigo dizer que continuo no mesmo casamento. Porque um casamento não sobrevive apenas de uma certidão pendurada na parede. Ele sobrevive de carinho, de respeito… e da vontade diária de permanecer. Nós não tínhamos mais nada disso. Éramos dois estranhos dividindo a mesma casa, unidos apenas pela menina de doze anos que ainda chamava nós dois de “pai” e “mãe” com a mesma inocência de sempre. E, por muito tempo, achei que aquilo fosse o suficiente. Até descobrir que nem isso eu tinha mais. Nos últimos doze anos, desisti da faculdade no segundo semestre. Troquei sonhos de sala de aula por noites em claro, troquei livros por mamadeiras, e dediquei cada minuto da minha vida ao meu marido e à nossa filha, Sofia. Não me arrependo das escolhas que fiz por ela — Sofia é a coisa mais pura e brilhante que já aconteceu na minha vida. Mas às vezes, quando o silêncio da casa fica pesado demais, eu me pergunto quem eu teria sido se tivesse terminado aquele curso de Letras. Nosso casamento foi muito bom nos primeiros anos. Quando Sofia nasceu, Bruno era presente, carinhoso, daqueles que acordavam de madrugada para trocar fralda só para eu poder descansar um pouco. Ele me olhava como se eu fosse a única mulher do mundo. Mas, quando Sofia completou uns cinco anos, algo mudou. O cansaço do dia a dia foi se instalando devagar, como poeira sobre os móveis. As conversas diminuíram. Os toques também. Ainda assim, eu mantinha a boa aparência. Mesmo depois do parto, voltei para a academia assim que pude. Corria na esteira enquanto Sofia estava na escola, fazia pilates, cuidava da pele e do cabelo. Queria continuar sendo desejada pelo homem com quem eu havia construído uma vida. E, durante muito tempo, funcionou. Durante o dia, m*l trocávamos uma palavra — quando nos falávamos, era sempre sobre Sofia: a reunião da escola, a nota de matemática, o remédio para alergia. Mas à noite… à noite era diferente. Nós nos encontrávamos na cama como se fôssemos dois desconhecidos famintos. Fazíamos sexo como loucos, intenso, suado, quase desesperado. Nesses momentos, eu conseguia fingir que ainda éramos os mesmos de antes. Que ainda havia algo entre nós além de obrigação e rotina. Até que, nos últimos seis meses, ele parou de me procurar. No começo, eu tentei não dar importância. Pensei que fosse estresse do trabalho, cansaço, talvez a crise dos doze anos de casamento que todo mundo fala. Deixei passar. Tentei ser compreensiva. Mas o vazio na cama ao meu lado começou a doer mais do que eu queria admitir. Hoje, ele chegou do trabalho mais tarde que o normal. Ouvi a chave na fechadura por volta das onze e meia da noite. Sofia já estava dormindo há horas, o quarto dela no final do corredor silencioso. Eu estava na cama, fingindo ler um livro no celular, o coração estranhamente inquieto. Bruno entrou no quarto sem dizer muita coisa, apenas um “cheguei” murmurado. O cheiro dele — mistura de perfume, suor e algo que eu não conseguia identificar — invadiu o ambiente. — Demorou hoje — comentei, tentando manter a voz neutra. — Reunião que se estendeu — respondeu ele, já tirando a gravata e jogando o paletó sobre a cadeira. Não me olhou nos olhos. Foi direto para o banheiro. O som do chuveiro ligando preencheu o silêncio. Eu fiquei ali, deitada, olhando para o teto. O celular dele estava sobre a mesinha de cabeceira, carregando. A tela acendeu de repente com uma notificação. O nome “Larissa” — a secretária dele — brilhou no display. Meu estômago deu um nó. Não era da minha natureza bisbilhotar. Nunca fui assim. Mas algo dentro de mim, uma sensação r**m que vinha crescendo há meses, me fez esticar a mão. Desbloqueei o celular — ele ainda usava a mesma senha de anos atrás, a data de nascimento de Sofia. Abri a mensagem. Era um vídeo. Meus dedos tremiam enquanto eu dava play com o volume bem baixo. A imagem era escura, mas clara o suficiente. O escritório que eu já tinha visitado algumas vezes. A mesa dele. Larissa, de saia levantada, inclinada sobre a mesa. Bruno atrás dela, as mãos firmes nos quadris dela, movendo-se com força. Os gemidos abafados, o som de pele contra pele. A voz rouca dele chamando o nome dela. Meu coração disparou tão forte que achei que fosse acordar a casa inteira. O ar faltou. Senti um frio percorrer a espinha e um calor nauseante subir pelo peito. Era real. Ele estava me traindo. Há quanto tempo? Quantas vezes? O chuveiro desligou. Com o reflexo de quem já viveu anos fingindo que estava tudo bem, tranquei o celular, coloquei-o de volta exatamente onde estava e me virei de lado, fingindo dormir. Fechei os olhos com força, controlando a respiração. As lágrimas queimavam, mas eu não as deixei cair. Não ali. Não agora. Ouvi Bruno sair do banheiro, o cheiro de sabonete no ar. Ele se deitou na cama, o colchão afundando do seu lado. Ficou alguns segundos em silêncio. Depois, virou-se de costas para mim, como vinha fazendo todas as noites. Eu permaneci imóvel, o corpo rígido, a mente girando em mil direções. Será que eu peço divórcio? A pergunta ecoava sem parar. Mas para onde eu iria? Minha mãe já não estava mais entre nós há quatro anos. Não tenho trabalho, não tenho diploma. Tudo o que sei fazer é cuidar da casa, de Sofia, de Bruno. Aos trinta anos, eu me sentia completamente dependente. E ainda tinha Sofia. Como eu faria minha filha de doze anos passar por uma separação? Como explicar que o pai dela, o homem que ela idolatrava, estava transando com a secretária no escritório? Fiquei ali, deitada no escuro, com o peso de doze anos de casamento desmoronando sobre o peito. E, pela primeira vez em muito tempo, não sabia mais quem eu era sem ele.

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