Roxo
Tava eu e o D2 conferindo as nota na minha mesa, guardando o malote no cofre, quando o Mete Ficha mandou o papo no rádio que as duas p*****a que tavam rodando o morro ontem atrás do Fiesta vermelho tinham voltado.
Dou o papo reto pra trazerem as duas aqui pra boca. Sem gracinha.
Mete Ficha pede um tempo e logo brota com elas. As mina entram enquanto eu ainda tô separando o dinheiro, e eu nem escondo. Deixo elas verem a p***a toda espalhada em cima da mesa.
Se pá nunca viram nem foto de tanto malote junto na vida.
Guardo o último maço no cofre, fecho o bagulho, e viro pra encarar as duas que me fitam assustadas. Sento na cadeira, cheio de marra. E mando o gesto com a mão pra elas se sentarem também.
A cena é quase engraçada. As duas vão entrando pra dentro da sala tremendo feito vara verde. Uma morena de vestido laranja quase senta no colo da outra de tão nervosa que a mina tá.
Dá vontade de rir na moral, mas eu mantenho a cara fechada.
Passo a mão no cabelo, coçando a nuca e respiro fundo. Fico mirando no olho delas, sério, sem desviar.
O D2 continua contando a grana sentado no sofá ao lado.
Dinheiro pra c*****o! Graças a Deus.
Roxo: Ta esperando o que pra começar a falar, c*****o. — falo arrastado, com a voz grossa. — Desenbucha, p***a.
— Eu quero o meu carro. — a morena de piercing desenbucha me fazendo soltar uma risada curta pelo nariz.
Roxo: Eu também queria uma pá de coisa e nem por isso tô enchendo o saco dos outros.
A mina revira os olhos, se armando toda.
— Olha aqui, tu não tá entendendo! Se eu não sair daqui com esse carro eu tô perdida!
Abaixo o olhar rápido e encaro a de vestido laranja. Ela percebe e começa a fugir do meu olho, toda sem jeito.
Enquanto isso, a outra segue com uma falação do c*****o.
Roxo: Posso fazer nada por tu não, dona. — Dou de ombros, me arrumando na cadeira.
— Com tanto carro por aí pra vocês roubarem... tinha que ser justo o meu? — A doidinha manda numa indignação tão engraçada que quase me faz rir de novo.
Roxo: Roubei p***a nenhuma de ninguém não, ô doida. Tu que deu sorte r**m de ter cruzado caminho com quem não perdoa vacilo. — Falo já na marra.
— Então a culpa por ter sido roubada é minha? — ela manda, levantando uma sombrancelha.
Roxo: Cê vacilou, né. Quem vacila, vira alvo fia. — falo na tranquilidade, cruzando os braços e largando a visão fria nela.
A mina do lado, resolve abrir a boca, tentando desenrolar.
— Olha, é o seguinte... esse carro é o único que ela tem, entendeu? Será que não dá pra tu reconsiderar e devolver ele?
Roxo: Teu carro já deve tá virando peça no desmanche. — dou de ombros na marra, encarando elas. — Mas se quiser a carcaça dele... a gente até vê no que desenrola. Só me passa teu número primeiro. — solto a proposta na maldade, pra mina que parece índia.
Ela me encara meio sem saber onde enfiar a cara. Toda vermelhinha.
Essa mina é responsa, olho puxadinho, delineado fininho, pele morena...
E ainda com o bocão cheio de gloss brilhando.
Primeira linha, pô..
Qualidade de verdade que não se acha fácil não.
— Ah... entendi. — ela solta, botando um sorriso nervoso na cara e sem saber onde colocar as mãos inquietas. — Então é isso, né, Cecília. — joga um olhar torto pra irmã, que continua bicuda igual criança birrenta.
— A gente vai embora, esquece esse assunto de carro... e vocês fazem muito bom proveito com ele. — fala já se levantando toda desengonçada.
E a irmã faz ela se sentar de novo.
— A gente não acabou ainda — diz puxando a mina pelo o braço e a fazendo ficar sentada.
Roxo: Qual teu nome Índia?
— Anelise, o nome dela - a outra responde mais eu nem olho.
Meu foco tá na Índia.
Roxo: Anelise.. — repito devagarosamente, cravando o olhar nela.
Na hora ela abaixa a cabeça, toda sem jeito.
E eu acho engraçado, porque geralmente as mina é tudo oferecida pra c*****o.
Gosta de dar em cima, de se jogar.
Ver ela toda travadona só com o meu jeito de olhar pra ela é...
Sei lá... é diferente, tá ligado?
Não que eu vá ficar viajando em cima disso, mas que é outro papo, é.
Roxo: O nome combina com tu. — solto na malícia, porque o pai aqui é atacante feito Neymar.
Ela sorri, sem saber onde enfiar a vergonha. E passa uma mecha de cabelo pra trás da orelha, toda molinha.
Roxo: Como é que pode nós nunca ter se trombado nesse Rio de Janeiro? — solto, jogando a pergunta no ar.
Só que antes dela responder, a irmã dela, toda atravessada, solta:
— Sorte dela, né? Se não teria ficado sem carro também. — fala jogando o cabelo pra trás, toda engraçadinha.
Até o D2 não aguenta e solta uma risadinha de lado.
Devia tá puto, mas tô achando graça da ousadia da doidinha.
Anelise: Cala a boca, Cecília! Pelo amor de Deus. — ela fala baixo, segurando o braço da irmã.
As duas começam a trocar ideia no olhar, naquele papo mudo.
E é nessa que eu reparo na mão dela.
Uma aliança enorme dourada brilhando pra c*****o.
Solto um PQP baixo, balançando a cabeça.
Nem tinha sacado que a mina era casada.
Roxo: Olha o que eu tinha pra falar pras duas eu já falei. — solto, cruzando os braços na cadeira.
A mina n**a com a cabeça e parece engolir um palavrão.
Roxo: Agora mete o pé daqui do morro antes que eu passe as duas na bala. — ameaço.
Cecília: Eu pago o resgate — se estressa, no meio da marra dela.
Antes que eu responda, a porta se escancara.
E o Farinha entra daquele jeitão dele.
Farinha: E aí, fé?
Roxo: Fé, bandido. — respondo, só levantando o queixo no cumprimento.
D2: Fé, Farinha.
Ele passa a visão pela sala e abre a gaveta da minha mesa.
Farinha: Cadê o número do groselha lá... aquele que traz as parada pra nós?
Roxo: Tá falando do... — faço uma pausa, já sacando que ele fala do velho que fornece as munições pra nós.
Farinha: É, c*****o. Aí mesmo.
Roxo: Deve tá nessa p***a aí mesmo. — falo, apontando com a cabeça pro bolo de papel na gaveta.
Ele se agacha, começando a revirar o bagulho todo.
Não vou devolver bagulho de carro nenhum não.