Capítulo 6

1121 Words
Roxo Tava eu e o D2 conferindo as nota na minha mesa, guardando o malote no cofre, quando o Mete Ficha mandou o papo no rádio que as duas p*****a que tavam rodando o morro ontem atrás do Fiesta vermelho tinham voltado. Dou o papo reto pra trazerem as duas aqui pra boca. Sem gracinha. Mete Ficha pede um tempo e logo brota com elas. As mina entram enquanto eu ainda tô separando o dinheiro, e eu nem escondo. Deixo elas verem a p***a toda espalhada em cima da mesa. Se pá nunca viram nem foto de tanto malote junto na vida. Guardo o último maço no cofre, fecho o bagulho, e viro pra encarar as duas que me fitam assustadas. Sento na cadeira, cheio de marra. E mando o gesto com a mão pra elas se sentarem também. A cena é quase engraçada. As duas vão entrando pra dentro da sala tremendo feito vara verde. Uma morena de vestido laranja quase senta no colo da outra de tão nervosa que a mina tá. Dá vontade de rir na moral, mas eu mantenho a cara fechada. Passo a mão no cabelo, coçando a nuca e respiro fundo. Fico mirando no olho delas, sério, sem desviar. O D2 continua contando a grana sentado no sofá ao lado. Dinheiro pra c*****o! Graças a Deus. Roxo: Ta esperando o que pra começar a falar, c*****o. — falo arrastado, com a voz grossa. — Desenbucha, p***a. — Eu quero o meu carro. — a morena de piercing desenbucha me fazendo soltar uma risada curta pelo nariz. Roxo: Eu também queria uma pá de coisa e nem por isso tô enchendo o saco dos outros. A mina revira os olhos, se armando toda. — Olha aqui, tu não tá entendendo! Se eu não sair daqui com esse carro eu tô perdida! Abaixo o olhar rápido e encaro a de vestido laranja. Ela percebe e começa a fugir do meu olho, toda sem jeito. Enquanto isso, a outra segue com uma falação do c*****o. Roxo: Posso fazer nada por tu não, dona. — Dou de ombros, me arrumando na cadeira. — Com tanto carro por aí pra vocês roubarem... tinha que ser justo o meu? — A doidinha manda numa indignação tão engraçada que quase me faz rir de novo. Roxo: Roubei p***a nenhuma de ninguém não, ô doida. Tu que deu sorte r**m de ter cruzado caminho com quem não perdoa vacilo. — Falo já na marra. — Então a culpa por ter sido roubada é minha? — ela manda, levantando uma sombrancelha. Roxo: Cê vacilou, né. Quem vacila, vira alvo fia. — falo na tranquilidade, cruzando os braços e largando a visão fria nela. A mina do lado, resolve abrir a boca, tentando desenrolar. — Olha, é o seguinte... esse carro é o único que ela tem, entendeu? Será que não dá pra tu reconsiderar e devolver ele? Roxo: Teu carro já deve tá virando peça no desmanche. — dou de ombros na marra, encarando elas. — Mas se quiser a carcaça dele... a gente até vê no que desenrola. Só me passa teu número primeiro. — solto a proposta na maldade, pra mina que parece índia. Ela me encara meio sem saber onde enfiar a cara. Toda vermelhinha. Essa mina é responsa, olho puxadinho, delineado fininho, pele morena... E ainda com o bocão cheio de gloss brilhando. Primeira linha, pô.. Qualidade de verdade que não se acha fácil não. — Ah... entendi. — ela solta, botando um sorriso nervoso na cara e sem saber onde colocar as mãos inquietas. — Então é isso, né, Cecília. — joga um olhar torto pra irmã, que continua bicuda igual criança birrenta. — A gente vai embora, esquece esse assunto de carro... e vocês fazem muito bom proveito com ele. — fala já se levantando toda desengonçada. E a irmã faz ela se sentar de novo. — A gente não acabou ainda — diz puxando a mina pelo o braço e a fazendo ficar sentada. Roxo: Qual teu nome Índia? — Anelise, o nome dela - a outra responde mais eu nem olho. Meu foco tá na Índia. Roxo: Anelise.. — repito devagarosamente, cravando o olhar nela. Na hora ela abaixa a cabeça, toda sem jeito. E eu acho engraçado, porque geralmente as mina é tudo oferecida pra c*****o. Gosta de dar em cima, de se jogar. Ver ela toda travadona só com o meu jeito de olhar pra ela é... Sei lá... é diferente, tá ligado? Não que eu vá ficar viajando em cima disso, mas que é outro papo, é. Roxo: O nome combina com tu. — solto na malícia, porque o pai aqui é atacante feito Neymar. Ela sorri, sem saber onde enfiar a vergonha. E passa uma mecha de cabelo pra trás da orelha, toda molinha. Roxo: Como é que pode nós nunca ter se trombado nesse Rio de Janeiro? — solto, jogando a pergunta no ar. Só que antes dela responder, a irmã dela, toda atravessada, solta: — Sorte dela, né? Se não teria ficado sem carro também. — fala jogando o cabelo pra trás, toda engraçadinha. Até o D2 não aguenta e solta uma risadinha de lado. Devia tá puto, mas tô achando graça da ousadia da doidinha. Anelise: Cala a boca, Cecília! Pelo amor de Deus. — ela fala baixo, segurando o braço da irmã. As duas começam a trocar ideia no olhar, naquele papo mudo. E é nessa que eu reparo na mão dela. Uma aliança enorme dourada brilhando pra c*****o. Solto um PQP baixo, balançando a cabeça. Nem tinha sacado que a mina era casada. Roxo: Olha o que eu tinha pra falar pras duas eu já falei. — solto, cruzando os braços na cadeira. A mina n**a com a cabeça e parece engolir um palavrão. Roxo: Agora mete o pé daqui do morro antes que eu passe as duas na bala. — ameaço. Cecília: Eu pago o resgate — se estressa, no meio da marra dela. Antes que eu responda, a porta se escancara. E o Farinha entra daquele jeitão dele. Farinha: E aí, fé? Roxo: Fé, bandido. — respondo, só levantando o queixo no cumprimento. D2: Fé, Farinha. Ele passa a visão pela sala e abre a gaveta da minha mesa. Farinha: Cadê o número do groselha lá... aquele que traz as parada pra nós? Roxo: Tá falando do... — faço uma pausa, já sacando que ele fala do velho que fornece as munições pra nós. Farinha: É, c*****o. Aí mesmo. Roxo: Deve tá nessa p***a aí mesmo. — falo, apontando com a cabeça pro bolo de papel na gaveta. Ele se agacha, começando a revirar o bagulho todo. Não vou devolver bagulho de carro nenhum não.
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