Capítulo 7

1098 Words
Fabrício Já revirei essa p***a umas quatro vezes e nada desse telefone. - Então tá bom... Eu subi aqui achando que tu mandava em alguma coisa aqui dentro. Mas pelo jeito tu tá valendo o mesmo tanto que eu aqui. Nada. Levanto o olhar segurando o riso porque foi engraçada essa p***a. Olho pra mina e depois pro Roxo que vira a cadeira rindo pra mim. Roxo: O que eu faço com essa p***a, Gigante? Fala tu. - me pergunta, e eu rio negando, jogando a visão de novo na mina. Abaixo o olhar e volto a desenrolar o bagulho. Meu celular vibra no bolso. Pego, vejo que é mensagem da Rayssa. Fecho a tela, taco o f**a-se e volto pro foco. Eles continuam trocando ideia e eu finalmente acho a p***a do número. Anoto no celular e enfio o papel de volta na gaveta. Roxo: Deixa essas duas lá na entrada do morro. Farinha: Tô ocupado com outros bagulhos, pede pra um dos vapor aí. - falo já metendo o pé da sala e ele me chama de volta. Roxo: Farinha! - me viro pra ele no reflexo já do lado de fora da sala. Roxo: Pega cem mil aí e manda o Clebinho deixar com o Taveira. - fala de braços cruzados. - Tem que dar a ração pros rato, se não vão vir brotar aqui pra fazer inferno. E tu, D2, pede pro Tico levar as mina de volta. - ele passa o papo pro D2 que assente e já mete marcha, mas volta ligeiro. D2: Ele tá vindo, patrão. Mas vai ver se desenrola mais alguém. Porque ele tá sozinho. - fala guardando o rádio o rádio. Roxo: p**a que pariu! - Não precisa me levar não. Eu vou andando. Perguntando pras pessoas na rua. Farinha: Tu já veio aqui antes? - pergunto e ela se cala - Vai ir andando como? Tá doidona? - mando na tora. - Com as pernas! - a doidinha diz estreitando os olhos cheia de ironia. Olho pro Roxo que leva a mão na boca segurando o riso e roda a cadeira devagar. - Cecília! - a outra sussurra apertando o braço dela, tentando conter a doida. Estreito os olhos pra ela e desço o olhar até a tatuagem no braço dela. Farinha: Bora lá. Eu deixo a mina lá embaixo. Mas tô de moto. - aviso ajeitando a aba do boné. Roxo: O Tetéu leva a Índia. - solta e eu vejo a mina ficar toda coradinha. Esses caras é f**a. Rio negando e vou saindo. Roxo: Agradece não? Cecília: Te agradecer por ter feito nada? - a mina rebate de voadora. Tem noção do perigo não. Nem sei como o Roxo deixou passar essa p***a. Geralmente ele não dá moral pra esse tipo de caôzada não. A mina brincou mais que a brincadeira. Saio do portão da boca e fecho os olhos meio que no reflexo, claridade fodida batendo de frente. O celular vibra de novo. Pego, confiro a mensagem e guardo. Farinha: Esses cuzão acha que eu tô com tempo pra esses bagulho. - reclamo estressado, me ajeitando no banco da moto. - Devem tá com muito tempo mesmo, pra ficarem roubando carro de trabalhador - fala soltando a indireta. Olho pra ela enquanto ajeito o boné na cabeça e vejo a outra já subindo na garupa do Tetéu. E eles saem acelerando morro abaixo. Farinha: Olha aqui, eu não sei quem foi o maluco que roubou teu bagulho. Mas pode ter certeza que não foi eu. Até porque minha fita é assalto a banco, sequestro, homicídio... Tá ligada? - falo no veneno - Não tenho tempo pra ficar roubando carro de patricinha não. Vejo ela engolir seco e abaixar a bolinha dela. - Eu só queria meu carro - diz passando a mão no cabelo, olhando pro lado e parece que tá segurando o choro. Fico na minha, sentado no banco da moto, de braços cruzados e olhando o movimento da rua. Volto o olhar pra ela que continua em pé ao lado da moto. Farinha: Que dia foi essa p***a? - pergunto sério. Cecília: Ontem. - diz me encarando enquanto seca as lágrimas que ainda molham a pele dela. - Eu tinha certeza que ia conseguir meu carro de volta quando eu conversasse com ele. - funga o nariz e abaixa a cabeça, os fios de cabelo preto caindo na frente do rosto. Coço a barba devagar e volto o olhar pra rua. Farinha: Tu teve sorte de tá saindo daqui limpa. - falo direto, vendo ela levantar a cabeça e me encarar. - Volta pra tua casa mina e esquece essa p***a. Ela solta uma risada fraca, tipo de deboche amargo, e balança o cabelo pra trás negando. Cecília: É fácil falar... Você não tá na minha pele. Mas tá bom! Não vou ficar aqui me humilhando pra nenhum de vocês. - fala firme, se aproximando da moto, e mete a mão no meu ombro pra ganhar impulso e subir no banco traseiro da moto. No mesmo instante o cheiro do perfume dela invade meu nariz igual cocaína. Só que o cheiro dela é bom pra c*****o. Fico uns segundos parado, esperando ela se ajeitar. Quando vejo que se acomodou, ligo a moto, dando partida e meto fuga nas vielas da comunidade. No embalo da descida, sinto o aperto dela na minha cintura. Dou uma olhada rápida pra baixo e vejo as unhas vermelhas e grandes cravadas em mim. Seu corpo quente grudado nas minhas costas, e seu cabelo batendo no meu rosto com o vento, espalhando ainda mais aquele cheiro bom que ta me deixando embriagado. Solto o ar pelo nariz, focado na pista, mas com a mente onde nem devia estar. Paro a moto um pouco distante do carro delas, vendo que a outra já tá lá dentro, esperando. Cecília: Valeu! - agradece meio seca, segurando a mão que estendi pra ajudar ela a descer da moto, que é alta pra c*****o. Farinha: Meu vulgo é Farinha. Se tu precisar de algum bagulho é só pedir pra falar comigo. - solto na moral, ajeitando o boné. Cecília: Obrigada! Mas o que eu preciso você não pode me ajudar. - manda toda marrenta e da uns dois passos de costas e depois se vira, caminhando até o carro delas. Rio pelo nariz, balançando a cabeça. A menor é marrenta até no aperto. Vejo ela entrando no carro e batendo a porta. Manobro a moto e meto o pé de volta pra lá pra cima. Cabeça a milhão, mas rindo de leve.
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