No dia do meu casamento eu estava mais triste do que feliz, chegamos aos EUA uma semana antes, mamãe pagou mulheres para fazerem tudo, o vestido, cabelo, maquiagem.
Quando elas terminaram eu m*l podia acreditar no que via, eu estava linda, optei por usar um véu, caso eu chorasse durante o casamento meu noivo não iria ver nada.
O motorista chegou e me levou até a igreja, eu não queria casar, eu queria uma saída para aquilo, eu odiava essa obrigação de perder minha felicidade pelo bem de uma merda de organização criminosa a qual eu odiava.
Chegando na igreja, papai já me esperava na porta. Ele deu um beijo em minha testa e disse:
-Cumpra o seu dever, querida e todos nós estaremos bem, inclusive você.
Eu estava tão triste que nem ouvi o resto do que ele disse, eu procurava na cabeça qualquer coisa que me ajudasse a não casar, quando caminhamos até o altar eu tive uma ideia.
-Papai eu acho que eu...
Fingi um desmaio na metade do caminho e muita gente veio socorrer, os seguranças me pegaram no colo e me colocaram em um banco, de repente eu senti uma mão gelada tocar em mim.
-Foi apenas um desmaio, mas ficará boa em breve.
eu ouvi, era James. Ele chegou perto de mim e sussurrou no meu ouvido.
-Sei que está fingindo, você não quer que eu perca o controle dentro da minha cidade, não é?
Na hora minha alma gelou, meu Deus. eu estava destinada a um casamento ridículo. Eu não pude fazer nada, apenas fingi que estava melhorando e disse que era pelo calor, mas não estava quente naquele dia.
Assim que eu estava "melhor" demos continuidade ao casamento. Continuei caminhando e quando cheguei ao altar, o padre começou a cerimônia. Falou falou e falou sobre amor e cumplicidade, que piada, em um casamento arranjado.
Chegou o momento das alianças e minhas mãos estavam tremendo, quando foi minha vez de dizer sim minha voz saiu tão baixa que apenas o padre e o noivo ouviram.
Logo depois o padre nos declarou casados e James tocou meu véu, ele levantou e colocou atrás da minha cabeça, ele me olhou de uma forma diferente por uns segundos mas depois voltou a sua face normal. Deu um passo a frente e colocou seus lábios no meu, de forma dura e intensa.
Aquele foi o meu primeiro beijo, na frente de tantas pessoas e de forma tão grosseira, quando se é uma garota da máfia, você é criada com todo tipo de cuidado, eu não podia ter amigos homens então nunca fui beijada ou tocada por alguém.
A festa seria em minha nova residência, eu ainda não havia ido até lá, mandei apenas as minhas coisas para que fossem guardadas e colocadas em um quarto.
Quando subimos ao quarto, ele abriu uma porta e eu entrei, esperei que ele entrasse mas ele apenas fechou a porta e saiu. Fui tirar o vestido e trocar de roupas, todos os convidados já tinham ido embora e eu queria apenas dormir em paz.
Quando era madrugada, eu levantei e fui até a cozinha, eu estava com sede. Assim que coloquei o pé no último degrau, James entra pela porta e me olha sem dizer nada. Eu perguntei:
- Esteve trabalhando até agora?
-Não estava trabalhando...
Foi sua resposta, eu cheguei mais perto e vi melhor, seu cabelo estava bagunçado, suas roupas amassadas e ele tinha um cheiro doce demais, meus olhos marejaram e eu perguntei.
-Onde você estava?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos até que disse.
-Isso não é da sua conta.
Dei outro passo em sua direção, se eu ia sofrer, então eu também teria um pouco de coragem.
-É da minha conta sim, você é meu marido. Estava em algum prostíbulo barato? é isso, sua esposa não é mulher suficiente?
James era bem mais alto que eu, mais velho também, como eu não sabia nada sobre sua vida ainda, eu não sabia sua idade ao certo, mas deveria ser entre 30 e 40 anos.
-Sou seu marido apenas no papel. Você não queria esse casamento. E eu também não.
-Mas o mínimo que poderia fazer era me respeitar, é o que homens de honra fazem, mas eu estava certa, me casei com um homem sem honra alguma.
Eu subi a escada com rapidez e até me esqueci da água, eu poderia dormir com sede mas não queria estar na presença dele nem mais um minuto.
Eu tranquei a porta e logo ele começou a bater.
-Abra essa porta, Petrova.
Eu não fiz nada, deixei que ele continuasse batendo, passados alguns minutos, tudo virou paz e eu estava quase dormindo quando um estrondo me fez pular da cama e gritar.
A porta estava derrubada, no chão. James entrava nela como se estivesse entrando num salão de uma festa.
-Quando eu mandar você abrir, você abre.
Ele disse, e foi chegando mais perto.
-O que faz aqui? é o meu quarto
Minha voz saiu mais trêmula que o esperado.
-Vim dar um recado, querida esposa. Mantenha sua língua dentro da boca se não quiser perdê-la. E nunca mais diga nada daquilo pra mim, você entendeu bem?
Eu continuei na cama, olhando pra ele, minhas lágrimas ameaçando cair. Me assustei quando ele avançou até mim e segurou meu rosto.
-Eu perguntei se entendeu.
Eu apenas balancei a cabeça, ele me soltou como se eu fosse um animal silvestre. virou as costas e saiu do quarto, a porta ainda estava lá no chão.
Comecei a chorar porque era apenas isso que eu podia fazer, chorar. Meu casamento seria um inferno e eu seria a maior perdedora nisso.
No dia seguinte, levantei e fui até a cozinha porque estava morrendo de sede, encontrei uma empregada já senhora e outra mais jovem sentadas na mesa.
-Bom dia
Elas se assustaram e a senhora foi logo puxando uma cadeira.
-Minha senhora, sente-se. a senhora precisa de alguma coisa?
Elas pareciam nervosas. Eu apenas peguei uma garrafa da geladeira e enchi o copo.
-Não, apenas água, podem ficar tranquilas.
Elas continuaram em pé, nós falávamos em inglês porque imagino que elas não sabiam falar russo.
-Pode me fazer um café da manhã? eu estou com fome.
Eu disse e elas correram para a pia e fogão, para prepararem.
-Vocês trabalham aqui a muito tempo?
eu perguntei.
-Sim senhora, eu me chamo Marta e essa é minha filha Martina.
-Mas pode me chamar de Tina, senhora.
a mais nova disse.
-Tudo bem, obrigada pela comida.
Elas me olharam como se eu fosse um bicho.
-Por que me olham assim? tem algo errado comigo?
Elas balançaram a cabeça em negativa e disseram.
-É que a antiga senhora da casa, a mãe do menino James, nunca falava com os empregados e bem... a senhora está sentada na mesa da cozinha.
Fiquei pensando, os pais de Janes morreram pouco antes de nosso casamento.
-Essa casa é minha, não é? então eu posso conversar com quem eu quiser.
Falei séria mas logo dei um sorriso que acalmou as duas, elas trouxeram um prato com ovos mexidos, bacon, torradas e um suco natural. Percebi que elas olharam para minhas costas e arregalaram os olhos, eu estava mastigando os ovos quando me virei.
-O que faz aqui? a mesa do café já está posta na sala de jantar. Era pra você estar lá.
Ele disse, todo grosseiro, ao seu lado tinha um rapaz, deveria ser um subchefe ou consigliere.
-Eu prefiro comer aqui.
Dei as costas aos dois e continuei comendo, percebi que eles se foram e Marta disse.
-Minha senhora, não faça isso, o menino James pode ser um pouco r**m quando quer.
-Não se preocupe Marta, eu já vou sofrer mesmo, uma coisa a mais não vai fazer diferença.
Eu disse, depois do café eu fui até os jardins, eles eram lindos, sentei-me em um dos bancos, o dia estava claro mas sem a presença do sol, vi uma mulher muito bonita entrar na casa, ela andava com dois caras um de cada lado. Fiquei me perguntando que tipo de mulher meu marido gostava, já que com certeza não era a esposa.
Quando estava perto do horário de almoço, pedi que Marta levasse minha comida até o quarto. Eu ainda não queria nenhuma refeição na mesa como se fossemos uma grande família feliz.