Amizade feminina

1461 Words
Na semana seguinte tudo ainda era o mesmo, eu comia todos os dias no quarto, descia para ir aos jardins, a porta do quarto estava consertada e eu pouco via meu marido. Ele sempre chegava tarde e eu imaginava onde estaria, com suas prostitutas baratas. Eu estava na sala assistindo a um filme e comendo sorvete quando ele entrou, novamente com aquele cheiro imundo, eu não disse nada, se eu não sentisse nada, então tudo estaria bem. -Por quê está acordada tão tarde? Ele perguntou. -Estou sem sono. Eu respondi. Eu era uma boa moça, mas a cada dia que passava nessa casa, uma parte minha se perdia, eu sentia raiva de James o tempo inteiro, eu não queria ser uma boa esposa, eu não queria nada, eu queria apenas sumir desse casamento i****a. -Estou indo dormir. Ele disse. Eu não respondi, apenas balancei a cabeça e continuei vendo o filme, eu nem sabia o nome, apenas olhava a tela esperando que o sono me ganhasse, quando comecei a sentir sono, guardei o que sobrou do sorvete e fui até meu quarto, o quarto de James era de frente pro meu, mas mais a esquerda o segundo. Eu tive curiosidade de ir ver, a porta estava entreaberta e eu pude entrar. Era escuro, combinava com o dono, eu ouvi o chuveiro ligado e fui até lá, observei pela brecha da porta, James estava nu virado de costas, sua mão se movia pra frente e pra trás, ele estava ofegante e em algum momento ele apoiou a cabeça no azulejo, ficou alguns segundos assim, quando ele virou de frente, eu tomei um susto tão grande que soltei um pequeno gritinho, isso chamou sua atenção, ele fez contato visual comigo e eu saí correndo, caramba, eu vi meu marido nu. Ele era enorme, aquilo nunca poderia caber em mim, tranquei o quarto e fui sentar na cama, eu estava ofegante também, quando a bateram na porta eu pulei, ouvi a voz dele. -Abra a porta ou eu derrubo de novo. Eu não tive escolha, fui até lá e abri a porta, minhas bochechas estavam vermelhas e ele entrou, usava apenas uma calça moletom, eu podia ver todas as suas tatuagens de perto. -O que fazia no meu quarto? Ele perguntou quando se virou de frente pra mim, eu apenas abaixei a cabeça e neguei. -Alguma coisa você foi fazer, o que foi? Ele insistiu. -Nada, eu apenas quis conhecer o seu quarto e fui... A porta do banheiro estava aberta e eu... Ele concordou com a cabeça e perguntou. -Gostou do que viu? Ele chegou perto de mim, eu dei um passo atrás até que minhas costas bateram na porta. -Eu... Eu... Ele chegou mais perto, até que ficou a poucos centímetros de mim, eu podia sentir sua respiração. -Você? O que, Petrova? Ele abaixou a cabeça e segurou meu rosto, eu virei para o lado e disse. -Não me beije, não quando tiver acabado de chegar de seu puteiro. Beije a prostituta com quem você fode todo dia. Eu realmente não sei de onde eu tirei coragem pra dizer isso, mas pareceu enfurecer James. Ele segurou meu rosto com mais força ainda e colou seus lábios nos meus, tinha gosto apenas de pasta de dente e cigarro. -Eu não beijo ela, apenas faço o que tenho que fazer. Minha boca não toca em sua boca, apenas em outras partes suas. Ele sussurrou no meu ouvido e eu quase vomitei de tanto nojo e raiva. -Sai daqui, James. Eu quero dormir, não volte a me tocar, você nunca me terá em sua cama, eu sou boa demais pra estar nela. Eu tentei empurrar seu corpo mas ele não se moveu, continuou no lugar e disse. -Se eu quiser você, você não tem como impedir. -Você vai me estuprar? É tão asqueroso assim a ponto de me pegar a força? Eu perguntei aos gritos, ele segurou meu pescoço com força e me colou na parede novamente. -Não me chame de asqueroso, esposa, eu vou pegar apenas o que é meu. Mas não, eu não estupraria você, quando for o momento você vai querer tanto quanto eu. Ele soltou meu pescoço e eu voltei a chorar, James saiu do quarto e eu gritei. -NUNCA, você nunca vai me ter, seu maldito nojento. Bati a porta com força e tranquei, se ele voltasse, teria que derrubar tudo até que conseguisse abrir. Passei as próximas horas da madrugada chorando e desejando nunca ter nascido. Na manhã seguinte, eu não desci nem para olhar os jardins, eu estava apenas me alimentando, mas não fazia nada, eu estava triste e desanimada a cada dia que passava naquela casa. O dia passou rápido e logo depois eu ouvi a porta batendo, fui até lá e era Tina, com minha janta. Eu recebi e agradeci a ela, pedi que ela me trouxesse um sorvete também. Depois de alguns minutos ela voltou e me entregou. Eu jantei em completo silêncio, eu sentia falta de casa, a Rússia era meu país e lá eu tinha pelo menos onde viver com dignidade, meus pais nunca me bateram, apesar de meu pai me criar com mãos de ferro. -Senhora O’Connor? Ouvi alguém chamar depois que eu terminei de comer, limpei minha boca e fui até a porta. Abri e era a mesma moça que vi no outro dia, ela me olhou e deu um sorriso. -Posso entrar? Sem querer eu respondi. -Depende, se for uma das prostitutas do meu marido, pode voltar pra ele. Ela sorriu e negou com a cabeça, eu dei espaço para que ela entrasse e me sentei na cama, ela continuou em pé. -Meu nome é Deise, vim apenas oferecer uma amizade feminina, nessa mundo em que vivemos, é difícil sobreviver se não tivermos forças. Eu fiquei olhando uns segundos pra ela e perguntei: -Você é alguma parente de James? Ela sorriu e acenou. -Prima, eu não estava em seu casamento porque tive uma viagem a Itália com meu pai. Eu também vou me casar com o Chefe de lá, mas ele vai ter trabalho comigo. Ela falou e começou a rir, eu também sorri e nós engatamos em uma conversa sobre muitas coisas, até que ela fosse. -James teve uma vida difícil desde que era menino, o pai dele batia muito nele e na minha tia, tenha paciência. -Eu não sei, Deise. Eu sou esposa dele e tudo o que ele faz é chegar tarde com cheiro de prostitutas em suas roupas, assim não tem como querer mudar o casamento, ele não vai me tocar nunca. Ela deu um sorriso fraco e disse. -James nunca misturou trabalho com prazer, ele é dono das boates onde as meninas trabalham mas nunca vi ele dormindo com nenhuma delas. -Pois parece que agora dorme, e eu como sou i****a fico aqui como uma prisioneira i****a, esperando meu marido chegar com cheiro de mulher enquanto eu me acabo de comer sorvete. Ela deu uma gargalhada e logo depois me levou a gargalhar também. Conversamos mais alguns minutos e alguém bateu na porta, um rapaz, o mesmo que vinha com James disse: -Vamos Deise, estou indo. -Ok, até mais Petrova, esse é Nicholas, meu irmão mais velho, ele é subchefe da Outfit. Eu apenas olhei para o homem e acenei, ele deu outro aceno em resposta e ela foi saindo. -Venha mais vezes, Deise. Quero dizer, até o dia do seu casamento pode vir todo dia. Ela me abraçou e foi embora, quando olhei no relógio já era quase 22:00 da noite, eu deitei e ouvi a porta do quarto de James abrir e fechar. Não queria imaginar pra onde ele estava indo, não queria pensar nele, eu queria apenas ficar em minha prisão, esperando o dia da sentença da minha morte. Quase quinze dias depois, eu estava descendo as escadas para ir ao jardim quando Marta me parou. -Senhora, o senhor James pediu que avisasse a senhora que hoje a noite vocês jantarão fora. Algum jantar de negócios da Outfit. Era só o que faltava, viver infeliz e ter que socializar e fingir que estava feliz. Passei o dia inteiro no jardim, cuidando das flores, tínhamos um jardineiro mas eu gostava de mexer nas rosas, mesmo que fosse escondida. No horário do jantar, eu já estava pronta, vestido vermelho vivo com as costas abertas, cabelo solto em ondas e uma maquiagem leve, apenas um batom vermelho para dar harmonia. Desci as escadas e James estava lá, aguardando, ele estava com um terno cinza sob medida, me olhou descer a escada e estendeu a mão, eu segurei apenas porque não queria causar brigas antes do jantar. Nós entramos no carro e seguimos até o local, a noite de hoje entregou muitas surpresas, boas e ruins.
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