Minha esposa

1724 Words
James O’Connor Petrova estava linda vestida nesse vestido vermelho, eu queria dizer a ela que eu não era esse monstro feio que ela via ao me olhar, eu queria dizer a ela que somente na primeira noite eu dormi com outra mulher e não fiz mais isso, estávamos com quase um mês de casados e eu enlouquecia sempre que a via. Ela era delicada e eu grosseiro, ela era gentil e eu era arrogante. O mais importante, ela era luz e eu trevas. Eu cresci vendo meu pai bater na minha mãe naquele dia no quarto quando ela me perguntou se eu a estupraria, eu confesso que minha mão quase voou até seu rosto, mas consegui me controlar e elas foram até seu pescoço. -Bem vindos, senhor e senhora O’Connor. Fomos saudados assim que entramos na casa, era a residência de associado nosso, que controlava a outra parte dos EUA, fomos guiados até nossas cadeiras na mesa. Petrova sentou majestosamente impecável, ela tinha um ar de realeza, eu gostava de saber que ela era minha, mesmo que nunca tivesse de fato sido minha. -Senhora O’Connor, que prazer conhecê-la pessoalmente. Uma mulher falou para minha esposa e quando fui ver, estreitei os olhos, era uma das filhas desse associado, Ângela, já esteve em minha cama várias vezes, ela era gostosa e quis me dar, na época eu era solteiro e aproveitei. -O prazer é todo meu. Petrova respondeu e deu um sorriso inocente, comecei a ficar irritado, não queria que Petrova se misturasse a essas pessoas, ela era boa demais pra isso, como ela mesma disse. -James, fico feliz que tenha vindo, trataremos de alguns assuntos após o jantar, sua esposa ficará bem acompanhada. Não ficaria p***a nenhuma, eu não confiava em nenhum deles e o único motivo de eu estar aqui é que a Outfit precisava desses acordos com outras organizações. Logo após o jantar, Petrova foi rodeada de mulheres, percebi que ela ficou acanhada mas eu não podia ir até lá, os homens já se encaminhavam para uma sala reservada. -Os mexicanos estão vendendo uma droga nova, peguei esse pacote em minha boate ontem a noite. O anfitrião, Miquéias Scott disse, um dos meus capos, jogou um saco com cocaína em cima da mesa e eu e os demais nos entreolhamos. -Eu peguei o i****a que vendia e claro, depois de uma conversa animada, ele respondeu tudo. Mas disse não saber onde é produzido. Começamos um debate sobre como iríamos pegar essas ervas daninhas e tirar de nosso território, nos meus locais ainda não tinha aparecido nada disso, porque justamente todos sabiam da minha fama de louco, quando eu pegava um inimigo, em menos de 10 minutos ele implorava pela morte. Passamos as próximas meia hora conversando sobre isso e quando a reunião acabou, fui em direção a sala, não via Petrova em lugar nenhum, fui até as senhoras, esposa e filhas de Miquéias estavam na roda e se calaram quando eu cheguei. -Viram minha esposa, senhoras? A menina, eu até esqueci o nome, que trepou comigo disse. -Não senhor, não vimos. Acho que ela foi dar uma volta, já que parecia cansada. Apenas acenei e comecei a rodar a casa inteira atrás dela, quando não encontrei, comecei a ficar preocupado. Peguei o telefone e avisei aos seguranças, eles foram na parte de fora e procuraram por ela, alguns minutos depois um dele me avisou que ela estava sentada em um banco nos jardins. Ela gostava mesmo disso. Eu caminhei até lá, me aproximei devagar e percebi que ela limpava o rosto, estava chorando? -Petrova, por que está chorando? Perguntei, mas minha voz saiu dura demais, como sempre. -Veio perguntar se sua amante fez o trabalho certo, pois bem, ela fez. Não se preocupe comigo James, pode voltar pra ela, continue fingindo que não estou aqui. Mas que merda ela estava falando? -Petrova, do que está falando? Me diga. Tentei soar um pouco mais calmo e ela disse. -Você sabe, não se faça de maluco. Ela cuspiu as palavras e me olhou nos olhos, seu nariz estava vermelho e seus olhos ainda molhados, eu segurei em seu rosto já sem paciência e falei. -Me diga agora o que aconteceu. Eu exigi e ela fechou os olhos por um momento. -Sua amante, filha do dono da casa, foi no banheiro e me passou o recado, você não iria voltar cedo pra casa hoje porque estaria com ela, por que está me perguntando isso se você já sabe? Ela limpou os olhos e eu tirei a mão de seu queixo. Levantei rápido e peguei Petrova pela mão e puxei em direção a casa. No meio do caminho, liguei para meu primo Nicholas, expliquei a situação e pedi que ele me fizesse um favor, segui puxando Petrova que reclamava. Assim que cheguei na sala, todos estavam lá, a v***a nos olhou e deu um sorriso falso a Petrova, eu tirei a arma do coldre do paletó e atirei pra cima, uma gritaria se instalou e todos viraram na minha direção. -James... O que você... Miquéias começou a falar mas eu cortei, segurei nas mãos de Petrova e disse. -Miqueias, meu querido, parece que sua filha- apontei pra ela com a arma- andou incomodando minha querida esposa e isso eu não aceito. Coloquei o braço nas costas de Petrova e disse. -Eu fiquei sabendo que sua filha andou aquecendo a cama de meu primo, Nicholas, então, meu querido amigo, gostaria que você tomasse providências antes que eu mesmo tome. -Apontei a arma novamente na direção dela e sua mãe falou. -Isso é uma mentira, minhas filhas foram bem criadas e sabem que só podem se deitar com seus maridos. -Então, eu proponho que Miquéias faça um teste nela, veja se ainda é virgem, eu não estou pedindo, estou exigindo que faça isso, meu amigo. Ou sua filha vai sair daqui hoje em um saco preto. Você não vai querer entrar em guerra comigo agora. Passados alguns segundos, Miquéias acenou e pediu aos funcionários que levasse a filha ao quarto de cima, a garota foi aos berros e sua esposa tentava persuadi-lo a desistir, mas ele apenas a fez calar a boca e subiu as escadas. -Por que fez isso? Sua esposa que é sensível demais e não aceita algumas verdades. Eu apontei a arma diretamente em sua testa e cheguei perto dela. -Repita isso Engatilhei a arma e fiquei esperando. -Você vai pedir perdão a minha esposa de joelhos, ou seu marido também vai saber que você anda saindo às noites para visitar os soldados. A mulher pareceu quase desmaiar e eu a puxei, ela ajoelhou aos pés de Petrova e pediu perdão, logo em seguida Miquéias desceu as escadas e estava roxo de ódio, deu um tapa no rosto da esposa e acusou. -Você sabia, sua v***a mentirosa, sabia que ela fazia isso. Quem mais? Qual delas também andou se esfregando em homens como uma prostituta? A confusão começou e eu decidi jogar mais lenha ainda, eu só sairia daqui hoje depois que tudo estivesse do meu jeito. -Eu imagino que seja uma vergonha meu amigo -toquei no ombro de Miquéias- Mas eu indico que case sua filha com um dos mexicanos, eles estão nos dando trabalho e isso faria com que as coisas se ajeitassem. O que acham? Perguntei aos outros homens da classe alta das organizações e todos eles concordaram. A esposa de Miquéias implorou. -Por favor não, eles são uns primitivos, eles vão matar nossa filha assim que tiverem oportunidade. Miquéias acertou outro tapa em seu rosto e disse. -Entrarei em contato com ele, vou propor uma aliança. Obrigada por abrir meus olhos, James. Dei outro tapinha em seu ombro e lhe dei um sorriso falsamente amigável, peguei na mão de Petrova e sai dali, seguimos até o carro onde os seguranças estavam e entramos. Depois de alguns minutos na estrada ela me olhou. -Desculpe, acusei você de ter mandado ela até lá. Ela olhou para a janela novamente e eu fiquei em silêncio, depois de quase 30 minutos de viagem, chegamos em casa e fui direto ao meu quarto, tomar um banho e relaxar. Depois que tudo estava silencioso, fui até o bar que ficava ao lado da sala de estar, peguei uma garrafa de Uísque e enchi o copo, fiquei sentado em uma poltrona que ficava de frente para o vidro da casa, dava pra ver o lado de fora da propriedade. Depois de alguns minutos bebendo, ouvi uma voz baixa vinda atrás de mim. -James... Virei a cabeça e Petrova estava encostada na parede, me olhando, estava usando uma camisola branca de seda que vinha até as coxas, os b***s de seus s***s estavam empurrando o tecido da camisola. -Está sem sono? Perguntei e voltei a olhar para a parte de fora da casa, percebi que ela continuou no lugar e disse: -Sim, estou sem sono, mas eu gostaria de perguntar uma coisa. Virei a cabeça novamente e ela estava em pé, desencostada na parede. -Diga. Eu falei e dei o último gole no copo de uísque. -Você... Você conhecia aquela moça, ou ela estava mentindo? Levantei da poltrona devagar e caminhei até ela, percebi sua respiração acelerada e nervosa. -Conhecia, Nicholas não transou com ela, fui eu, algumas vezes, mas foi antes de casar com você. Respondi a verdade. Ela apenas acenou e abaixou a cabeça, foi se virando para ir embora e eu soltei. -Eu só dormi com uma mulher no primeiro dia que chegou, depois disso eu nunca mais fiz... Ela virou na minha direção rapidamente e ficou me avaliando por uns segundos, até que apenas disse. -Obrigada. Então ela se virou e foi embora para seu quarto, eu permaneci mais alguns segundos no bar, pensando sobre a vida, eu já fui como ela, odiava essa vida de máfia, mas eu era o único herdeiro e meu pai me moldou para ser igual a ele, violento e agressivo. Eu não queria bater em Petrova, queria que ela me respeitasse mesmo sem gostar de mim, mas ela podia querer coisas que eu talvez não pudesse dar, eu não sei como se dá amor e atenção. Eu sei lidar apenas com a organização, uma mulher não estava nos planos. Eu precisaria encontrar uma forma de lidar com ela e fazer esse casamento mais carregável pra mim e pra ela.
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