Petrova O’Connor
No dia seguinte eu estava ainda pensando nos acontecimentos da noite passada, a mulher me seguiu até o banheiro e disse coisas sobre James, sobre como ele é bom de cama e o quanto eles se davam bem. Aquilo me deixou arrasada, por que ele me levaria uma casa onde sua amante estava?
E aí depois disso ele desencadeou um inferno, fez toda aquela confusão, eu achei bem feito, nunca fui de me sentir feliz com as desgraças alheias mas elas duas mereceram. Pela primeira vez em nosso mês de casamento, eu desci mais cedo e sentei-me na cadeira ao lado da cadeira de James, poucos minutos depois ele chegou e se sentou.
Levantei meu olhar em sua direção e dei um sorriso pequeno. Ele não disse nada, apenas me olhou e disse.
-Bom dia, veio tomar café pela primeira vez....
Eu balancei a cabeça em concordância e disse
-Acha que seria uma boa, mas se quiser comer sozinho...
-Não, essa é sua, coma e aproveite.
Ele disse apenas isso e logo Marta chegou com a comida.
-Bom dia, Marta.
Eu sorri e ela me retribuiu, colocou a comida na mesa e depois saiu.
-Por que trata os empregados assim?
Ouvi ele perguntando.
-Porque eles trabalham pra nós, eles também tem suas famílias, eles merecem respeito e cuidados tanto quanto nós dois.
Eu apenas respondi. E era sincero, eu odiava injustiças e gostaria que todos estivessem confortáveis aqui.
-Faça como quiser.
Ele respondeu, comemos em silêncio e ele levantou da cadeira muito rápido.
-Estou saindo
Ele falou.
-Tudo bem, tenha um bom dia.
Eu falei e ele apenas acenou mas me olhou por alguns segundos, um olhar diferente, depois ele saiu e foi trabalhar, mais uma vez fiquei sozinha e sem ter o que fazer.
Tentei ajudar as mulheres na cozinha mas elas não aceitaram, tentei ajudar o jardineiro ele quase teve um infarto, ninguém deixava eu fazer nada. Isso me deixava sufocada, o terreno era tão grande e mesmo assim eu me sentia sufocada.
Lembrei de Deise e pensei que podíamos fazer alguma coisa, mas eu estava sem celular, não tinha o número dela e nem sabia onde ela morava. Fui até um dos seguranças e pedi que ligasse para meu marido, imediatamente ele ligou e entregou o telefone pra mim.
-Jason, o que houve ?
-Sou eu, bem... Petrova, sou eu, Petrova
Me embaralhei com as palavras e ele demorou um pouco a responder.
-Alguma problema?
Ele perguntou
-Não, nenhum... Eu só queria saber se você podia pedir a Deise que viesse aqui, eu estou sozinha e gostaria da companhia dela.
Ele passou um tempo sem responder e quando falou, parecia preocupado.
-Daise viajou, ela está na Itália resolvendo questões do casamento, você quer que eu peça alguém para trazê-la até a sede da organização?
-O quê? Você quer que eu vá até onde tem seus negócios?
Ele pigarreou.
-Bom, você disse que estava sozinha. Foi só uma ideia, se não quiser...
-Eu quero, eu quero sim.
-Ok, o motorista vai trazer você.
Ele desligou a ligação e eu fui até o quarto me vestir, eu tinha muitas roupas de frio e quase nenhuma roupa de verão, e aqui fazia calor. Eu vesti um vestido de mangas até os cotovelos, o vestido chegava até o meio das pernas. Calcei um tênis branco e prendi o cabelo, deixei duas mechas de cabelo soltas no rosto e fui até o carro.
O motorista me levou até o local, era um galpão enorme, parecia uma fábrica, quando eu entrei, me surpreendi. Era realmente uma fábrica, de bebidas alcoólicas, mas ele disse que seria a sede da organização.
Eles me guiaram até uma sala sozinha no terceiro andar da fábrica, eles abriram a porta e eu entrei, James estava lá dentro com alguns homens, ele levantou da mesa e anunciou.
-Senhores, essa é minha esposa, Petrova O’Connor.
Os homens me cumprimentaram e eu me sentei em um sofá do outro lado da sala, eles conversavam sobre dinheiro, drogas, territórios... Passou-se quase uma hora até que todos eles saíssem.
James ficou me olhando por um tempo até que disse:
-O que achou do lugar?
Eu olhei ao redor e falei:
-É enorme, mas você disse que era a sede da organização, aqui é uma fábrica- Eu falei, levantei do sofá e fiquei andando pela sala, vendo a decoração, os livros, parecia um escritório de um empresário, não de um mafioso.
-A polícia não pode saber, temos negócios legais e por isso escondemos a parte lucrativa da organização.
Eu concordei e tirei um livro da estante, era um livro de literatura inglesa. Eu comecei a folhear e sentei-me novamente no sofá.
-Se importa se eu ficar aqui e ler?
Eu perguntei, ele balançou a cabeça em negativa e voltou ao trabalho, vez ou outra alguém entrava na sala, mas eu estava tão concentrada no livro que não percebi uma moça entrar. Ela pareceu não me ver também.
-Bom dia, chefe, o dia hoje está agradável... Gostaria de alguma coisa? Talvez relaxar, meu horário já acabou.
Nessa hora eu levantei o olhar pra ela e James também, ele olhou pra mim e a mulher pareceu se dar conta que tinha mais alguém na sala.
-Marissa, essa é minha esposa Petrova. E não, não preciso de nada, nem hoje nem nunca mais. Pode ir embora.
A moça me olhou e abaixou a cabeça, saiu da sala igual um cachorrinho com o r**o entre as pernas.
Voltei minha atenção ao livro e James disse:
-Vamos, vamos pra casa.
Eu levantei e mostrei o livro.
-Posso levar?
Ele tirou meu livro da mão e guardou no lugar, me levou pra fora da sala e trancou, quando estávamos no carro ele disse:
-Vou mostrar uma coisa a você.
Fomos embora e só aí eu percebi que já era noite, eu passei o dia inteiro lendo o livro. Quando chegamos em casa James me guiou para outra parte da casa, abriu uma porta enorme e me puxou para dentro, acendeu as luzes e eu fiquei encantada.
-Uau... Aqui é tão grande
Era uma biblioteca, tinha tantos livros, era enorme, eu começou a saltitar em direção a todos os livros e James disse.
-O que estava lendo na sede hoje, é este aqui.
Ele caminhou até mim e me prendeu contra a prateleiras, levantou a mão e tirou o livro de lá, nós fizemos contato visual e ele estendeu o livro em minha direção, mas eu só conseguia olhar em seus olhos.
-Aqui está.
Ele quebrou o silêncio, eu peguei o livro e abri na mesma página que eu tinha lido na sede. Fui até uma poltrona que tinha no meio da sala e perguntei:
-Posso jantar aqui?
Ele balançou a cabeça em afirmação e saiu da biblioteca. Eu encontrei meu lugar favorito na casa, eu ainda tinha que conversar com ele sobre outros assuntos que eu queria, mas por hora estava feliz com a descoberta de um lugar onde eu poderia passar o tempo.