CAPÍTULO 21 VALÉRIA NARRANDO O som dos tiros ainda ecoava na minha cabeça. Cada explosão, cada rajada, cada grito… tudo misturado dentro de mim como se meu corpo ainda estivesse preso naquela van. Mas eu não tava mais. Eu tava livre. Ou pelo menos… era o que parecia. Encostei a cabeça no vidro da Blazer, sentindo o chacoalhar do carro nas curvas, o ronco do motor rasgando a rua como se nada mais importasse. A cidade lá fora passava embaçada pelos meus olhos molhados, mas eu via ele. Morte. Mãos firmes no volante, olhar fixo na estrada, maxilar travado. Ele parecia uma tempestade no meio do caos. Frio por fora… mas eu sabia que ali dentro tava queimando. — Cê... cê arriscou tudo por mim... — minha voz saiu fraca, quase sem força. Ele não respondeu de cara. Só apertou mais o volante

