CAPÍTULO 16 VALÉRIA NARRANDO Três dias. Três malditos dias naquele buraco frio, escuro e imundo. O tempo ali parecia não andar. As horas se arrastavam igual corrente presa no tornozelo. Eu já não sabia mais se era dia ou noite, se fazia sol ou chovia. Tudo era só concreto, cheiro de mofo, grito de mulher e silêncio demais. O colchão no canto da cela era fino, sujo e cheirava a urina seca. O travesseiro… nem tinha. Eu dormia encolhida, sentindo a coluna protestar cada vez que virava de lado. E mesmo quando o corpo cansava, a mente não deixava descansar. Pesadelos vinham e voltavam. Uns com o Daniel. Outros comigo sendo levada de novo pra aquela sala onde me algemavam até pra respirar. A comida… nem sei se dá pra chamar assim. Um arroz duro, feijão ralo, um pedaço de carne que mais pare

