CAPÍTULO 76 RENATA NARRANDO: O quarto parecia menor a cada segundo. O barulho dos tiros tinha cessado lá fora, mas o silêncio que ficou era muito mais pesado, sufocante. Só o som da televisão ainda ligada, passando desenho, quebrava a tensão dentro de casa. Ana Clara tava quietinha, agarrada à boneca dela, mas eu sabia que meu jeito nervoso acabava passando pra ela também. Eu não tirava os olhos da Valéria. Desde que o celular dela tocou, eu percebi que alguma coisa tinha mudado. O rosto dela ficou sério, pesado, e os olhos pareciam não saber onde parar. Era como se ela tivesse recebido um soco no estômago. — Quem era? — perguntei, baixinho, mas firme. Ela engoliu em seco, passou a mão no ferimento, tentando disfarçar. Não respondeu. Ficou só mexendo na camisa, ajeitando a barra como

