CAPÍTULO 32 VALÉRIA NARRANDO O cheiro da chapa, o barulho do óleo fritando, a rua viva… Tudo isso parecia tão simples pra qualquer um, mas pra mim… era quase surreal. Sentar naquela mesa, comer um lanche sem medo, sem nó na garganta, sem olhar pros lados esperando a próxima humilhação… era um pedaço de liberdade que eu nem lembrava mais como era. Terminei meu lanche devagar, aproveitando cada mordida, e me encostei na cadeira. Olhei pro Morte, que ainda tava com o copo de refri na mão, e percebi que ele me observava de canto, sem falar nada. Aquele silêncio dele dizia mais do que qualquer discurso bonito que alguém poderia fazer. Respirei fundo e deixei as palavras escaparem: — Eu não sei nem explicar o que eu tô sentindo… — falei baixo, olhando pra rua, como se estivesse falando mais

