CAPÍTULO 36 MORTE NARRANDO Acordei no veneno hoje, visão. O corre não espera, e no morro quem vacila dança. Desci pra cozinha e vi a Valeria ali, toda ajeitadinha, perfume doce invadindo o ambiente. Fingi que nem notei, mas por dentro eu ri olhando pra ela. — Bora? — falei, jogando a chave da XRE na mão, e ela levantou na hora, bolsa no ombro, pronta. A rua já tava viva, som estourando de um barraco, cheiro de churrasquinho no ar, molecada correndo, cachorro latindo… o morro nunca dorme. Montei na moto, liguei o motor que roncou alto e soltei: — Segura firme, Valéria. Desci o beco na manha, desviando dos buraco, cumprimentando uns vapor de canto de olho. Ela tava grudada em mim, segurando na lateral, e dava pra sentir a tensão na pegada dela. A mina ainda não acostumou com esse mundo

