CAPÍTULO 122 VALÉRIA NARRANDO Saí de casa ajeitando a bolsa no ombro e puxando a chave da moto do bolso. O sol já tava alto, queimando a pele, e o barulho do morro seguia no ritmo de sempre — rádio chiando, criança correndo descalça, o vai e vem de gente. Subi na moto, liguei o motor e senti aquele ronco conhecido vibrar no peito. Coloquei o capacete e parti morro acima. O vento batia forte no rosto, trazendo o cheiro da poeira misturado com comida feita nos bares da rua. A cada curva, os olhares me seguiam, alguns de curiosidade, outros de respeito, outros de pura maldade escondida. Mas eu já tava acostumada, acelerando firme até a minha casa, que ainda tava no meio da reforma. Quando cheguei, estacionei a moto no canto, desliguei e desci ajeitando a blusa no corpo. O barulho das marr

