Não tinha outro jeito, eu precisei me entregar a ele, precisei deixar acontecer, ser beijada mesmo sem nem mesmo saber como era um beijo, pois esse era meu primeiro. Queria disfarçar dele a minha inocência, mas não conseguir, ele sentiu que eu não sabia, ele me desmontou com seu beijo, com sua pegada forte.
Eu não conseguir resistir, me senti ferrada, aquele jogo de sedução, suas palavras de que me comprou de que eu não tinha outra saída, tudo isso me deixou sem saída e o pior de tudo, quando aquilo tudo acabou e ele me mandou ir, eu pensei que receberia pelo trabalho, mas o dono era um tirano, ele me deu apenas 1 mil reais e disse que eu precisava me contentar com isso, mas esse dinheiro era pouco diante da ameaça do Esquerdo, não sabia como faria para pagar. Não tinha como dançar para outros homens, somente para o Terror, pois ele ordenou assim e agora nem faxina posso realizar, tenho que ficar a disposição dele.
Cabisbaixa seguir para casa, hoje eu não tinha muito dinheiro a oferecer ao esquerdo e se eu trabalhasse apenas para pagar essa dívida, iria ficar sem ter o que comer, essa era a verdade. Tentei passar despercebida, mas para meu azar ele estava na entrada do morro, parecia me esperar.
— Está vindo de onde? — ele perguntou sorrindo.
— Eu… eu não preciso te falar sobre a minha vida — disse firme.
Ele me segurou com força pelo pescoço.
— Ainda não aprendeu? Estava no calçadão hoje? Cadê o meu dinheiro ou v***a? O tempo esta passando e eu quero a p***a do meu dinheiro. Prefere se prostituir ate que ficar só comigo? Se você aceitar ser minha mulher, eu esqueço essa p***a de divida — ele disse fazendo meu coração acelerar.
— Que divida! — a voz do Terror ao longe fez o tempo parar. Ele estava ali na nossa frente.
Meu rosto couro, lembrei do beijo, ele estava comigo e nem sabia que eu era a coelhinha ainda, ele não sabia de nada e se soubesse o que faria comigo?
— Quero saber, Esquerdo. Tem alguém devendo e eu ainda não sei? Responda, pois estou curioso para entender essa divida e o por que dela precisar ser sua mulher — ele perguntou curioso, eu me tremi.
— Chefe, o senhor entendeu errado. Isso é outra coisa, fala para ele Liana, que nós dois somos um casal e que…
— Mente muito m*l, ela tem medo no olhar, eu estou vendo aqui e isso me deixou muito curioso — ele disse se aproximando.
Sem forças para lutar contra o chefe, o Esquerdo se afastou de mim, ele me soltou. Terror se aproximou segurando meu rosto, olhando nos meus olhos.
— É verdade? Está devendo? É namorada dele? Não minta para mim — grunhiu.
— Eu… eu… eu não sou nada dele, senhor! Mas estou devendo muito dinheiro e preciso pagar se quiser ficar livre — confirmei ciente das consequências da minha atitude.
— Essa mulher é mentirosa, ela quer me queimar com você chefe, eu não estou cobrando ela, na verdade, o irmão dela deve 20 mil para o senhor e eu só queria saber onde ele estava por isso estou falando com ela e…
— Mentira, você quer que eu pague por essa dívida, eu estou sendo pressionada e se eu não pagar, tenho que ser sua — afirmei me tremendo.
— O que? Menor, quero os dois agora na boca, chamem o VP e o Coringa, vamos resolver esse b.o. agora! Achem o irmão dela também — rosnou e o meu corpo tremeu.
O que ele iria fazer? Iria matar o meu irmão ou a mim? Meu corpo tremeu, eu tinha feito merda, tinha que ter pago ou me entregue ao Esquerdo, pois envolver o homem mais perigoso do morro nisso iria destruir a minha vida e essa era a única justificativa naquele momento desesperador.
[…]
Tremendo me vir em um tribunal, de um lado Leonardo e a minha mãe, chorando, implorando desesperada por salvação, do outro o Esquerdo esperando para ver o que iria acontecer e que talvez isso não sobraria para ele por ser parte do Comando e no centro estava eu… Cansada disso tudo, sem saber o que fazer e como seria o meu final.
— Pelo visto esta acontecendo uma grande confusão no meu morro e eu nem estava sabendo. O Esquerdo chefe dos vapores deixou passar a p***a de uma divida de 20 mil reais em drogas para o noia e eu odeio dividas, por que essa divida passou? Quer que ela te pague? Quer usar o corpo dela para isso? — ele perguntou irônico. — Responde p***a! Eu quero o c*****o de uma resposta — ele vociferou.
— Chefe, eu estava cobrando, ele estava sumido e ela me pediu paciência, que daria um jeito…
— Isso é mentira! — levantei nervosa, me tremendo.
Ele se virou, caminhou e me olhou esperando a minha resposta.
— O que é mentira, garota? — perguntou atento.
— O que ele esta falando! Isso é mentira! Ele disse que o meu irmão devia 3 mil, eu me esforcei e paguei, mas ele começou a me ameaçar e dizer que era 20 mil, que eu tinha uma semana para pagar, eu conseguir 8 mil e agora ele afirma que o único jeito dessa divida ser esquecida é se eu… se eu me tornar sua mulher — confessei nervosa.
— Chefe, eu não fiz isso, essa mulher é mentirosa…
— Eu acredito nela, eu ouvi essa p***a! Ouvi quando você falou que queria que ela fosse a sua mulher, mas eu não aceito que moradores sejam coagidos. A divida é do irmão dela e ele vai pagar ou vai morrer e você, vai ser punido por coagir morador — ele falou frio.
— A divida é minha? Eu não tenho dinheiro, só tenho a Liana, ela pode pagar a divida, olha como ela é bonita, toda bobinha, ela é até virgem e…
— Leo, não fala sobre a minha vida desse jeito — o repreendi.
— Você tem como me pagar os 20 mil ou filho da p**a? Ta tentando vender a sua irmã? Eu não sou o Esquerdo, essa é a p***a da vontade dela? Matem ele, pois não tem como me pagar — ele disse frio.
— Não! Não matem meu filho, eu imploro por isso — declarou se tremendo a minha mãe.
— Não tenho piedade, quero que matem — vociferou e a minha mãe desmaiou.
— Por favor não o mate. Eu aceito, essa é a minha vontade! Eu pago a divida com meu corpo, eu faço isso se você não matar o meu irmão — afirmei chorando.
Ele parou olhando para mim com intensidade.
— Você quer? Essa a p***a da sua vontade, Liana? Eu não estou te obrigando, não estou colocando uma arma na p***a da sua cabeça. Essa dívida não é sua, mas se esse for o nosso acordo, eu aceito — ele afirmou como se essa fosse sua vontade desde o primeiro momento.
— Eu quero, esse é o meu desejo. Vou pagar a dívida do jeito que o senhor quiser — me ajoelhei submissa, com lagrimas nos olhos.
— Ok! Eu aceito! A divida é sua e você vai me pagar, entendeu? Seu irmão esta livre e você Esquerdo não ouse encostar nela, pois agora é minha propriedade e eu sou possessivo com o que é meu! Vá para casa, Liana. Eu vou te chamar na hora certa. Aguarde o meu chamado — ele afirmou me fazendo respirar mais aliviada.
Seria esse o meu fim? Sou propriedade dele 2 vezes, primeiro quando ele comprou a exclusividade da coelhinha e agora sendo Liana. Como eu vou manter essa farsa esse tempo todo? Sem que ele descubra que a coelhinha e a Liana são as mesmas pessoas.