~~CAPÍTULO 26~~
KEN
Eu olhava para o horizonte do mar, estamos na minha casa de praia em Huston, Nara achou conveniente que a Mahina tire alguns dias nesta casa para controlarmos como está indo seu estado espiritual. Ela disse que, sua rotina é muito cansativa, por esse motivo a melhor forma de relaxar e evitar uma recaída é passar alguns dias onde ela mais gosta.
Mahina adora o mar, quando soube que vamos passar final de semana aqui, ela ficou deslumbrada e muito feliz. Leva um tempo, para ela melhor completamente, estamos fazendo de tudo para que ela fique boa, sorridente o tempo todo. Para que seja uma menina radiante.
Toda nossa atenção é depositada nela, toda a nossa energia é nela, não há como negar que, Nara faz um óptimo trabalho cuidando dela diariamente. Atende aos seus pedidos e fazem praticamente todo juntas.
Enquanto elas tomam banho de sol, fiz algumas ligações, ficaria longe de casa por alguns dias, queria estar a par dos acontecimentos.
— Sentiu saudades?
Naruto disse em tom de deboche, como sempre.
— Cuspa.
Murmurei.
— Calma.
Ele disse sorrindo, olhei para o horizonte, elas ainda estão deitadas na área tomando banho de sol.
— Há uma informação circulando, não sei o quão, verídica ela é.
— Naruto..
— Mahina, ela esteve no território Yakuza recentemente.
Encerrei a chamada na cara dele, telefone chamou novamente, era Naruto, agora não.
— Mahina?
Chamei-a, meu telefone vibrou novamente.
— O quê?
— Ela é nossa irmã, não um soldado.
Disse Naruto lembrando-me.
— Chamou, irmão?
Mahina questiona, encerrei a chamada e olhei para ela.
— O que estava fazendo no território inimigo?
Eu questionei tentando ser menos rígido com ela, a minha maior preocupação é a sua segurança.
Aqueles filhos da mãe, deveriam me informar sobre este maldito súbito. Nossas famílias não são muito amigáveis com os Yakuza.
— Eu fui ver minha irmã, eu juro que não demorei, verifiquei se ela, estava bem e voltei.
— Nunca mais pise no território inimigo, nem em seus sonhos sem me informar.
— Claro, isso nunca mais voltará acontecer, eu sinto muito, irmão.
Acenei minha cabeça dispensando-a. Disquei o número no meu irmão retornando a chamada.
— Foi rápido.
Ele falou em tom provocativo.
— Termine de me atualizar.
Ela nadou através da água e olhou para o peixe que girava em torno dos nossos pés. Concentrada na beleza desse mundo, ela examinou tudo como se fosse uma pedra preciosa. Quando terminou, se aproximou de mim nadando e envolveu suas pernas em volta da minha cintura.
— A água está muito boa.
Seu cabelo molhado estava preso à sua pele e seus olhos manchados de maquiagem, mas isso a tornou ainda mais atraente.
— Está.
Nada poderia ser comparado às águas quentes do final de tarde. As pessoas viajavam de todo o mundo apenas para vê-lo.
Ela apertou o rosto contra o meu e me beijou, com nossos corpos flutuando nas ondas. Sua boca tinha gosto de sal, mas me deliciava com o sabor forte.
Ela estendeu a mão debaixo da água e puxou minha sunga para libertar meu pênis.
— Faça amor comigo.
Essas palavras me incomodaram. Eu já tinha feito isso uma vez e gostado, mas ainda era um obstáculo que eu tinha dificuldade em transpor.
Como água gelada, eu tinha que entrar devagar. Se não fosse necessário mantê-la ao meu lado, eu não faria isso de forma alguma. Eu não faria isso por ninguém.
— Aqui não.
Ela mordeu agressivamente meu lábio inferior, recusando-se a aceitar um "não" como resposta.
— Eu não quero que ninguém te veja.
Não me importava se alguém me visse. Mas não queria olhassem como transávamos na água. Ela era para o meu prazer, não para compartilhar.
Ela levantou minha sunga e me deu um beijo suave nos lábios.
— Então vamos.
Ficamos em silêncio durante a viagem de volta. Os olhos da Nara estavam colados na janela e nas colinas que estávamos deixando para trás.
Casas mais antigas do que a maioria dos museus espalhavam-se pelos campos à nossa volta. Suas paredes de pedra e janelas ornamentadas sugeriam sua história antiga. Numa parte mais alta da colina, podia ver castelos abandonados, fechados ao público um lembrete de quantos anos aquelas terras realmente tinham.
— Eu não quero voltar.
Olhei para Mahina da minha posição atrás do volante.
— Você prefere a praia a voltar para mansão?
Ambos eram lugares bonitos, mas preferia a mansão por estar perto do trabalho.
— Não. Eu simplesmente prefiro o outro você.
Nara respondeu.
O outro eu? Ela respondeu minha pergunta não feita.
— Eu gosto quando você se permite diminuir suas defesas. Quando revela quem você realmente é. Quando estamos na mansão, volta a ser um homem de negócios, taciturno e silencioso. Volta a fechar-se para mim, como sempre. E leva uma eternidade para te fazer se descontrair de novo.
Ela me observava com mais detalhes do que eu jamais imaginara.
— Você também é fechada perto de mim.
— Faço isso como retaliação.
Minha mão se estendeu para a dela, em seu colo.
— Sou quem sou. Ninguém vai mudar isso. Eu te dou o que você quer quando posso. Mas você não pode esperar que eu te dê tudo, o tempo todo.
Olhei de volta para a estrada e o silêncio encheu o espaço que se tornou hostil.
— Posso te perguntar uma coisa?
Continuei olhando para frente, mas observando seus movimentos com minha visão periférica. Quando não respondi, ela fez a pergunta.
— Você faz as coisas que eu gosto apenas pela troca?
Que outro motivo eu poderia ter?
— Sim.
— Então sem eles você não seria tão doce comigo?
— Não.
Eu não me importei de explodir seus sonhos. Desde o começo, deixei claro que ela era apenas minha escrava. Eu fazia coisas terríveis porque isso me empolgava. Nada mais.
— Porque eu gosto das coisas que você faz comigo... mesmo sem trocas.
Ela virou-se lentamente para mim com uma expressão dura e indecifrável. Minha mão permaneceu na dela.
— O que você quer dizer com isso?
Eu não sabia o sentido dessa conversa. Qual conclusão ela estava tentando alcançar.
—Só acho que você gosta das coisas que eu peço para você fazer ... mesmo que você não admita isso.
Soltei a mão dela imediatamente e dirigi-a para a direção. Não importava se ela analisasse cada um dos meus movimentos e cada uma das minhas palavras, ela não encontraria a resposta que estava procurando.
— Eu não sou do tipo romântico. Não faço amor. Só faço essas coisas pelo que você pode me dar. Eu os faço para que você continue em minha posse pelo maior tempo possível. Porque gosto de te machucar, gosto muito.
Como não era a resposta que queria ouvir, ela olhou pela janela novamente.
— Acho que você está se enganando.
— Não é assim.
— Bem, essa é a minha opinião. Sinto muito que você não concorde com ela.
— E eu sinto que você prefira acreditar em contos de fadas ao invés de aceitar a realidade. Pensei que você fosse mais esperta do que isso. Que você fosse mais forte que isso.
Na minha voz, a decepção que sentia era evidente. O que me atraiu inicialmente nela foi sua visão simples do mundo. Ela não estava convencida de que, as coisas fossem melhores do que realmente eram, apenas para fazê-la se sentir melhor, aceitava o mundo como era: frio e c***l.
— Mas você ainda é importante para mim. Me importo com você. É isso que estou tentando dizer.
Descansei meu braço na janela e desejei que o tempo passasse. Queria chegar em casa para poder me afastar dela e aproveitar minha solidão.
Aquela mulher me tocou de maneiras que não gostei. Me observava quando eu não estava prestando atenção, e me fez pensar em coisas que nunca teriam passado pela minha cabeça.
Não gostei nada disso.
— Sobre o que é essa conversa?
Ontem estávamos perfeitamente bem, antes de tudo mudar.
— Você quer que eu te machuque.
— E?
Ela balançou a cabeça.
— Tanto faz.
— Diga-me.
Não levantei o meu tom, mas minha autoridade ecoou dentro do carro.
— Há uma parte de mim que quer te machucar.
Agarrei o volante com mais força, fazendo minhas juntas ficarem pálidas.
— Não porque queira isso. Mas porque quero dar o que você deseja. Como eu poderia racionalizar tal ação? Nunca senti desejo de machucar ninguém. Mas com você ... considero fazer coisas que eu normalmente nunca consideraria.
Um arrepio percorreu minha espinha com o pensamento.
— Isso não faz de você uma pessoa má.
Nara disse.
Mas isso me faz uma pessoa que não está bem da cabeça.
— E o quê? Somos todos um pouco malucos.
Ela olhou pela janela, encerrando a conversa.
— Nara.
Ela se recusou a olhar para mim.
— Nada aconteceu...
— Eu não vou te machucar, e você não vai mudar minha opinião.
Ela lutou contra si mesma porque achava que estava fazendo a coisa certa. Apesar do que ela havia sofrido, ainda estava lutando por uma existência respeitável e honesta. Ela foi capaz de descer ao abismo, mas apenas como uma visitante.
Uma vez que se tornasse parte dele, uma moradora, seus sentimentos mudariam. E eu estaria preparado quando essa hora chegasse.