~~CAPÍTULO 32~~
KEN
Dois meses depois
Eu ficava horas olhando para o teto. As sombras deslizavam pelas paredes enquanto ia anoitecendo. Às vezes tinham formas. Uma parecia uma nuvem inofensiva atravessando o céu claro ou uma borboleta.
Aquela era a que mais tempo contemplei, tentando descobrir se era real ou se só queria que fosse. Marcavam-se quatro pequenos orifícios no teto e a superfície arredondada fazia que parecesse exatamente um botão.
Dói olhar para aquilo. Num piscar de olhos, o sol começou a brilhar no horizonte, enchendo o meu quarto de tons suaves. Eu dormia num lado da cama, porque tinha me acostumado a compartilhá-la com alguém. Nara.
Eu me levantei da cama quando percebi que não tinha mais sentido ficar deitado lá. Tomei banho e me preparei para ir trabalhar. Tinha o cérebro morto de exaustão e me esforçava para pensar com clareza. O sonho era um luxo desconhecido para mim. Não conseguia dormir desde que ela partiu.
Entrei em meu escritório e acendi o fogo da lareira. Não desci para tomar café da manhã como tinha por costume. Meu apetite já não era o mesmo.
O resto continuava dentro do frasco que estava no seu antigo quarto. Não tinha tocado neles. Fiquei olhando aquele botão especial que tinha na mão. Tinha uma borda dourada por fora e uma pérola incrustada no centro. Não me escapava aquela ironia. Era um símbolo dela em todos os sentidos imagináveis. Era como se aquele botão tivesse sido feito para ela.
― Senhor?
Elisa entrou no escritório com uma mão nas costas.
― Vai tomar café da manhã aqui hoje?
― Nada além do café.
― Claro.
Elisa saiu do escritório. Ela não tinha perguntado por Nara desde que ela tinha ido embora. Ela sabia que ela tinha ido embora e que não iria voltar. Aquela era toda a informação que ela precisava.
Mahina estava ocupada com seus estudos e passava muito tempo fora. Agora essa casa estava vazia mais uma vez. Com exceção das sombras. Peguei meu telefone e verifiquei o sinal que continuava sendo emitido pelo chip em seu tornozelo. Eu o verificava todos os dias para saber onde ela estava. Era só uma questão de tempo até ela contratar um cirurgião para remover o dispositivo.
Naquele momento, eu a perderia para sempre.
Abri o aplicativo no meu celular e vi o pequeno ponto vermelho no mapa. Ela estava dentro de um prédio em Texas, Huston. O pontinho não se movia, então provavelmente ela estava fazendo algo lá. Hayato, ele está cuidando da segurança dela, desde que ela foi embora, nunca conversei com ele.
Ele deve saber o que aquela mulher tem feito.
Será que ela conheceu alguém?
A ideia de ela t*****r com outra pessoa estava me deixando doido. Outras mãos acariciando sua pele suave e outros lábios beijando aquela boca doce. Suas pernas abrindo-se para que um homem a tomasse bruscamente na borda da cama. Aquelas imagens me atormentavam. Senti-me tão m*l que já nem queria o café. Mas não tinha o direito de me sentir assim.
Ela já não era minha.
E eu nunca tinha sido dela.
QUANDO VOLTEI DO TRABALHO, encontrei minha irmã sentada sobre o assento enquanto bebia cerveja. Ela estava toda arrumada e sorridente com aquele celular na mão.
— Boa noite, irmão.
Mahina disse presa no seu telefone enquanto belisca alguns pedaços de carne em seu prato. Ela está bebendo e comendo, porem a minha maior preocupação é que ela não está vestindo seu pijama habitual, ela está usando shorts curtos, um top exibindo sua barriga e de sapatilhas.
— Mulheres não devem beber cerveja.
Comentei.
Acomodei-me no assento ao seu lado.
— Boa noite senhor, deseja seu jantar agora?
Elisa questionou.
— Boa noite Elisa, por favor, e traga algo para ela comer.
— Sim senhor.
— Porque não, irmão?
— Porque mulheres são delicadas, devem beber um bom vinho ou champanhe, frequentar lugares dignos delas e vestir melhor roupas.
Suspirei. Olhei para seu visual extravagante, ela me olhou notando ao quanto desaprovo seus modos.
— Estamos falando de mim ou da Nara?
— Ela não está aqui.
— Ela está bem.
Ela disse com cuidado, suspirei fundo, nós não vamos ter essa conversa.
— Feliz, deslumbrante e trabalhando.
As mulheres possuem um poder de desfilar seu veneno de uma forma elegante e irritante.
— Termine de falar princesa.
— Se vai ficar nervoso comigo, vai jantar sozinho.
Levantei o olhar mais irritado, mulheres.
— O que fará quando ela mandar um advogado com pedido do divórcio? Irmão, eu gosto dela, procure-a, antes que ela encontre outro homem muito melhor que você.
— Ela não fará isso.
— Não? Antes não existia divórcio na máfia, agora, ela não está aqui.
Maldição.
— Desculpa o atraso, Mahina estou pronto.
Mahina desceu do seu assento e seguiu seu irmão Naruto, em passos largos os segui até o estacionamento. Aonde eles estão indo com ela vestida desse jeito?
— Aonde vão?
— Assistir corridas de carros.
Merda.
— Se você colocar essa menina dentro de um daqueles carros eu mato você.
— Vá cuidar da sua mulher, ups, você deixou-a ir.
Filhos da mãe.
Eles entraram no carro esportivo do meu irmão e desapareceram.
~~CAPÍTULO 33~~
NARA
Apesar do fato de ter um apartamento luxuoso na melhor localização da cidade, me sentia sozinha. Naquela mansão me sentia segura. Era como estar em casa. Eu ia dormir todas as noites sabendo que meu lugar era aquele. Ken me fazia sentir como uma pessoa e não como um objeto.
Mostrou-me mais generosidade do que qualquer outra pessoa alguma vez teve comigo. Na sua situação, podia ter feito tudo o que quisesse comigo sem ter tido repercussões, mas não o tinha feito. Sempre me deu a capacidade de opinar e de escolher.
Mas agora, aquilo tinha desaparecido. Não me parecia a mesma pessoa. Aqui era tranquilo, a vizinhança é acolhedora e muito simpática, mas não era a mansão, não cheirava a pão fresco e flores do jardim.
Diferente do centro da cidade, tudo o que via eram outdoors com anúncios de pessoas semi-nuas. As pessoas caminhavam pelas suas ruas dia sim e dia não, sem se dar conta da sorte que tinham. Era repugnante. Assim que fechei os olhos, vi o rosto de Ken.
Ainda tinha o dispositivo de rastreamento no tornozelo, onde ele o tinha implantado. Ele não tinha me procurado, então acho que ele me deixou partir. Eu estava livre, finalmente.
Devia odiá-lo por tudo o que tinha me feito, mas não era assim. Quando pensava nele, ainda guardava respeito e saudade no coração. Quando ainda estávamos juntos, tinha-lhe confessado que de alguma forma, tinha me apaixonado por ele. E aquilo foi a coisa mais estúpida que fiz em toda a minha vida.
Ken me rejeitou, friamente. Então fechei as portas do meu coração e joguei a chave fora. Decidi que o que aconteceu comigo era que eu tinha adquirido a síndrome de Estocolmo, porque ele me deu uma casa e cuidou de mim.
Isso me fez sentir valorizada e segura já que estava com medo e sozinha, e tinha me agarrado a ele. Eu tinha esquecido tudo isso, porque ele fez eu me sentir amada. Que i****a eu tinha sido. Queria continuar chorando, mas sabia que já tinha chorado o suficiente. Então me permitir ter um tempo para me sentir miserável antes de terminar tudo isso e recarregar minhas baterias. Muitas coisas aconteceram comigo durante o último ano, mas isso não significava que não poderia reconstruir minha vida.
Eu poderia começar de novo.
Entrei no meu apartamento e joguei a bolsa no balcão. Passei o fim de semana trabalhando. Normalmente usava jeans e camiseta, calcei sapatilhas antes de abrir a geladeira e tentar encontrar algo para preparar o almoço. Mas como esperava, não havia nada, não me lembrava da última vez que tinha ido às compras. Eu peguei a bolsa do balcão e notei algo estranho ao lado dela. Havia dois anéis. Fiquei em guarda. De onde haviam saído? Tinha-os trazido da casa do Ken e haviam caído? Mas como haviam terminado sobre a bancada? Meu sangue congelou nas veias. Só havia uma explicação possível.
Ken?
NARA
Depois do trabalho voltei ao meu apartamento. Tinha as chaves na mão, mas não as coloquei na fechadura. Meu coração me avisou o que estava do outro lado, de alguma forma, eu era capaz de senti-lo através da porta. Eu sabia que ele estava lá. Fiquei no corredor e acalmei meus nervos antes de colocar a chave na fechadura. Não tinha ideia do que ele queria, mas não me importava.
Ele diria o que tivesse a dizer e depois desapareceria. A menos que ele estivesse lá para me capturar de novo. Quando minha chave girou na fechadura, percebi que a porta já estava aberta. Meu coração começou acelerar a toda velocidade.
Virei a maçaneta e entrei, com as chaves ainda na mão, pronta para usá-las como arma. As luzes estavam apagadas e o apartamento estava escuro. As luzes da rua entravam pela pequena janela da sala de estar. Acendi a luz da cozinha para não ficar cega.
Vislumbrei a sombra de um homem na sala de estar. Podia ver seus ombros fortes e sua enorme constituição, sentado na cadeira que havia em frente à televisão. Tinha as pontas dos dedos sobre os lábios e não se mexia. Nem sequer se voltou para mim. Não precisava vê-lo para reconhecê-lo. O meu coração estava acelerado e o meu peito se comprimia com a necessidade de respirar. Estava nervosa e assustada, assustada pelo homem que pensei nunca mais ver. Mas senti a excitação familiar entre as pernas. Bastava tê-lo na mesma sala que eu e imediatamente minhas calcinhas ficavam molhadas.
Eu odiava aquele cara.
― Invasão domiciliar é crime, sabe?
Ele nem se importou. Fiquei ao lado do balcão, recusando-me a me aproximar dele. Ele tinha entrado no meu apartamento com a intenção de me pegar desprevenida. Queria controlar a situação, me controlar.
Mas eu não ia deixar.
― Posso te ajudar em alguma coisa?
Ele se levantou lentamente e emergiu das sombras. Com jeans escuros e uma camiseta preta, saiu à luz. Tinha a barba do dia anterior crescida e seu intenso olhar encerrava mais raiva do que eu já tinha visto.
Tinha um aspecto aterrador, mas também dolorosamente atraente. Não havia mudado nos meses passados. Tinha o cabelo igualmente comprido e seu físico era o mesmo.
A única coisa que parecia diferente era a sua loucura. Parecia estar fora de si.
Eu me recusei a admitir que estava assustada. A situação era grave e perigosa. Suas intenções não ficavam claras, mas não deviam ser muito agradáveis.
Eu não cedi terreno, abrindo a gaveta que tinha ao lado, então peguei uma faca de carne que tinha dentro e a segurei contra o balcão.
Ele a olhou antes de me dirigir um olhar assassino.
― Solte-a.
― Não.
Mantive meu punho bem apertado. Ele deu um passo em minha direção.
― Largue-a ou verá o que vai acontece se não o fizer.
Esticou as mãos para o balcão que havia entre nós e agarrou-se à borda. Eu não queria ceder, mas sabia que já tinha perdido aquela batalha. Deixei-a cair na pia, o que fez um forte ruído ao ricochetear contra o aço inoxidável.
Quando a faca deixou de se mover, o silêncio voltou ao apartamento. Só se ouvia o barulho distante do tráfego da rua.
― O que você quer?
Ele me olhou nos olhos. Eu não desviei o olhar e tampouco cedi ao medo. Tinha passado quase um ano de minha vida com aquele homem, mas ainda me assustava. Haviam passado mais de dois meses e não tinha notícias dele. Então, por que tinha vindo agora?
― Eu te fiz uma pergunta.
Ele tirou as mãos da borda do balcão e o contornou. Eu dirigi-me para o extremo oposto, mantendo a bancada entre nós.
― Não me toque.
Sibilei.
― Então não fuja de mim.
E voltou a cercar a bancada, desta vez mais depressa. Eu saí correndo para o quarto e fechei a porta com mãos tremulas. A adrenalina percorria todo o meu corpo e não conseguia parar de tremer. Consegui fechar o trinco quando ele agarrou a maçaneta. Recuei e envolvi a cintura com os braços. Sentia como o pânico se apoderava de mim e não conseguia controlar minha respiração.
Houve silêncio do outro lado da porta.
Ele tinha ido embora?
Um forte golpe ecoou pelo apartamento quando derrubou a porta com o ombro. De um só movimento, quebrou o trinco e fez que a porta girasse sobre suas dobradiças com força. Eu não tinha escapatória. Apertou os punhos enquanto caminhava até mim, com a mesma expressão de raiva no rosto.
― Não me toque.
Ele me jogou sobre a cama, prendendo minhas mãos acima da cabeça e imobilizando meu corpo contra o colchão com seu peso e usou a mão livre para me agarrar pelo quadril.
― Me deixe em paz.
― Não.
Seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Ele me olhava com uma expressão inabalável. Olhou-me os lábios antes de voltar para meus olhos.
― Eu fui embora há dois meses e você não deu a mínima. Não tentou me ligar. Simplesmente me deixou ir. Reconstruí a minha vida e não vou deixar que um i****a como você me f**a.
― Há um m*l-entendido entre nós.
― Não. O que acontece é que você é um i****a.
Ele afundou ainda mais as mãos no colchão e aproximou mais seu rosto ao meu. O meu corpo reagiu imediatamente ao seu, não recuando, mas ficando tenso. Sentia sua respiração sobre minha pele e seu hálito ainda cheirava a vinho. Usava a mesma colônia e seus lábios seguiam sendo feitos para beijar.
― Eu te dei um descanso. Há uma diferença.
― Um descanso?
― Você ainda é minha esposa, está em divida comigo
― Não te devo nada.
― Lamento discordar.
Moveu a mão para os meus jeans e desabotoou-os.
― Ainda é minha esposa.
― Vai se f***r, Ken.
Ele puxou o zíper das minhas calças e tirou-as pelas minhas pernas.
― Você está prestes a fazê-lo.
As minhas coxas tremiam de ansiedade e a minha b****a ficou molhada. Não sabia qual era o meu problema. Aquele homem me aterrorizava e era um maníaco total, mas ainda assim meu corpo o desejava.
― Não vou fazer nada. Não te devo nada.
Ele tirou as próprias calças e chutou-as para longe. Enfiou dois dedos entre minha calcinha e enterrou-os imediatamente dentro de mim. A minha umidade espalhava-se sobre ela.
― Você ainda fica molhada por mim, Nara.
Parei de olhá-lo nos olhos pela primeira vez, humilhada. Ele colocou-se entre as minhas pernas. Eu ainda tinha as mãos amarradas acima da cabeça e estava indefesa ante o que queria me fazer.
― Você é minha. Minha!
Ele colocou a cabeça do seu p*u contra a a******a da minha b****a. Apesar do que o meu corpo queria, eu não desejava que acontecesse aquilo. Passei os últimos dois meses tentando arrumar minha vida. Por fim, tinha começado a pensar menos nele e olhar para o futuro. Se voltasse a me meter em tudo aquilo, me perderia para sempre.
― Não, Ken.
Ele introduziu a ponta em mim. Deitei a cabeça para trás pelo prazer que sentia. Mas continuava sem querer fazê-lo.
― Eu disse que não.
Aquilo também não o deteve. Tentei pensar na palavra de segurança, mas tinha ficado em branco. Finalmente consegui recordá-la.
― Fogo.