quero-a de volta

2145 Words
~~CAPÍTULO 35~~ NARA Ken terminou de beber o vinho antes de atravessar a sala de estar e parar à minha frente. Tinha os olhos enevoados de desejo e queria pôr mãos à obra sem perder mais tempo. Sua mão deslizou pela minha cintura e me atraiu contra seu peito. Posou sua testa na minha e fechou os olhos. Depois, apenas me abraçou. Aquele contato inocente era inesperado, e eu também fechei os olhos para desfrutar dele. Suas mãos me seguravam firmemente, mas não o suficiente para me soltar, se quisesse. Sua respiração era profunda e regular e parecia ter alcançado um momento de paz. ― Senti saudades suas, Nara. Lembrei a última vez que tínhamos feito amor em sua cama. Ele entrava e saía de dentro de mim, dava-me beijos apaixonados que me provocavam calafrios na coluna. Naquele momento, me conquistou. De tal maneira que nunca conseguiria superá-lo. A emoção me embargou a garganta, mas me neguei a responder-lhe. Tinha confessado meus sentimentos uma vez, e ele tinha se afastado de mim. Nosso relacionamento nunca mais tinha sido o mesmo. Ele me via como uma escrava, um item de sua propriedade. Quando não me ouviu dizer o mesmo, abriu os olhos e olhou para mim. Buscava uma resposta em minha expressão, mas não conseguiu encontrar nenhuma. Tinha baixado minhas defesas quando não deveria ter feito, e só tinha conseguido que me partissem o coração. Recusava-me a permitir que algo assim acontecesse. Os dedos de Ken deslizaram pela minha bochecha, sentindo minha pele macia antes de espalmar a mão no meu rosto. Inclinando-se para mim, acariciou meus lábios com os seus, provocando-me. Nossos lábios não se juntando totalmente, apenas se tocando levemente. Depois me beijou, fechando um punho em volta do meu cabelo, enquanto cobria a minha boca com a dele. E então senti. Senti o calor abrasador e o intenso desejo. O meu corpo reviver, como sempre fazia quando seus lábios pousavam sobre mim. Sentia-me ao mesmo tempo viva e morta, existindo numa dimensão diferente que ninguém mais poderia entender. Nada se compara aos beijos dele. Inclinou minha cabeça para trás puxando-me o cabelo, para ter melhor acesso à minha boca. Sugou-me o lábio inferior lentamente antes de enfiar sua língua na minha boca. Deixou escapar um suave gemido enquanto a paixão ardia entre nós. Eu também estava gemendo. Sua outra mão me apertava a cintura, me reclamando para si uma vez mais. Esticou os dedos até roçar a parte superior do meu traseiro e o apertou com firmeza, atraindo-me mais perto dele. Ele devorou-me a boca com os lábios com sabor de vinho e guiou-me para o quarto. Tinha uma ereção que senti pressionada contra meu estômago. Eu sabia exatamente quais sensações acordaria quando estivesse dentro de mim. Jamais esqueceria aquele delicioso estiramento que me fazia tocar as estrelas. Ele me empurrou para a cama e tirou a camisa. Seu corpo era exatamente como me lembrava. Flexível e tonificado, com músculos longos e marcados. Sua pele parecia esculpida em pedra, e seus quadris estreitos desembocavam em um estômago mais duro que cimento. Era perfeito. Abriu meu jeans e abaixou-os pelas pernas, sem pressa. Depois de deixá-los no chão, ajoelhou-se na beira da cama e beijou-me o interior das coxas. Nesse momento já tinha me esquecido que o odiava. Inclinei a cabeça para trás e agarrei-me aos lençóis ao sentir a sua boca deslizar para o ponto de ligação entre as minhas coxas. Mas depois percebi exatamente o que estava fazendo e porque tinha de parar. ― Fogo! Ken afastou as mãos imediatamente e se pôs de pé. Retrocedeu um passo, dando-me espaço de sobra. Se não tivesse pronunciado a palavra de segurança, teria me pressionado até me romper. Nada poderia impedi-lo que fizesse o que queria. Mas uma vez pronunciada a palavra, levava-a a sério. ― O que houve? Sentei-me e juntei as coxas. Estava meio nua e me sentia terrivelmente culpada. As veias do pescoço de Ken se enrijeceram. Ele inclinou a cabeça, irritado, com a respiração agitada, cheio de agressividade acumulada. Os meus lábios ainda desejavam ardentemente os seus. Queria que aquele beijo continuasse toda a noite e também na manhã seguinte. Aquele era justamente o tipo de afeto e atenção que eu ansiava. Sentia falta do calor abrasador do seu corpo, porque me mantinha aquecida à noite. Sentia falta de passar a perna ao redor da sua cintura como apoio. Sentia falta de tudo. ― Tenho uma pergunta para você. ― Está bem ― Você dormiu com ele? Aquela conclusão me doeu. ― Claro que não. Você não tem o direito de ter ciúmes. Se você tivesse dormido com alguém, eu não teria me incomodado. Ele fechou os olhos, com o rosto contorcido por uma careta. ― Nem sequer um pouquinho? ― Não. ― Nem mesmo depois de tudo que passamos juntos? Você não se importaria? Virei a cabeça e o examinei com novos olhos. ― Eu disse que te amava. A emoção se mostrou em minha voz sem avisar. Senti as palavras me queimarem enquanto saiam. Os meus olhos se encheram de lágrimas vindas do nada, e voltei a sentir aquela dor insuportável mais uma vez. ― E você disse que não sentia o mesmo. Foi então que percebi que você nunca seria meu. Entendi também a verdadeira natureza da nossa relação. Então não, Ken. Não me importaria se você dormisse com alguém. ― Jante comigo. Ele se aproximou de mim por trás e apertou o peito contra minhas costas. ― Há um lugar muito bonito no final do quarteirão. Ao senti-lo colado a mim, minha respiração se alterou. Cada vez que ele inspirava, seu peito se expandia contra mim. Comecei a contar o número de vezes que respirava. Costumava fazer o mesmo quando estava dormindo. Contemplava seu belo rosto e contava as batidas de seu coração. ― Tudo bem. Ele passou um braço pela minha cintura e me deu um beijo na nuca. ― Tenho uma coisa para você. Ken tirou o colar que havia comprado hoje cedo na loja, eu havia ficado furiosa quando soube que compraria uma joia feminina, ele jurou de pés juntos que não tinha ninguém, — Eu comprei para você. Ele sussurrou contra o meu pescoço, Ken traçou uma linha reta de beijos no pescoço, eu adorava como seus beijos era suave ao mesmo tempo sedutores. — Obrigada. — Perfeição. Sua boca esmagou a minha, em seguida ele afastou-se. — Troque de roupas, estamos indo jantar. Ken pediu vinho e comida antes de entregar as cartas. Usava um terno preto com uma gravata azul marinho. A cor de sua gravata sempre contrastava contra o resto de sua roupa, em tons escuros. Era sua característica, o que o fazia se destacar ainda mais. Não acreditei que estava sentada na frente dele. Passar meses sem uma única conversa era muito tempo. Viver na bela residência de Ken sem nenhuma preocupação com o mundo tinha sido a experiência mais libertadora da minha vida. Apaixonar-me por um homem que tinha me recomposto depois de terem me partido era a única coisa que tinha me feito seguir em frente. Sem ele, estaria fodida para o resto da minha vida. Mas nunca admitiria aquilo diante de Ken. A fraqueza não era meu ponto forte, e era um aspecto de mim mesma que raramente deixava a mostra. Da última vez que deixei isso acontecer, Ken partiu meu coração. Abri-me completamente com ele e disse-lhe palavras que desejava poder retirar. Foi um dos momentos mais humilhantes da minha vida. ― Esta noite você está linda. Me olhava com aquele olhar, ao mesmo tempo intenso e gélido. Nunca interrompia o contato visual e me contemplava com tanto interesse como hostilidade. Era sua maneira de intimidar… e sempre funcionava. ― Obrigada. Eu não devolvi o elogio porque ele já sabia que era atraente… demais. E também sabia a quão atraída eu me sentia por ele. ― Como está Elisa? ― Está bem. Sente sua falta. ― Ela disse isso? Aquele doce homem sempre tinha cuidado de mim, e tinha feito isso com um sorriso. Tinha se tornado uma parte essencial da minha vida, pois passamos todo o tempo juntos. ― Não exatamente com essas palavras. Mas sim. ― Bem… Eu também sinto falta dela. Sentia falta de tudo daquele lugar. Era uma joia mágica no meio do nada. A comida era sempre perfeita, embora nada se pudesse comparar com a companhia de Ken Mastsumato. ― Como está o seu trabalho? ― Meu negócio continua o mesmo. A remessa que fizemos na segunda-feira passada foi um sucesso. Fez girar o seu vinho antes de dar um gole. ― Por que não entrou em contato comigo? ― Presumi que você não quisesse. ― Mas depois aparece assim que começo a ver alguém. Sua expressão não mudou. Continuava tão fria e estoica como antes. ― Nos últimos meses, eu me senti perdido. Quando vou dormir, ainda deito do lado esquerdo da cama, mesmo que você não esteja lá. Eu parei de comer na sala de jantar porque você não se sentava mais na minha frente. Não entrei no seu quarto desde que você partiu. Quando vou trabalhar, não consigo me concentrar. Eu continuo dizendo a mim mesmo que esses sentimentos vão passar. Mas eles não passam. Contive o fôlego, bebendo cada palavra. Aquela era uma confissão que eu não esperava escutar. Realmente sentia algo por mim, fosse o que fosse. Minha ausência não havia lhe sido indiferente. O tempo que havíamos passado separados foi tão duro para ele como para mim. ― Mahina me disse algo em que não pude deixar de pensar. Então fiquei obcecado verificando suas coordenadas do GPS. Baseado nos seus movimentos, descobri a sua rotina. Fiquei curiosa sobre o que Mahina disse, mas não tive coragem de perguntar. ― Eu admito que a maneira que entrei na sua vida não foi das melhores. Se você tivesse me dado um tiro, eu não teria te culpado por isso. Mas é que eu estava muito irritado. ― Como eu estava quando te vi beijando Jasmim. Ao olhar pela janela tinha os visto se beijando no jardim. Então uma fúria incomum apoderou-se de mim. Nunca havia me sentido tão desolada. A traição me doeu profundamente. ― Ela me beijou. Corrigiu. ― E sim, foi exatamente assim que me senti. ― Parece que estamos quites. ― Não. A tensão encheu o espaço que nos separava, flutuando no ar. Eu nunca tinha sentido ciúmes antes. Dei um longo gole para esconder a raiva. ― Por que você não dormiu com ninguém? Dois meses é muito tempo… Ken era um homem com necessidades muito concretas. Se não libertasse os seus impulsos obscuros, eles o consumiriam. Deu voltas no líquido do copo, mas não o levou aos lábios, pousou-o junto à água. Ao levantar o olhar para mim, não consegui decifrar seu significado. Não parecia zangado, nem tampouco incomodado pela pergunta. ― Eu não queria. Esperei que se explicasse melhor, porque aquela não era resposta suficiente. Seus lábios permaneceram comprimidos, recusando-se a falar. ― Você não queria? Eu não acreditava nisso nem por um segundo. Talvez ele tivesse realmente sentido minha falta, mas o sexo não era algo emocional no seu caso. Era simplesmente um alívio. Para isso podia usar qualquer mulher, não só a mim. ― Não, eu não queria. Os meus olhos se estreitaram. ― É só isso que tem a dizer? ― Por que é tão difícil acreditar? ― Talvez porque Jasmim se apressaria para realizar qualquer um de seus desejos assim que você pedisse. Tinha a certeza que ela não teria demorado a descobrir que eu tinha partido e tentaria ir para a cama dele rapidamente. Por que ele se recusaria, se eu não estava lá? ― Você sabe o tipo de mulher que eu gosto. Inteligente, forte e orgulhosa. Ela não é nenhuma dessas coisas. ― Mas antes de mim você dormia com ela. ― Isso foi antes dos meus gostos mudarem. Ele me deu um olhar cheio de sentido. ― Então, por que não procurou outra com esses traços? Ele deixou a mão sobre a mesa e seus finos dedos golpearam suavemente a toalha. ― Como eu disse, eu não queria. Fechei os olhos, exausta. ― Você deixou bem claro que nunca seria meu. ― Assim foi. Tudo o que me dizia contradizia o que havia dito no passado. Estava ficando com dor de cabeça com toda aquela contradição. ― Mas agora você é. A frustração me abandonou e o estômago ficou tenso com a resposta. Meus olhos procuraram automaticamente seu rosto, tentando detectar se ele estava mentindo. Tinha dito realmente aquilo ou eu tinha imaginado? Pousou os braços sobre a mesa e inclinou-se para frente. Falou em voz baixa, para que ninguém mais pudesse ouvir nossa conversa. Me deu uma olhada fixa, mas também terna. ― E quero que volte a ser minha.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD