estou bem

1147 Words
DOIS DIAS SE PASSARAM E ELA AINDA NÃO TINHA ACORDADO. Tomei banho em seu quarto e comi o que a enfermeira me trouxe. Não saí do lado dela porque estava com muito medo. Se eu não estivesse lá para protegê-la, estaria sozinha e vulnerável. — Bom dia irmão, como ela está? — Mahina, o que faz aqui? Ela não deveria vê-la no estado em que se encontra, uma recaída é a última coisa que precisamos. — Meu Deus, o que fizeram com ela? — Me ouça, volte para casa. — Eu quero cuidar dela. — Mahina? Aqui não, volte para casa. — Está bem, ligue se precisar de algo. Assenti. Ela precisa ir, estamos vulneráveis sem nenhuma segurança aqui dentro do hospital. — Achei a localização actual do papai. Goru informou. — Bom, vá dar-lhe a mesma sura que ele deu na minha mulher. — Irmão, ele... — É uma ordem direta do seu chefe, não irmão, faça, ou mando Naruto fazer. — Ela vai ficar bem? Quando não respondi a sua pergunta, ele entendeu que está na hora dele partir. Não dormi, porque fechar os olhos era muito difícil para mim. Eu temia que ela precisasse de alguma coisa. E se acordasse, e eu não estivesse acordado para consolá-la? Além disso, sabia que os pesadelos me atacariam quando fechasse os olhos. — Nara, continue lutando. Estava segurando sua mão, como sempre, desejando que ela sentisse o calor da minha pele contra seus dedos gelados. - Você vai sair disso. Eu sei que vai conseguir. Fazia quatro dias desde que ela foi internada no hospital, e ainda não tinha dado sinal de vida. Suas contusões não tinham desaparecido. O que aconteceria se ela nunca acordasse? Meu celular tocou no meu bolso. Eu respondi sem olhar o nome. - O que é? - É Naruto. - O quê? Não fui capaz de ser gentil. Tudo tinha morrido dentro de mim. - Eu só queria que você soubesse que Shin acabou de ser liberado do hospital. Ele estava vivo? - Oh! Eu pensei que você gostaria de saber. Se ele se aproximasse daqui, atiraria nele de novo... e desta vez não falharia. - Obrigado. Desliguei e devolvi o celular ao bolso. Shin seria um i****a se ele mexesse comigo naquele momento. Eu tinha atirado em seu braço, então ele sabia que eu estava falando sério. Se me chateasse de novo, me certificaria de que a bala fosse directo para a cabeça dele. Família ou não, ele não deveria ter mexido comigo. De repente, Nara respirou fundo e seus olhos se arregalaram. Ela fez uma careta para a claridade vinda da janela. Então respirou fundo novamente e seu pulso acelerou sob as pontas dos meus dedos. Chocado porque ela tinha acordado, por um momento me esqueci de falar. — Ele se foi. Você está segura. Ela se virou para mim e estreitou os olhos para me encarar, processando suas memórias e a realidade ao mesmo tempo. Sua mão foi até o peito e apalpou sua pele, como se precisasse se certificar de que não estava sonhando. Ela tinha conseguido. — Ken? - Nara, eu estou aqui Segurei sua mão entre as minhas, grato por ela continuar nesse mundo. Eles a haviam espancado até desfigurá-la, mas reconheci seus belos olhos negros. Meu corpo reagiu de uma maneira que eu não esperava. Lágrimas vieram aos meus olhos, uma umidade quente que veio do nada. Meus olhos se encheram quando a olhava. Minha ex esposa não teve sucesso, mas Nara sim. Eu não era capaz de enfrentar outro cadáver em meus braços. Não podia suportar enterrar outra mulher inocente. Não poderia perder outra pessoa.... Alguém que me importava tanto. — p***a, eu sinto muito. Ela não escondeu sua surpresa ao ver lágrimas nos meus olhos. Levantou sua mão e tocou minha bochecha. Seu polegar deslizou lentamente pelo canto do olho, e uma lágrima não derramada ficou presa na ponta. Eu não tinha vergonha da minha emoção. Era a primeira vez que a demonstrava. Me lembrou que era humano, que não era feito de pedra. Eu tinha um coração que ainda funcionava. Pensei que não tinha mais nada e ela me preencheu com algo novo: me encheu de esperança. — Eu me odeio. Beijei a mão dela e a coloquei contra a minha bochecha. — Eu me odeio por permitir que isso acontecesse com você. Eu a beijei novamente e fechei os olhos, fortalecendo minha determinação e tentando manter a compostura. — Não foi sua culpa... Sua voz estava rouca por ter passado dias sem falar. — Sim é. Eu quebrei a promessa que fiz para você. - Ken... Ela estava fraca demais para falar. Normalmente, as palavras saíam de sua boca a um milhão por minuto. Mas agora falava devagar e baixinho. Seus lábios estavam rachados porque esteve dormindo por tanto tempo. — Está tudo bem. Nunca vai ficar bem. Eu nunca superaria isso ou me perdoaria por permitir que isso acontecesse. Eu nunca perdoaria meu irmão por fazer isso. Ele a atingiu com crueldade sem limites. - Shin está morto? - Não. Eu estava com vergonha de negar isso. Atirei nele, mas ele acabou de sair do hospital. — Oh! Ela não conseguia esconder sua decepção. — Ele não vai chegar perto de você novamente. Não se preocupe com isso. Era difícil olhá-la nos olhos quando seu rosto estava machucado. Ver isso me machucou fisicamente. Não porque ela parecesse diferente, mas porque ela ainda sentia uma dor imensa. - Posso ir embora? Eu não iria forçá-la a ficar comigo. Ela tinha passado por coisas suficientes. Se ela quisesse ir embora, eu não a impediria. - Então podemos ir para casa agora? Ela sussurrou. - Eu odeio hospitais... - Você quer ir para a mansão? Mantive a esperança longe da minha voz. Ela assentiu. - Eu quero estar na minha cama... com minha janela. Se isso era o que ela queria, era o que teria. - Eu tenho um quarto com varanda privada. Você gostaria de se mudar para lá? Eu deveria ter oferecido isso há muito tempo. - Uma varanda? Ela sussurrou. - Sim. Você pode deixar as portas abertas sempre que quiser. Depois de pensar por um momento, ela assentiu. - Eu gostaria disso. - Eu vou falar com o médico e vamos embora. Mantive minha mão na dela porque era tão difícil para mim afastá-la. Não queria deixá-la ir, nem por um segundo. Eu quase a perdi e foi a sensação mais dolorosa do mundo. Ela detectou minha indecisão. - Ficarei bem. Eu me levantei e me inclinei sobre ela. Minha boca se moveu imediatamente para sua testa e lhe dei um longo beijo. Estendi o contato por quase um minuto, com uma violenta dor no coração. Eu nunca tinha feito nada parecido, mas de alguma forma, parecia natural para ela. Como se eu devesse ter feito desde o começo
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