Mia
Subo as escadas, já sentindo a corrente de ar frio que constantemente atravessa meu prédio. É um antigo edifício de tijolos, perto do bairro Queen Anne, e, apesar de ser uma vantagem pelo ambiente e pelo ótimo local, eu sofro com as corrente de ar frio e coisas antigas que quebram com muita frequência. Mas amo morar aqui. A parede lateral do meu apartamento é de tijolos expostos, e o proprietário me deixou pintar o resto das paredes quando me mudei. É adorável, apesar de frequentemente congelante. Lido com esse problema em particular com minhas pilhas de cobertores feitos à mão, cortesia de minha amada avó, e um aquecedor que Shelby insiste que um dia causará um incêndio.
Com a chave na porta, abro com cuidado, me espremendo pelo espaço para que meu gato, Fabio, não saia correndo. Ele geralmente não é receptivo, mas às vezes desliza entre as minhas pernas e me faz correr pelo corredor quando chego em casa mais tarde do que o habitual.
— Acalme-se, amigo — digo, enquanto Fabio passa por meus tornozelos, esfregando seu pelo laranja nas minhas calças. — Mamãe chegou. Não é como se você estivesse morrendo de fome.
Ele me lança um olhar como se não acreditasse nisso por um segundo, e se eu tivesse demorado mais cinco minutos, ele poderia muito bem ter morrido. Olho para a sua barriga redonda. Sem risco de morrer de fome. Ele levanta o r**o e entra na cozinha, depois se senta e espera que eu o alimente. Se ele pudesse falar, tenho certeza de que estaria advertindo sua escrava humana por fazê-lo esperar.
Tiro o casaco e o cachecol e os jogo no sofá.
— Estou indo, estou indo. — Encho a tigela de Fabio e depois me certifico de que a água esteja fresca. Agora que tem comida, ele não precisa mais de mim, então sou amplamente ignorada enquanto ando pela cozinha e faço um chá. — Você não vai perguntar sobre o meu encontro? Não? Provavelmente é uma coisa boa.
Entro no quarto que é separado apenas por uma divisória, mas, pelo menos, tem um pouco mais de privacidade do resto do apartamento. Tiro minhas botas e calças, mas não me incomodo em colocar mais nada. Eu moro sozinha, e Fabio certamente não se importa se eu andar de calcinha. Tiro o sutiã, deslizando-o pela manga da camisa. Sim, é disso que eu estou falando.
Nada como tirar o sutiã no final do dia.
Meu chá está pronto, então levo minha caneca para o sofá e me sento. Eu já tenho uma mensagem de Shelby.
Shelby: Como foi? Acabou? Foi divertido?
Eu: Passou de levemente desinteressante, para irritante e mais além.
Shelby: O que você fez?
Suspiro e puxo meu cobertor verde sobre as pernas. É claro que Shelby assume que a culpa é minha. Não é fácil ser comparada a uma Shelby perfeita. Ela é tudo o que eu não sou. Alta e esbelta, com lindos cabelos loiros. Não sou exatamente baixa, mas definitivamente não sou esbelta, e meu cabelo castanho escuro espesso está sempre em um estado constante de bagunça, não importa o que eu faça. Shelby era muito competitiva na natação, já o auge do meu talento atlético foi com jogos de tabuleiro na escola primária, os quais eu sempre perdia.
Estou convencida de que ela tomou toda a graça e coordenação da família, deixando-me uma bagunça desastrada e desajeitada. Ela é extrovertida e confiante e pode conversar com qualquer um. Eu fico com a língua presa tentando pedir fast-food em um drive-thru.
Eu: por que você supõe que eu fiz alguma coisa? Ele foi rude.
Shelby: Bem, isso é uma merda. Você vai vê-lo novamente ou não?
Minha irmã pode ser perfeita em tudo, mas ela não tem ideia do que é namorar depois da faculdade. Ela conheceu seu marido Daniel no segundo ano em Stanford e se casou com ele antes de se formarem. Então, ela não tem noção de como ser um adulto solteiro depois da faculdade.
Eu: Isso seria um grande não.
Shelby: Desculpe, Mi. O próximo cara será melhor. Você ainda pode cuidar da Alanna neste fim de semana?
Eu: É claro, estarei aí no sábado à tarde.
Alanna é minha sobrinha de quatro anos e ela é incrível. Ser uma tia é incrível. Minha irmã está grávida de novo, então tenho ajudado o máximo que posso. Nossos pais moram a seis horas de distância, no leste de Washington, mas, como Shelby mora a cerca de vinte minutos de mim, tento passar um tempo com Alanna quando posso para dar uma folga para Shelby.
Ainda é cedo, então pego meu laptop. Eu gasto algum tempo checando meu blog. Eu administro um blog de resenhas de livros de romance sob o pseudônimo de Leitora Voraz. Começou há alguns anos como um passatempo bobo. Eu lia um zilhão de livros e adorava escrever resenhas. Então, em vez de fazer isso apenas na sss, comecei a blogar. O conteúdo acabou expandindo para entrevistas com autores e notícias de lançamentos de livros, e a próxima coisa que sei é que estou recebendo centenas de milhares de visitas todos os meses. É meio insano, e tenho certeza de que se Shelby soubesse disso ela me mataria. Ela chamaria isso de uma enorme perda de tempo.