Sem revisão
Maddie ( presente)
James ficou ao meu lado os dias que se seguiram, ele passava as noites comigo, pois tinha que ir para Nova Iorque trabalhar. Acredito que ele passava em casa primeiro para tomar banho e trocar de roupa, pois chegava sempre no hospital cheirando a sabonete e cabelo penteado. James era um caipira fofo que se preocupava com as pessoas, mesmo que tal pessoa fosse uma completa desconhecida. Ele também sempre trazia Dónutes e eu confesso, adorava. James era o tipo de cara que não estava habituada, pelo menos não que cuidasse de mim sem receber nada em troca.
"Obrigada" disse na terceira que ele se sentou naquela cadeira dura e desconfortável.
"De nada" James respondeu com um sorriso cafajeste que com toda a certeza se fosse em outro momento, me faria querer dar para ele.
"Sabe que não tem nenhuma obrigação comigo, não é?" O lembrei.
Mesmo que esteja a fingir que a minha memória foi-se, não posso envolvê-lo na minha vida e colocá-lo em perigo, como aconteceu com as pessoas que se envolveram comigo.
James sorriu, pegou um. Donuts que começou a comer, ligou a tv e começou a assistir a programa bobo que passava.
"Você lembrou-se de algo?" Ele perguntou depois de algum tempo.
"Não." Menti na cara dura, já disse que sei fazer isso muito bem? Então, é isso.
"Está aí a resposta a sua pergunta." James disse sem desviar os olhos da TV.
"Porque não me lembro de nada?" Perguntei e ele assentiu.
"No momento, a única certeza que você tem é que não tem para onde ir quando receber alta. Então, quero que saiba que apesar de não lembrar de nada, não está sozinha. Falei sério quando disse que vou cuidar de você e do bebê, antes que pergunte, sem nada em troca."
A fala de James mexeu comigo, nunca vi ninguém fazer nada sem segundas intenções, nem mesmo Jane que não é a minha pessoa favorita no momento.
"Então, quando eu receber alta você vai ajudar-me a encontrar um lugar para ficar e talvez um emprego?" Perguntei.
No momento, não posso usar a minha conta bancária senão serei encontrada e eu não quero ser encontrada. Voltei para Nova Iorque a pedido de Henri e desde que voltei, tudo deu errado. Fiz do jeito dele e acabei perdendo pessoas importantes, agora, farei do meu jeito, mas antes precisava de um teto e de um emprego.
"Onde morar você já têm e emprego? Bom, resolvo isso." Ele disse.
"Você existe?" Perguntei sem acreditar que ele estava há anos considerando mim. James fazia eu sentir-me tão acolhida, e não era comum alguém fazer eu sentir-me assim.
"É normal ajudarmos as pessoas por aqui, então não estranha, apenas se sinta segura. O Cameron falou com o delegado “Clarke” que vai ajudar a encontrar a sua família. Só temos que descobrir o que esse P significa, tem tantos sobrenomes com essa letra."
Aquilo me deixou em alerta, como assim envolveram a polícia sem a minha autorização?
"Falaram com a polícia?" Perguntei aflita.
"Não gostou? Queria você mesma fazer isso?" Ele perguntou com certa hesitação.
"Não é isso, mas, eu estava no meio da estrada, de camisola hospitalar, descalça e sangrando, e se o delegado sem querer me levar a alguém que queira machucar-me? Por que eu estava no meio de uma estrada escura e não num hospital?" Fiz a minha cena e esperava que aquilo fizesse James a falar com o delegado para não investigar a minha vida ainda. Eu precisava de tempo para me recuperar, não estava pronta para outra agitação. Só preciso de um tempo para que o meu bebê cresça bem e seguro, sem riscos de alguém tentar machucá-lo.
"Tem razão, vou falar com o delegado e dizer para esperar você se sentir segura para que ele comece a investigação. Mas posso dizer para ele ficar em alerta caso tenha alguma chamada para pessoas desaparecidas." James disse com o intuito de tranquilizar-me. Me senti grata por ele me ouvir e entender o meu ponto.
"E aí, está ansiosa para receber alta?" Ele perguntou mudando de conversa.
"Muito, apesar das enfermeiras cuidarem muito bem de mim quando você não está." Confessei.
"Cameron disse que assim que os resultados dos seus exames saírem e estiver tudo certo, terá alta. Aí, vai conhecer o seu lar temporário que, a propósito, é a minha casa." Ele disse e eu boba, sorri.
***
A alta veio, o delegado decidiu esperar até me sentir segura em relação a procurar por algum parente. Senti-me aliviada e com tempo o suficiente para juntar um pequeno dinheiro e sumir da vida de James, era o mínimo que poderia fazer depois de tudo o que fez por mim em troca de nada e do seu sorriso, que se tornou um alento para tudo o que me aflige e não posso dizer-lhe. Em tão pouco tempo, James tornou-se precioso demais para permitir que algo acontecesse com ele…
A casa de James era simples, móveis baratos e antigos, era visível que precisava de reforma, também era pequena. Bom, nada que ele não tenha dito antes de sair do hospital. Mas eu pude sentir o cheiro de pinho, sinal de que ele mandou limpar a casa para me receber, tudo estava bem organizado. Ele fez tudo isso para que me sentisse acolhida e foi exatamente assim que me senti.
"É acolhedora." Disse sorrindo para ele.
"Eu gosto de saber que se sentiu assim, porque enquanto você se organiza, será a sua casa." James disse.
"Muito obrigada por receber-me aqui, de verdade." Agradeci, era tudo o que podia fazer naquele momento, a outra coisa seria ir embora. Mas como o próprio James falou, naquele momento a sua casa era meu lar…