Capítulo 5 . Emma Karson .

3609 Words
— Por que você ligou para mim mesmo, Melina? — Reclamo, ofegante. — Para você trabalhar o diafragma e o cérebro enquanto corre nessa esteira, Karson. — Explica o óbvio e eu reviro os olhos, saindo da esteira para uma série de abdominais. — Uma, duas, três, quatro... Isso, vai!! Porque parece que ela torcendo para um time de futebol? — MELINA! — Solto um grunhido, sem parar os meus exercícios. Ela solta o ar. Fodeu, vai ficar chateada. — Não, Emma é que você v... Comprimo os lábios e levanto, chutando o saco de pancadas em forma de manequim. — Mais alto! Tenta acertar a cabeça! Vou para trás, pegando impulso, girando e acertando o chute na cabeça do meu "rival". — Isso! Dou risada, enxugando o suor e tomando alguns goles de água. — Mel, você só liga para mim e me monitora assim quando está de TPM e entendiada. Ela gargalha e eu sento na bicicleta ergométrica, pedalando o mais rápido que posso. — É que estou com medo do quê você vai fazer, Emma... — Suspira e eu reviro os olhos, ajeitando rapidamente o fone para escutá-la melhor. — Eu vi os documentos que escreveu e imprimiu hoje... O que está planejando é arriscado... Muito perigoso, garota. Ela ainda não entendeu que eu não tenho medo dele, certo? — Você não pode brincar assim com uma pessoa e sair ilesa. — Diz e eu engulo a seco, parando de pedalar e olhando para a câmera mais próxima. Eu estava entrando numa coisa que não vou poder sair, nem pedir arrego... Sentir medo não era do meu feitio, mas meu estômago dava uma revirada só em pensar no que estou fazendo. — Espero que essa seja a cara de "estou-escutando-a-Melina-e-não-vou-cometer-esse-erro". É só dizer e eu passo esse trabalho para outra pessoa, Emma. — O tom dela é solidário, porém eu bufo e levanto da bicicleta, acertando o manequim com uma série de socos e chutes, passando perto de derrubar o coitado. — Espero mais ainda que não queira fazer isso comigo... Sorrio, meneando a cabeça. — Você não vai passar esse trabalho para outra pessoa. — Tomo cuidado ao pegar uma das barras com 20 quilos em cada lado, respiro fundo e o pego, observando para não fraturar a coluna, começo a fazer agachamentos com ela nas costas. No décimo, eu paro, coloco-o no lugar e solto o ar, olhando novamente para a câmera. — Eu estou mais que preparada, Mel. Não se preocupe comigo... Ela inspira e respira pela décima oitava vez. — Já está com as coordenadas da casa? Afirmo. — Sim e você acredita que aquele babaca salvou o meu número no celular das "menininhas" dele? — Se eu ainda estou indignada com isso? Talvez. Mas eu acredito que o pagamento dele vai vir com muito, mais muitos juros. — Estou com todos os números de telefone dele, inclusive os descartáveis de negociação... — Grampeados? Me remexo, um pouco desconfortável. — Ãn-rãm. — Consigo conter o impulso do meu subconsciente de balançar a cabeça, negando o que eu acabei de dizer. Eu não tinha grampeado o telefone dele, ainda não. — E lembra o que eu te pedi, quero privacidade e um tempo até concluir esse trabalho, Melina. O silêncio dela me faz ficar apreensiva. — Mel, por favor... Silêncio. — Melina Hudson.... — Não quero te mandar para um caixão! Te deixar sozinha, numa casa, com um exportador ilegal de joias e assassino em potencial? — Que exagerada! Duvido que o Blake já tenha matado alguém. Ele é frouxo demais pra esse tipo de coisa. — Você é o quê? Louca? — Esbraveja e eu levo a unha do midinho até a boca... — E não se atreva a roer essa unha! — Tiro rapidamente a mão e olho para câmera com a minha melhor carinha de cadelinha que caiu da mudança. — Nem adianta vir com essa cara, eu não vou sair daqui... Pigarreio, dando graças a Deus por não ruborizar. — O.k. — Hora de apelar. — Você viu que eu imprimi uns documentos com meu nome e o dele, certo? — Sim... — Você os leu? Ela emite um grunhido baixo. — Não, pensei que fosse algum tipo de burocracia louca. Por que? Engulo a seco. — Porque é um contrato de...— Escuto os dedos dela passarem velozmente sob o teclado e Melina prender a respiração, abismada. Bem, pelo menos agora ela leu. — Duas semanas de... Sexo? — Ela pergunta, como se não estivesse acreditando. — Emma Karson, o que é isso? Você nomeou de sete prazeres capitais! Endoidou, mulher? Vai t*****r com um criminoso... — Que foi a minha queda durante toda a adolescência e vamos combinar que exportação de joias nem é tão ilícito assim! — Emma!! — Grita e eu tenho o impulso de jogar o headphone longe. — Vamos rever o seu conceito de ilícito, não é? Sabia que não era boa ideia te dar esse trabalho... Você está inferindo coisas demais da sua vida. Isso não vai acabar bem! — Eu já assinei a demanda de missão, Mel. Eu tenho uma cópia dela, tem uma cláusula enorme dizendo que assim que nos responsabilizamos pelo trabalho, não podemos deixá-lo. Parágrafo 186. Tá? Ela xinga baixo. — Você realmente quer isso? Rio irônica. — Desde o meus dezessete anos, Mel. E é com um suspiro que, finalmente, tenho o seu alvará. — Então é seu. Só tente permanecer viva. * Paro a minha linda Harley Davidson 883 na frente da enorme mansão chamativa dos Blake. Eles sempre souberam como mostrar a fortuna e, uma fonte d'água na frente de uma casa com portões gigantes dourados, desenhados e com "B" enfeitando o topo, ilustra bem isso. Apesar de ter descido, não tiro o capacete, apenas puxo a calça de couro, ajustando-a na cintura e testo o chão. A melhor coisa que fiz foi ter vindo de botas. Acertei bem. Mais agilidade caso tudo der errado. Caminho até a porta e de forma imediata — e esperada — um segurança (ou um gigante?) me intercepta, tapando o meu caminho e até causando um eclipse momentâneo. — Dá pra sair da minha frente? — Tá, isso não é forma de falar com alguém com o triplo do meu tamanho. Mas, culpem o meu gênio forte e que se acha maior que o cara. O gigante apenas sorri, tirando os óculos escuros e me fazendo o reconhecer na hora. Merda. É um reencontro com o passado mesmo. Empino o queixo, tentando passar autoridade. Porém, na verdade, eu estava da altura do peito dele. E eu tenho quase 1,75cm! — O que a senhorita quer? — Gente, os flashbacks passam como um filme na minha mente. Tem como desligar isso não? Ele me olha demoradamente, tentando me reconhecer. — O que eu quero? — Enrouqueço a voz para disfarça-la. — Entrar... Ele se encosta no portão enorme e eu reprimo o meu ataque de raiva. Que bosta! Não pode ser mais fácil, não? Preciso sair de perto dele logo. — A mando de quem? — A meu mando. Ele gargalha, jogando a cabeça para trás e exibindo os dentes perfeitos. Gabriel paga plano odontológico também é? — Dê meia volta e vá embora, senhorita. — Me olha mais uma vez e dou graças a Deus por estar de capacete. Parece que eu estava pressentindo. — Estou pedindo. Não me faça ser rude. Seja rude, por favor. Me lembro muito bem o quão foi rude comigo... Ok. Sem lembranças agora. Bufo, pegando o celular e ligando para o número privado daquele babaca. Quem já se viu, me pôr no celular das garotinhas superficiais que ele pega! Ele atende no segundo toque. — Alô? — Quando podemos nos ver? — A minha política é desembuchar, depois explicar. Legal, né? Mais legal ainda é o que vou fazer agora, observem e vamos contar junto comigo... 3... 2... 1... — Como você descobriu esse número? Eu te liguei do outro celular! — Ah, Gabriel... Porque tão previsível? Acho que eu até sei prever que ele está com aqueles olhos castanhos arregalados e a boca entreaberta. Me limito a bufar e revirar os olhos, impaciente. O deus jamaicano ainda me encarava com curiosidade, já que eu poderia ser julgada louca porque estou com o telefone por dentro do capacete. Não posso arriscar ser reconhecida antes de entrar. — Eu não quero e não vou ficar no celular das vadias, Blake. — Estou com a leve impressão de que ele está prendendo a respiração? — Isso é um negócio sério e eu preciso marcar para que possamos resolver nossas coisas. Ele bufa e eu ergo as sobrancelhas com uma vontade doida de rir. — Você só vai me ajudar. Você que pensa, dear. — Não sei se lembra, mas eu impus condições para que eu pudesse aceitar isso. — Eu sei, mas... — Credo, que garoto chato. Tinha esquecido disso. — Não adianta dizer "mas", é pegar ou largar. — Sou direta e controlo a minha vontade de mandar ele se f***r. Alguns segundos de silêncio e eu aproveito para dar uma admirada nos bíceps do deus de ébano na minha frente... — O.K. Eu aceito. — Posso soltar fogos de artifícios? — Está livre hoje? Acho que eu tenho tempo agora, vou te passar o endereç... Ele não entendeu que, quando estava indo, eu já estava voltando pela décima quinta vez. — Desça e mande o seu gigante me deixar passar, eu já estou aqui. — Digo, sem dar chance para resposta, praticamente desligando o telefone na cara dele e fitando o segurança, que me olhava com um sorriso no rosto. — Acho que já resolvemos essa parte, certo? Ele abre a boca, franzindo o cenho, mas é interrompido pelo rádio. Sorrio maliciosamente quando escuto a minha ordem de liberação. — Porque eu tenho a sensação de que eu já te vi? — Ele sussurra com aquela voz deliciosa. Suas mãos passam o cartão eletrônico na portão, abrindo-o. Passo por ele rapidamente, porém meu braço é agarrado. — Eu definitivamente te conheço de algum canto, esse rebolado não me é estranho. Solto uma risada safada e me viro, olhando no fundo daqueles olhos verdes. Levanto o capacete, deixando ele ver o meu rosto. O sorriso branco se alarga e ele ri. — Parece que alguém não esquece dos corpos que toca... Enzi meneia a cabeça e eu ergo a mão para pegar a dele. — Paka... — Solta o apelido que colocou em mim naquela noite e no resto do tempo que passamos juntos. Sorrio. Ele significa "linda como uma gata". As pessoas sempre adoram dizer que eu tenho patas leves, não sei porquê... — Eu nunca te esqueceria. Por onde anda? O que está fazendo? Eu... — Estava por aí... Quem sabe não nos esbarramos qualquer dia desses? — Solto a mão dele, vendo seu rosto dar uma leve contraída. Ter um amigo que cuida do portão dos Blake's é sempre bom. — Estou indo. — Enzi apenas aquiesce e vira para o seu posto, com toda certeza, ficou chateado. Desço o capacete e me dirijo rapidamente para a porta principal. Aperto a campainha e imediatamente a porta é aberta por um homem com a pele cor de mel, parecida com a minha. O maxilar desenhado e a alta estatura já me faz reconhecer de cara quem é. Phillip Richards. Melhor amigo do Gabriel, — muito mesmo — e bem, no começo do colegial ele era um porre mas, aos poucos e com a maturidade chegando, se tornou um dos caras mais legais e adoráveis que tive a oportunidade de conhecer. E que, infelizmente, não provei. O que é triste, porque ele é conhecido por ser muito bem dotado. — Hãm... — Desce os olhos através do meu corpo. Apesar de malhar muito e treinar, ainda sou gorda. E estou bem com isso, é o meu tipo corporal. Minha saúde está bem e consequentemente, não há motivos para ficar numa agonia em busca do corpo perfeito. São apenas padrões. — Emma... É você? — Tenta me olhar pelo capacete e eu só faço um legal com o dedo, empurrando o corpo dele para o lado e entrando na enorme mansão. A sala é gigante. Uma escada de degraus largos e com corrimões trabalhados enfeitava mais ainda o lugar o deixando com um ar até medieval. Não tinha televisão na sala, só obras de artes, algumas esculturas, um sofá grande onde eu me controlei para não jogar o meu corpo. As dores do treino da manhã estavam começando a aparecer, posso estar acostumada, porém ainda incomoda um pouco. — Onde está ele, Richards? — Pergunto, cruzando os braços. Ele já estava abrindo a boca quando seus olhos foram direcionados para trás de mim. Velozmente, me viro. Quase tomando um susto, o homem atrás de mim estava vestido com um terno caro mas não era nada parecido com o Gabriel que monitorei durante esses últimos dias... — Ah, sério, Blake? Você já foi melhor que isso. Pensou que ia me enganar? — Bufo, olhando para cima e depois me viro para o cúmplice dele, que apenas ergue as mãos em redenção. — Só segui as ordens do senhor Eros. — O carinha diz, com os olhos arregalados. — Está dispensado...— Phillip diz baixo e ele se vai. Reviro teatralmente os olhos. — Eros... Humpf... Quanta petulância... VOCÊ! — Aponto para o Phillip que leva a mão ao peito, assustado. — Manda o seu amigo aparecer senão me recuso a concluir esse negócio. — Jogo o envelope no centro de vidro. Ele olha para mim com curiosidade. — O que é? Quer tirar uma foto não? Ele aponta para a minha cabeça. — Não vai tirar o capacete? Está parecendo que vai começar a dançar o Harlem Shake a qualquer momento... — Enruga a testa. Coloco as mãos na cintura. — Não. — Ela não vai tirar porque, provavelmente, continua com aquelas bochechas gigantes e o narizinho de camundongo, Phill. — Uma voz grossa e sonora provoca, do alto da escada. Me viro de forma rápida e me arrependo na mesma hora. Uma vertigem me atinge, mas não era algo relacionado a minha saúde e nem pela rapidez da rodopiada que dei. Era eu, querendo pegar os meus documentos e desistir do trabalho. Dizer que aquele homem, que descia as escadas de forma elegante e que transpirava sexo, era bonito/gostoso... É um tipo de eufemismo insano. Os fios negros estavam arrumados e aparentemente molhados — porque aquilo com certeza era algum produto caro de cabelo, visando o fato que ele sempre foi vaidoso — o queixo quadrado adornado pelo maxilar proeminente... O nariz afilado, os lábios rosados e aqueles benditos olhos castanhos. As sobrancelhas grossas deixavam o seu olhar escuro extremamente penetrante. Tudo isso, com um corpo delicioso. Os músculos da coxa se projetavam sob a calça de linho e, enquanto andava, leva as mãos ao pescoço de propósito, coçando a nuca e mostrando os bíceps debaixo daquele terno caro. Não posso ficar intimidada com isso. Ele está gostoso? Está. Esse perfume dele é delicioso? É. Isso vai ser perigoso? Vai, porém vai ser interessante. E eu também tenho algumas surpresinhas. — Meu capacete está me protegendo do contágio dessas ideias de bosta que você tem, Blake. — Digo e ele ri, passando por mim de forma lenta, arrastando os olhos por cada parte do meu corpo. — O que é? Gostou do que viu? — Ironizo, vendo seus olhos ficarem semicerrados. — Me chame de Eros, bebê... — Sussurra, tentando pegar a minha mão que, eu rapidamente, tiro do seu alcance, soltando um bufar alto. — Só nos seus sonhos mais loucos, Blake. — Resolvo começar a brincadeira e deslizo a jaqueta por meus braços, ficando com apenas a regatinha de renda n***a. Os dois pares de olhos, — tanto os castanho, quanto os esverdeados do Phillip — caíram nos meus s***s. Bingo. Ele remexe os ombros largos e se concentra no meu rosto coberto pelo capacete. — Quais são suas condições? Pego o envelope, tendo o cuidado de me inclinar e projetar bem a minha b***a para frente. — Ah, aqui. — Estendo e ele o toma nas mãos, abrindo e começando a ler. 3... 2... 1... — Emma... — Gabriel ri, balançando a cabeça negativamente. Na cara dele estava a expressão mais descrente do universo. Os dentes brancos e o sorriso largo se projetam ainda mais quando vai descendo os olhos através das linhas. Por minha vez, apenas cruzo os braços. — Isso é sério? Dou de ombros. — São minhas exigências. Ele dá um passo para frente e chacoalha a mão para o Phill, que se retira na mesma hora. — Porque eu deveria aceitar? — Provoca. Bem, essa é a hora. Minhas mãos vão até o capacete, que puxo lentamente e quando ele está em cima, sacudo a cabeça, fazendo com que os meus fios castanhos caiam pelos meus ombros e fiquem um pouco alinhados. Levanto os olhos para encara-lo e dou mais dois passos, ficando quase cara a cara com ele. Gabriel estava sem reação. — Hum, talvez porque você está desesperado...— Sussurro, levando a unha do midinho até a bochecha alva e branca, arrastando-a e deixando uma marca considerável. Ele deixa os olhos castanhos em f***a, apertando um lábio contra o outro. — Porque toda noite você se condena por ter perdido uma joia que sua vó prometeu a você, por achá-lo o mais competente da família...— Desço os dedos pelos lábios avermelhados e macios. Me aproximo ainda mais, de um jeito que praticamente estávamos respirando o mesmo ar. — Porque eu sou a sua última esperança. — Sopro e ele finalmente fecha os olhos. Quando os abre, posso jurar que o castanho se tornou um preto até palpável. Blake puxa uma caneta estilizada do bolso do paletó, me olhando. — Onde eu assino? Sorrio. — Ali. De forma rápida, ele rubrica o papel, me lançando um olhar no fim. Espero, mexendo inocentemente em algumas ondas do meu cabelo. Se eu estava com uma p**a vontade de rir? Com toda certeza. Ele acabou de assinar uma sentença direta para o inferno. — No final dessas duas semanas, seu rubi estará na suas mãos. Gabriel pressiona um lábio no outro, deixando-os pálidos por um momento. — Eu realmente espero que isso aconteça. — É impressão minha ou a voz dele está mais rouca do quê antes? — Emma Karson. — Estala a língua, voltando a se aproximar de mim. — Duas semanas morando na mansão dos Blake's... Gargalho e dou um passo para trás, batendo as costas na parede. Que clichê! — Que eu m*l vou poder aproveitar já que estaremos ocupados cumprindo as minhas exigências e em busca do seu precioso bem roubado. — Dou de ombros e ele coloca os dois braços em cada lado do meu corpo. Meu cenho franze automaticamente e é minha vez de semicerrar os olhos. — Você vai conseguir o que quer, bebê... Eu até poderia dar uma amostra do que vem por aí... Mas, assim que ele falou esse apelido escroto, minha vontade pegou um expresso ultrarrápido e foi embora direto para a Cochinchina. Cutuco o braço dele, fazendo-o me olhar. — Licença, Blake. Ele ergue as sobrancelhas, tirando os dois braços e sorrindo de um jeito que poderia ser considerado proibido. E no fundo, levemente ofendido por eu ter resistido ao charme que despejou loucamente. — Ok, ok... Saio do "cerco" que ele fez, pego o capacete e deixo a "cópia" dos papéis. — Te aconselho a ler com mais atenção. — Falo e já estou na porta quando o escuto. — Você vai de quê? — Ele murmura e eu sorriso por debaixo do capacete. Sempre previsível. — Eu posso te dar uma carona... Abro a porta e olho para ele, seus ombros largos e musculosos... O garoto que conheci riria se eu dissesse que ele iria se tornar um homem desses e se autodenominaria "Eros". — Por mais que a ideia de andar em um dos seus carros de corrida me agrade, não quero carona. Muito obrigado. — Balanço a chave da minha Harley e ele parece surpreso. — Ah, você sabe... Sempre tive uma quedinha por motos. — Pisco. — Antes que eu vá, lembre: Você tem... — Olho o relógio — Quinze horas para fazer uma festa e convidar todos que conhece, os que você suspeita e que não suspeita. Preciso conhecer e observar todos. — Tudo bem... Tem certeza que não quer carona? Reviro os olhos e bufo para ele ouvir. — Guarde os seus carros para você e para as suas "meninas". — Mas... — Tchau, Gabriel. Saio rebolando. Na porta, Enzi me lança um olhar fixo e eu subo o visor do capacete, piscando descaradamente para ele. O deus jamaicano ri fraco e libera a passagem. Subo na moto, acelerando-a. E antes de ir, ouço a voz deliciosa soar. — Tome cuidado com o que está fazendo, Paka. Tive vontade de voltar correndo para aqueles braços musculosos do deus de ébano e pedir para sair dessa coisa que m*l entrei e já sei que vai dar errado. Suspiro, sentindo o vento ricochetear contra o meu corpo. Mas, nem toda a velocidade do mundo vai tirar a imagem daqueles lábios avermelhados e olhos castanhos da minha mente. Ah, Eros... Acho que você não sabe o que acabou de fazer.
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