capítulo 2

423 Words
Capítulo 2 Chegamos ao cemitério. Eu não tive coragem de entrar. Minhas pernas pareciam pesar toneladas. Ver o caixão da minha avó descer para debaixo da terra era uma dor que eu não suportaria. Enquanto todos seguiam em direção ao sepultamento, permaneci do lado de fora. Foi então que uma mulher loira, elegante e muito bonita se aproximou de mim. Clarisse: Oi, filha. Você não se lembra de mim? Balancei a cabeça, negando. Clarisse: Meu nome é Clarisse Montana. Sou sua tia, filha do segundo casamento do seu avô. Olhei para ela, confusa. Júlia: Meu avô... nunca falou da senhora. Ela sorriu com tristeza. Clarisse: Eu sei. Mas sempre tive muito carinho pela sua avó. Ela me tratava como uma filha, e eu a admirava muito. Meus olhos voltaram a se encher de lágrimas. Júlia: Ela era a melhor pessoa que eu conheci. Clarisse segurou minha mão com delicadeza. Clarisse: Eu sei, querida. Ela apontou para uma cafeteria do outro lado da rua. Clarisse: Vamos tomar um café? Quero conversar com você. Assenti. Júlia: Posso chamar a senhora de tia? Ela sorriu. Clarisse: Claro que pode. Entramos na cafeteria e nos sentamos perto da janela. Pedi um café puro. Naquele momento, eu precisava de qualquer coisa quente para tentar aliviar o vazio que tomava conta do meu peito. Depois de alguns segundos em silêncio, Clarisse respirou fundo. Clarisse: Eu sei que sua avó era a única pessoa que cuidava de você. E agora... você vai precisar de um lugar para morar. Abaixei a cabeça. Para falar a verdade, eu nem tinha pensado nisso. Clarisse: E foi por isso que vim conversar com você. Levantei os olhos. Júlia: Sobre o quê? Ela sorriu com carinho. Clarisse: Quero que venha morar comigo. Fiquei sem reação. Clarisse: Tenho apenas um filho, um pouco mais velho que você. Nossa casa é enorme. Você poderá terminar os estudos, fazer uma faculdade e construir o seu futuro. Eu cuidarei de tudo. Engoli em seco. Júlia: Não quero ser um estorvo, tia. Ela segurou minhas mãos. Clarisse: Você nunca será um estorvo para mim. Por causa do meu trabalho, viajo quase toda semana. Meu filho vive saindo com os amigos e a casa passa a maior parte do tempo vazia. Só as diaristas aparecem durante a semana para manter tudo organizado. Pela primeira vez desde que perdi minha avó, senti que talvez Deus estivesse colocando alguém no meu caminho para me ajudar a recomeçar. Mas eu ainda não fazia ideia de que aceitar aquele convite mudaria completamente a minha vida.
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