Capítulo 3
Assim que chegamos em casa, tia Clarisse olhou para a pequena casinha onde vivi desde criança.
Clarisse: Vamos deixar a casa da sua avó fechada. Podemos voltar uma vez por ano... ou nas férias, quando você sentir saudade.
Olhei para a varanda, para as flores que minha avó tanto cuidava e senti meu coração apertar.
Júlia: Tá bom, tia... Vou pensar.
Ela passou o braço pelos meus ombros.
Clarisse: Filha, você não pode ficar aqui sozinha. Deixa essa dor se acalmar primeiro. Depois você volta sempre que quiser.
As lágrimas voltaram a escorrer.
Júlia: Está doendo tanto...
Ela me abraçou.
Clarisse: Eu sei. Mas acredita em mim... um dia essa dor vai virar saudade.
Assenti em silêncio.
Subi para o quarto quase me arrastando.
Tomei um banho demorado, vesti meu pijama e me joguei na cama.
Não demorou muito para o cansaço vencer a tristeza.
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Na manhã seguinte, acordei e, por alguns segundos, achei que tudo não passava de um pesadelo.
Mas bastou olhar para o quarto vazio para a realidade me atingir novamente.
Minha avó não estava mais ali.
Meu peito doía.
Levantei como um zumbi, fiz minha higiene e tentei criar coragem para enfrentar aquele novo dia.
Foi então que o cheiro de café invadiu meu quarto.
Respirei fundo.
Júlia: Hum... que delícia.
Desci as escadas.
Tia Clarisse acabava de passar o café.
Clarisse: Vem, filha. O café está pronto. Você precisa comer alguma coisa.
Sentei-me à mesa.
Júlia: Estou sem fome... mas um café eu quero.
Ela sorriu.
Clarisse: Isso já é um começo.
Tomamos café em silêncio durante alguns minutos.
Então ela quebrou o silêncio.
Clarisse: Hoje à noite volto para casa. Você vem comigo?
Olhei para ela.
Respirei fundo.
Era hora de deixar tudo para trás.
Júlia: Vou sim, tia.
Ela sorriu satisfeita.
Clarisse: Ótimo! Então vamos arrumar suas coisas.
Levantei da cadeira.
Clarisse: E já vou avisando. Não precisa levar muita coisa. Vamos comprar tudo novo para você.
Sorri sem jeito.
Júlia: Não precisa, tia. Eu trabalho e posso comprar minhas coisas.
Ela balançou a cabeça.
Clarisse: Nem pensar. Eu faço questão.
Sorri de leve.
Talvez aquele fosse o primeiro passo da minha nova vida.