Capítulo 4

1154 Words
LOGAN REID A presença de Audrey ali era quente como o inferno, e eu, sentado naquela sala, não conseguia desviar o olhar. Eu estava encarando-a como um i****a, um adolescente desajeitado. Não podia acreditar que ela estava realmente ali, tão perto de mim, tão... imponente. Não era mais a mulher que eu conhecia, a mulher com quem eu tinha me casado. Ela estava diferente, mais forte, mais decidida. Eu me senti vulnerável ao seu lado, e isso me fazia perder o controle de tudo ao meu redor. — A senhorita Emily Reid mandou seu advogado para estar no seu lugar — o notário comentou, interrompendo meus pensamentos. Eu só consegui assentir. Focava na voz dele, que se tornava uma simples paisagem de fundo enquanto ele começava a ler as exigências feitas pelo meu tio, bens e imóveis que ele havia deixado para pessoas que, sinceramente, eu nunca tinha visto antes. Eram parentes distantes, vultos, que pareciam estar ali apenas para disputar algo que não era deles. O que eu via diante de mim não passava de uma coleção de oportunistas, cada um com seus próprios interesses. Mas então chegou a vez de falar sobre a empresa dele. Eu sabia que isso viria, sabia que não havia como escapar disso. E quando o notário leu, a voz dele parecia ecoar em minha mente. — A Talon Innovations ficará nas mãos de Logan Reid, meu sobrinho, e sua ex-esposa Audrey Hayes, desde que se casem e permaneçam assim por um ano. Podendo assumir assim que casados no papel — ele fez uma pausa, e eu senti meu estômago virar. — O senhor Reid deixou uma carta para os dois e uma condição especial, que somente Logan sabe. Se a senhorita Hayes aceitar, saberá também. Eu estava tenso, sem saber o que dizer. Audrey, com aquele sorriso confiante, pegou a carta. E então, sem conseguir esconder o nervosismo, observei-a com atenção. O que ela pensava sobre tudo isso? Como ela reagiria a isso? Eu estava nervoso, tremendo. Eu sentia isso, e não sabia por que estava tão vulnerável perto dela. O que ela queria? O que ela planejava? Ela sorriu, guardando a carta em sua bolsa. Algo em seu gesto me fez ficar ainda mais alerta. Aquela mulher não era mais a mesma. Ela estava no controle. Sabia o que fazer. E eu estava ali, com os nervos à flor da pele, sem saber o que seria do meu futuro, ou do nosso. — Eu aceito as condições do tio Charles. Ele era um bom homem — disse ela, suspirando com uma tristeza que parecia sim verdadeira. Todos na sala olharam para mim. Eu sabia o que esperavam. Eles queriam a minha palavra, queriam saber o que eu faria agora. Todos estavam em cima de mim, esperando que eu desse a resposta. Mas eu congelei. Eu olhava para aquela mulher, observando cada movimento, cada expressão no rosto dela. Ela era bela, sedutora, e estava mais imponente do que eu jamais imaginei que seria. Eu olhei para os lábios dela, os lábios que antes eu havia beijado tantas vezes, e senti um desejo que eu não queria admitir. Mas havia mais ali. Algo mais. Aquela expressão divertida, quase desdenhosa, me desarmava. Eu não sabia mais o que ela queria de mim, mas sabia que ela estava me testando. Minha mente estava em um turbilhão, e eu quase não consegui perceber que Jack me deu um esbarrão no ombro, me tirando do transe. — Aceita logo, cara — ele disse, com uma expressão de quem estava cansado de esperar. Eu voltei a mim, e, sem poder mais adiar, eu finalmente disse, com a voz mais fria que consegui: — Sim. Todos começaram a sair da sala de reuniões, mas eu fiquei ali, parado, sem saber o que fazer. Audrey estava se afastando com a tia Lily, parecendo completamente à vontade, enquanto eu m*l conseguia mover as pernas. Ela não me olhou uma única vez. Não me cumprimentou, não fez nenhum sinal de reconhecimento. Eu não sabia o que pensar, o que ela estava pensando, e isso estava me deixando cada vez mais perdido. Jack, sempre observador, se aproximou de mim e soltou um comentário que me fez virar os olhos. — Quem diria que sua ex estava tão gata depois de todos esses anos, hein? Não só gata, mas também gostosa... Olha aquele corpo. Eu empunhei minhas mãos em punhos, mas me segurei. Por que ele tinha que falar assim dela? Por que ele não conseguia respeitar a minha ex-esposa, mesmo sabendo o que aconteceu entre nós? — Está doido, cara? — eu disse, tentando manter a calma. — Falando dessa forma dela. Ele deu uma risada, quase desdenhosa, e respondeu com um tom debochado: — Calma, nem casou com ela de novo e já está com ciúmes. Eu queria dizer algo mais, mas não consegui. As palavras simplesmente não saíam. Eu só continuei olhando para ela. Audrey estava conversando com a tia Lily, rindo, e o som da sua risada parecia me consumir. O que ela queria? O que ela pensava de mim agora? Não havia mais aquela tensão familiar entre nós, mas algo muito mais estranho estava no ar. Algo que eu não conseguia identificar, mas sentia com intensidade. Ela estava diferente, não mais a mulher que eu conhecia, mas sim uma versão mais forte e sedutora. E sim, eu estava com ciúmes. Ciumes da minha ex-mulher, a mulher que eu pensei que já havia deixado para trás. Mas agora, ela estava ali, com aquele sorriso travesso e olhos escondidos por óculos escuros, e isso mexia comigo de uma forma que eu não queria admitir. Foi quando Jack me tirou dos meus devaneios com uma risada irônica. — Só quero ver o que Victoria vai dizer quando descobrir as condições do testamento — ele riu, dando uma última olhada para mim antes de sair da sala. Eu permaneci ali, observando o vulto de Audrey se afastar, o som da sua risada ainda ecoando em minha mente. Eu estava parado, como uma estátua, e m*l percebi quando ela se aproximou. Eu não estava preparado para isso. Victoria, minha atual mulher, vinha caminhando na minha direção. Seu sorriso estava no rosto, mas eu sabia que algo estava prestes a acontecer. Ela parecia ainda mais irritada agora, com a mandíbula apertada e o olhar fulminante. Quando ela se aproximou, não teve nem tempo de começar a falar. O que ela iria dizer quando descobrisse o que estava no testamento? Eu não queria saber. — Logan — Victoria disse, seu tom desafiador. Ela olhou para mim com um sorriso falso e olhou em volta da sala, como se estivesse esperando algo. Mas a pergunta ficou no ar, ela sabia que algo havia mudado e queria saber tudo. Eu não sabia o que responder, então a única coisa que fiz foi ficar ali, esperando o impacto das palavras que ainda iriam chegar.
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