Capítulo 12

1352 Words
— Eles se amam, se defenderam como um casal apaixonado realmente faria. —Fico tenso até os ossos. Eu não amo Marcos, nem ele a mim, na verdade, eu diria que meu guarda-costas me odeia, e acho que ele ama, depois de como ele fala com sua irmã sobre mim. Essa lembrança me atinge com tanta força que o solto, sentindo de estúpida por me abrir com ele e dizer por que quero a herança e até aceitar sua proposta de me ajudar. Suas mãos seguram as minhas, pressionando-as contra seu braço, levanto o olhar em sua direção, já que o abaixo um pouco, me perdendo em meus pensamentos, e lá estão aqueles olhos negros que sempre tive medo, mas que anseio nas minhas noites de solidão. —Você ainda tem os dias estipulados, Samantha. — Meu pai quebra o contato visual que tenho com Marcos. —Você ainda tem três semanas. — Ele avisa. —Eu te amo, filha, mesmo que você duvide. — Ele sorri para mim. Não retribuo o gesto, não posso, ele está transformando minha vida em um caos. Embora eu vá me casar com Marcos, tenho regras a fazer para o homem que segura minha mão e não creio que ele vá aceitá-las, será uma provação viver sob o mesmo teto, principalmente com sexo uma vez por dia. Deus! (...) — Eu tenho regras. — Quebro o silêncio que se formou em seu carro. Vamos para o apartamento que tenho na cidade, que não uso. —É preciso que você os aceites. —Continuo falando. — Você não pode ser mais legal? -Eu franzir a testa. — Eu sou. – n**o. —Você espera que eu peça por favor? — Faço citações com os dedos. Ela concorda. Reviro os olhos. -Bom. —Você pode aceitar as seguintes regras, por favor? — ele n**a novamente. -i****a! —Eu grito, com raiva —Não me insulte se quer ter um casamento saudável, caprichoso. —Eu olho para ele. —Você me faz implorar e depois recusa e nem sabe quais são as minhas regras. —Um sorriso de lado sulca seus lábios. Tiro os olhos dele, não aguento a tentação, ele parece irresistível, sorrindo. — Samantha, eu sei como você pensa, como você age e até o que você sente. Você acha que em sete anos não aprendi a ver além dos seus olhos? — ele zomba com aquele egocentrismo que o caracteriza. —Se você visse além dos meus olhos, teria percebido porque eu queria a herança, mas não, você me acusou de ser materialista. —Refuto, deixando as palavras escaparem da minha boca, mostrando a dor que me causaram. -Esqueça. -Eu ordeno. Não quero falar sobre isso, eu acho. — Lamento... — Não o faça. – Bufa. —Não seja hipócrita, você disseo porque é isso que você pensa e não estou interessado que você mude o que pensa sobre mim. —Eu resolvo o assunto. Embora eu esteja profundamente incomodado com o julgamento que Marcos faz de mim, sei que suas percepções distorcidas não definem meu valor como pessoa. A visão que eles têm de mim como uma criança mimada está repleta de estereótipos simplistas e preconceitos infundados. Apesar de sua atitude condescendente, você não tem o direito de espalhar ideias tão infundadas, especialmente quando elas vão contra meu verdadeiro caráter e essência. O que Marcos não entende é que meu orgulho é algo que carrego comigo, forjado através de experiências e desafios que ele não consegue compreender totalmente. Não permitirei que suas percepções errôneas prejudiquem minha autoestima e autoconfiança. É verdade que posso parecer caprichoso e mimado em certos aspectos da minha vida, mas isso não conta toda a minha história. Por trás da fachada de privilégio e conforto está um lado mais humilde, consciente da realidade do mundo que me rodeia. No entanto, este meu lado muitas vezes permanece oculto, enterrado sob as expectativas e impressões superficiais daqueles que me rodeiam. —Você quer um marido? —com uma sobrancelha franzida, olho para ele perplexa. —É isso que você terá, Samantha, e suas regras não combinam com as de um casamento e muito menos com um casamento tão exposto como o nosso. —Levanto uma das sobrancelhas. — Que dizer? —Ele para o carro meio quarteirão antes de chegar ao meu prédio. —Eu não moro aqui, você sabe disso... — Quero dizer isso. —Aponta para um cara que está tomando café e olhando para o celular. — Ele é um jornalista disfarçado, procura a mesma coisa que a maioria. – Aponta em todos os lugares. —Uma foto exclusiva da mulher que em breve se casará com Theo. — Engulo em seco. — Eu não contei a novidade, deve ter sido ele. —Corro para me defender. — Eu sei, não te culpo por isso, mas vou culpar se você tentar brincar comigo. —Estou confusa e meu rosto revela isso, enquanto ele continua falando. —Não gosto do seu tratamento, casar e você fazer o que quiser da sua vida e eu fazer o que quiser da minha? —Aceno com a cabeça como se fosse a coisa mais lógica. —Você parece que sou um corno? —Evito a profundidade de seus olhos mais uma vez. — E o que você quer? —Olho para o cara do telefone e o reconheço, é de uma revista de fofoca. —Brincar de casinha feliz, casar, f********o todos os dias, te esperar com comida e até ter filhos? — deixei escapar sarcasticamente. — Sim. —A confiança em suas palavras me faz virar de repente. — Que!? — gritei, atordoado. -Você não está falando sério? - ele fica sério. —Já te falei que vou casar com o Theo, não vou ter filhos e muito menos vou fazer comida para você, você enlouqueceu? —Abro a porta do carro, fugindo dele e esquecendo tudo, até os jornalistas. — Samantha! —Seu grito arrepia meu corpo e ainda mais quando dois homens me veem com o cifrão desenhado nos olhos. Eu sou a presa que eles perseguem e pela qual darão um bom dinheiro se tirarem minha fotografia. A primeira coisa que faço é ficar imóvel e depois cobrir o rosto com as duas mãos, abaixando a cabeça para não deixar meu rosto ser visto. Antes de um grito pedindo um bilhete e uma fotografia ao jornalista, alguns braços me apoiam por trás, me fazem girar entre eles, reconheço-os, mais de uma vez me protegeram e desta vez não é exceção. — É um tratamento indecente, ele murmura acima da minha cabeça, segurando meu queixo entre as mãos. —É o que você e eu temos. – Me faz olhar em seus olhos. —Agora, diga ao seu ex-noiva a quem você presta homenagem. —O brilho das fotografias não faz você esperar, enquanto ele e eu estamos muito próximos. —Depois disso ninguém duvidará com quem você se casará. —Ele bate seus lábios nos meus. Sua boca vira um balanço de paixão com a minha, não consigo conter o fogo que cresce em meu peito e respondo com a mesma adrenalina e paixão ao beijo, enquanto dezenas de câmeras presenciam nossa explosão de desejo. A presença das câmeras, embora inicialmente perturbadora, esmaece em meio ao turbilhão de emoções que nos consome. Neste momento somos apenas ele e eu, duas almas ardentes unidas num beijo que desafia as convenções e expectativas que nos são impostas. O mundo exterior pode julgar-nos, observar-nos com olhos críticos e escrutinadores, mas neste momento recusamo-nos a ser prisioneiros das suas opiniões. Nossa conexão transcende quaisquer olhares indiscretos ou comentários contundentes. Somos dois seres que se encontram no meio do caos, buscando refúgio no calor e na paixão um do outro. A brasa que arde entre nós alimenta a nossa determinação em desafiar as normas e barreiras que tentam nos separar. Não nos importamos com quem possa estar observando, nem com quais julgamentos possam ser projetados sobre nós. Neste momento estamos livres, libertos das cadeias do mundo exterior, completamente entregues ao êxtase do momento presente.
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