Eu olho para Samantha, esperando por uma explicação que não vem. Eu sabia do evento de amanhã, mas não sabia que o Theo estava envolvido. Seu silêncio fala por si, revelando sua cumplicidade em me manter no escuro. A razão por trás de sua omissão é evidente: evite minha reação descobrindo que eu teria que trabalhar com ele.
Eu não posso deixar de sentir uma torrente de emoções, uma mistura de fúria e traição que ameaça me consumir completamente. Como é que a Samantha escondeu algo tão importante de mim? Mas além da minha indignação, há a certeza de que não vou permitir que Samantha trabalhe com Theo. Ele é um cão infeliz que só traz caos e dor em seu rastro. Não permitirei que a sua presença contamine o nosso ambiente e a menos que ele se aproxime da minha noiva.
— O que faço? — deixa-me atordoado por me perguntar.
— Estaria presente, não há forma de ... não seguir a frase, no entanto sei o que se segue. — Não sei, você decide. — Me dá total liberdade sobre suas ações.
Debato internamente antes da decisão que a Samantha me deixa tomar sobre o trabalho dela. Aceitar-me para trabalhar com Theo é um golpe para o meu ego e minha paciência, mas eu sei que o proibir seria prejudicial para sua carreira. Estou em um dilema, mas eu decido pensar sobre isso e seu bem-estar. Aceito que não posso impedi-lo de nada e escolho apoiá-lo em suas decisões profissionais, mesmo que seja difícil para mim engolir meu próprio orgulho. O importante é a sua felicidade e sucesso, mesmo que isso signifique fazer sacrifícios pessoais.
— Se aquele i****a te põe um dedo, eu cortei-o. — o teu representante vê-me atordoado.
— Estou a falar a sério, não gosto desse i****a, cuide dela porque você vai perder os dentes e ele vai perder as mãos. — O cara de olhos negros na minha frente acena devagar.
— A sério, Samantha. — Ela olha para ele sem perceber. — O seu guarda-costas sempre me assustou, mas agora, como o seu noivo, aterroriza. — Levanta-se. —Devo saber algo sobre Theo? — levar as pastas que tinha na mesa do escritório.
— Nada. Só o nosso compromisso foi uma farsa, eu queria a imprensa, eu fiz tudo. — Samantha abandona o assunto, de pé, eu imito-a, ajudando-a com a cadeira. — Vamos? Tenho algo para fazer. — Fala comigo.
— Vamos lá. — A sentir-se desconfortável, damos as mãos, fingindo ser um casal feliz. — A raiva, toma conta dela. — Eu aviso o teu representante.
Samantha e eu saímos do escritório da representante em silêncio, deixando para trás a figura que influenciou sua vida profissional e modelo. Caminhamos juntos em direção ao elevador, evitando os olhares curiosos das pessoas ao nosso redor. É inevitável que todos queiram conhecer a noiva de Samantha Capelle, a grande estrela do mundo da moda.
Não posso deixar de sentir um desconforto crescente com a atenção que atraímos. Eu nunca fui fã de estar no centro dos olhos, muito menos da exposição pública que isso implica. No entanto, eu sei que isso faz parte do pacote, comprometendo-se com alguém como Samantha. Terei que me acostumar a cuidar e aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.
Enquanto esperamos pelo elevador, minha mente se enche de pensamentos sobre o futuro que nos espera. Eu sei que haverá mais momentos como este em que nosso relacionamento será exposto ao escrutínio público. Quando as portas do elevador finalmente se abrem, Samantha e eu entramos juntos, deixando para trás olhares curiosos e especulações. Por um momento, estamos sozinhos, longe do mundo exterior. É uma pequena pausa no meio do turbilhão de atenção e expectativas que nos rodeia.
“Como vive exposto a tudo? — quebrou o silêncio. — Realmente, gosta disto? — acena com um sorriso engraçado nos lábios. — Não consigo compreender-te. — Libertou-se sinceramente.
— O pai meu não e ele, eu não espero que você faça isso. — Eu a golpeu com meus olhos.
Decido ficar em silêncio. Cada palavra que eu pronuncio parece ser uma arma potencial nas mãos de Samantha, pronta para ser usada contra mim a qualquer momento. Ela gosta de me ver intrigada, me deixando louca com seus jogos mentais. Samantha é assim, uma vez que você ganha sua confiança, pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça.
Quando saímos do elevador, notei que Sabina colocou seus óculos de sol, escondendo o rosto atrás deles. É uma tática que conheço bem, uma maneira de se proteger do intenso escrutínio público que constantemente o rodeia. Os novos guarda-costas, enviados pelo meu futuro sogro, esperam no saguão do edifício. Sei que não preciso deles para proteger a Samantha, mas eu entendo que meu futuro sogro só quer o melhor para sua filha e acredita que dois guarda-costas ao nosso lado oferecem uma maior sensação de segurança.
Caminhamos em direção à saída do prédio, ladeado pelos guarda-costas. O olhar das pessoas recai sobre nós à medida que passamos, uns com admiração, outros com inveja ou curiosidade. É uma sensação estranha, ser o centro das atenções assim, mas sei que é algo com que vou ter de me habituar.
Quando entramos na rua, ela pega uma caixa de papelão no banco de trás do carro, já que eu quero entrar na dela e não na minha. Ele coloca a caixa nas pernas e olha para mim por um segundo eterno, enquanto eu não tiro os olhos da estrada.
— O que você fez agora? — murmurar pesadamente.
— Nada, não é mau. — Anunciar. — Nesta caixa existem cartões de crédito, débito, e, documentos legais que autorizam você a ser meu beneficiário se algo acontecer comigo. — Eu paro o carro no sinal vermelho do semáforo. — As chaves de um novo carro esportivo, uma cópia das chaves da casa do meu pai e...
— Do que está a falando? — Eu interrompo-a. — Não vou viver sem você, Samantha. — Rosna, ofendida pelas suas ações.
— Por uma vez na vida deixe de ser defensivo. — Peça num sussurro, irritante. — Apenas aceite, e sim, continue a fazer o que faz melhor. — Envolto uma das minhas sobrancelhas curiosamente.
— O que é? — Nada vem à mente.
— Cuide de mim. — Libertada com um olhar perdido na rua. — É verde. — Avise.
Eu começo o carro e nos afastamos das ruas caóticas da cidade. Enquanto dirijo, não posso deixar de refletir sobre a incrível demonstração de confiança que Samantha depositou em mim, desistindo de seu império. É um gesto que me deixa atordoado, fazendo-me questionar se eu realmente vivo até a responsabilidade que vem com ele.
Há anos que protejo a Samantha, primeiro como guarda-costas e agora como noiva. É um papel que tenho desempenhado com dedicação e determinação, mas assumir o controle total do seu império é um novo desafio para mim.
“Poderei corresponder às expectativas da Samantha?”