A Mensagem (Continuação)

4170 Words
No refeitório todas as mesas que eram redondas estavam ocupadas, com exceção de uma, após pegar nossas bandejas com almoço nos dirigimos a ela. Uma vez sentada observei o local, que tinha o formato de cúpula, no centro do refeitório avia uma árvore que junto com teto de vidro acima dela dava uma entrada de luz natural ao ambiente, nas paredes algumas caixas de som traziam música para o lugar e as várias mesas em volta da árvore levam-me a pensar que é um lugar bastante disputado pelos alunos. Em uma das paredes, uma escada levava ao segundo andar, que não ia até o meio, mas pegava todo o contorno do lugar. — Oi, Fê! Posso me sentar aqui? — Um garoto que parecia ter minha idade, de cabelos pretos e bagunçados caindo na testa, olhos verde-escuro, com cara de sono, apareceu do meu lado de repente, fazendo-me dar um pulo de susto na cadeira. — Pode Arthur! — Ele olhou-me antes de sentar, parecia espantado — Emma, esse é o Arthur, Arthur, essa é a Emma. — Ah! A garota nova! Muito prazer. — Não me espantei por ele saber que sou novata, isso deve estar correndo por todo o colégio. Arthur estendeu a mão para mim e depois do comprimento colocou o capuz do moletom na cabeça, ajeitou os braços de bruços na mesa já se preparando para tirar um cochilo. — Não pode dormir Arthur! — Ela mexeu nele para o manter desperto, mas aparentemente ele não ligava. Enquanto a Fernanda tentava deixar o Arthur acordado, peguei meu caderno de desenho da mochila e abri. Olhava para o desenho que tinha acabado de terminar. Uma estranha sensação dizia-me algo desse lugar, na qual tinha de descobrir se era boa ou r**m. E depois do que aconteceu na sala, o pensamento de ser algo r**m crescia na minha cabeça. — Pronta para perder de novo? — Novamente alguém apareceu do nada na mesa dando-me um susto, mas dessa vez, pude conter o pulo da cadeira. É uma garota de cabelos pretos que prendeu na hora a atenção da Fernanda, a menina chamou a atenção até do Arthur que a dois minutos atrás estava dormindo em pé e que agora parece que tomou umas dez xícaras de café. — Está contando vitória antes da hora Jennette, ela tem muita chance de ganhar esse ano — Arthur falou. Eu não sei do que eles estão falando, mas os outros alunos nas mesas pareciam saber qual era o assunto, então logo tínhamos uma pequena plateia. — Fala sério, Arthur. Sabe que ela não tem como me vencer, assim como nos outros anos, não é mesmo Eitan? — Os dois viraram na minha direção esperando algo. — Eitan?! — O quê? — Me virei rápido e fechei o caderno quando reparei que tinha um garoto loiro de olhos castanhos atrás de mim, que por cima do meu ombro estava olhando meu desenho. A garota Jennette deu-me uma olhada rápida e voltou sua atenção para o tal Eitan. — Não é mesmo que a Fernanda não tem como me vencer esse ano? — A Jennette refez a pergunta. — É obvio! Assim como o Arthur, não tem como me vencer! — Qual é Eitan. Nem você, venceu uma até hoje, ficou sempre em segundo lugar. — Fernanda retrucou — Tanto eu, como o Arthur temos chance. — Eitan foi bravo para o lado da Jennette. — Posso nunca ter ficado em primeiro lugar por causa daquele garoto, mas ele não está mais aqui e o Arthur nunca passou de mim, então eu tenho a vitória. — Deixa eles, não vale a pena discutir com gente de QI abaixo do nosso. — Disse a menina Jennette debochando. — Como é? — Fernanda teria ido para cima da Jennette se Arthur não a tivesse segurado e isso chamou a atenção de mais gente. — É! Vamos ser sinceros, vocês têm inveja de sermos os melhores e estão se contorcendo por dentro por causa disso. Talvez algum dia vocês consigam chegar ao nosso nível. — Eitan falou, deixando Fernanda e Arthur furiosos. Jennette então caiu na gargalhada. — Não dê falsas esperanças a eles Eitan. Vamos, já estou cansada dessa conversa. — Vamos! Mas antes. — Ele aproximou-se de mim, os olhos da Jennette nele. — Você desenha bem garota! Espero nos vermos mais vezes. — Não tive reação, mas se ele pensou que ao me fazer um elogio ia fazer eu o ver de uma maneira boa, está muito enganado. Eitan sorriu para mim, deu meia volta e foi em bora passando pelos alunos que ali estavam. Enquanto ele se afastava, os outros estavam me olhando, senti o olhar furioso de muitas garotas em cima de mim, mas o olhar que mais pesou foi o de raiva da Jennette. Depois que ela saiu, a multidão foi se dissipando, até restar Arthur e Fernanda me encarando. — O que foi isso? — Arthur perguntou se virando para Fernanda, que logo o respondeu. — Isso foi o Eitan mostrando para todos que se interessou pela Emma. — Ela se virou para mim. — Você vai sair da escola? — Como assim? Hoje é meu primeiro dia. — Comentei. — As garotas com quem Eitan fica não permanecem muito tempo aqui. — Arthur falou. — Ninguém sabe o porquê. — Bom! É melhor ele não criar expectativas — Falei de uma vez, pegando minha comida da bandeja. — Não vai acontecer nada entre nós. Eu saindo ou não do colégio. — Decidida! Legal. — Arthur falou e ambos, que estavam até agora de pé, sentaram. — Posso perguntar? Por que vocês estavam discutindo antes? — Perguntei. — Por causa da competição anual. — Fernanda respondeu — Todos os alunos participam e ela vale oitenta por cento da nota escolar. — Mas a garota e o garoto que ficarem em primeiro lugar ganham alguns prêmios. — Arthur continuou. — Eu ignoro para os prêmios, só quero tirar a Jennette do pódio. — Fernanda tomou a palavra. — “oitenta por cento”, que tipo de competição é essa? — Fernanda se concentrou em comer seu próprio almoço, deixando para Arthur me responder. — É uma prova. Todos os alunos a partir do sétimo ano realizam uma igual no mesmo dia. Ela contém conteúdo que já estudamos e que vamos estudar. — Após responder, Arthur pegou a maçã que tinha na bandeja da Fernanda e deu uma mordida. — Fala sério, Arthur! Vai lá pegar seu almoço — Ele sorriu para ela e deu outra mordida, enquanto ela bufava e afastava sua bandeja dele. — Continuando, em alguns anos pegamos até provas que tinha conteúdo de faculdade, mas essas são muito difíceis. Acho que só teve um aluno até agora que conseguiu fazer e ele não conseguiu acertar todas não. — Foi aquele do qual estavam falando, o que vencia o Eitan? — Perguntei lembrando-me da discussão. — Foi! O Johnny é o garoto mais inteligente que essa escola já teve até hoje. — Assim que Fernanda falou o nome do meu irmão, eu liguei os pontos. Era óbvio. Como não avia percebido que era ele? Tenho que falar com o Johnny quando for para casa, o que ele fez é muito perigoso. Espero que as pessoas da qual o papai e a Vovó falaram não o tenham percebido. — Emma, tudo bem? — Fernanda me olhava, seu rosto preocupado. Já Arthur, estava com sua atenção na maçã ainda não acabada. — Sim! Eu só estava pensando. — De repente escutei as vozes do rádio mais altas e o refeitório ficou em silêncio, pude ouvir umas três vozes diferentes. — É isso aí, alunos, a quinta-feira começou com novidades — Iniciou um garoto — a primeira delas é que as aulas extracurriculares de teatro estão com tudo para a apresentação para daqui há um mês. — O refeitório inteiro bateu palmas e pode ouvir assovios dedos pôr alguns alunos. — E o time de futebol não vai ficar para trás. — Continua outro — Trazendo, pelo que todos esperam, o troféu para nós. Sem pressão, é claro. — O refeitório caiu na risada e um grupo de pessoas se levantou pelo lugar puxando torcida. — Indo para um tópico um pouco mais sério. — Tomou a voz, uma garota — A prova anual está para daqui a duas semanas, então a biblioteca está funcionando até as dez da noite, aproveitem esse tempo. — E a última notícia do dia — Retornou o primeiro — Como alguns já devem ter percebido, temos uma aluna nova no Colégio Olhar Oculto — Isso me pegou desprevenida e percebi o olhar, não só do Arthur e da Fernanda na minha frente, mas o de várias pessoas em volta. — De todos os alunos e professores, seja bem-vinda Emma, esperamos que se sinta à vontade. — Depois que o garoto terminou de falar, uma música começou a ser tocada. Com certeza eu não estava à vontade. Senti que queria desaparecer. — Eles podiam falar isso no rádio? — Arthur pergunta para Fernanda. — Não sei. Só sei que é vergonhoso e desnecessário. Eles não precisavam fazer isso — Se antes alguém não sabia da minha existência nesse colégio, agora todos estão sabendo e de uma forma que não gostaria de lembrar. *** Última aula do dia e depois dos eventos de hoje preciso de um descanso. O sinal toca dando fim a última aula. Guardo minhas coisas e vou saindo da sala, passo pelos alunos o mais rápido possível tentado ignorar os olhares, estes que estou cansada de receber e infelizmente tão cedo não vão parar, como disse a Fernanda, sou novidade. Desço as escadas e vou em direção ao corredor de armários para acessar os prédios de dormitórios. Percebo Fernanda e Arthur conversando em frente a um armário e me aproximo deles — Sério que você não vai? Fê. Tínhamos combinado que iriamos estudar hoje na biblioteca — Fernanda o ignora e fecha o armário, esse que se tranca logo em seguida. — Vou estudar com as meninas no quarto. Wanessa pediu minha ajuda e não quero desapontá-la — Mas aí você está me deixando na mão. Qual é? Uma noite. — Ele junta as mãos implorando, já percebi que esse é um costume dos dois. — Amanhã é sexta, você pode ajudá-la de noite e depois vocês fazem uma festa do pijama maluca, ou sei lá o que. — Desculpe Arthur, mas não vou desmarcar. — Arthur faz um cara sério e depois levanta uma das sobrancelhas com um olhar questionador. — Desembucha. O que elas te prometeram dar se você fizer isso? — Ela começa a rir deixando evidente que Arthur tinha acertado. — Não vou contar, pelo menos não agora. — Então ela me pega pelo braço e sai me puxando pelo corredor. — Ele me conhece tão bem que chega a ser bizarro quando percebe algo. Mas e você o que vai fazer agora no final de tarde? — Vou pro meu quarto, depois, talvez, eu vá ler um livro. — Em que prédio fica seu quarto? — No último. — Ela me para e se vira para mim. — Você fica no prédio Das Neves? — Fico sem entender sua pergunta em relação ao das neves, mas afirmo com a cabeça sabendo que ela se refere ao mesmo prédio. — Nossa! Mas por que será que eu não imaginei isso? — Isso, o quê? — Pergunto totalmente perdida na conversa. — E por que você se refere a ele como “das neves”? — “Das Neves” é como os alunos chamam o prédio dos riquinhos. Ele é o que possui a coruja com seis penas na frente. A maior parte dos alunos metidos ficam naqueles dormitórios, os três melhores quartos também ficam lá. E você fazer parte dele não é estranho — Abaixo minha cabeça um pouco incomodada — Não que você seja metida, nem todos de lá são assim. Mas você ter entrado no colégio no meio do ano é indício, sem querer me meter, que você tem dinheiro. — Entendi, mas por que “das neves”? — Pergunto voltando a caminhar. Passamos por alguns alunos no pátio, a maior parte deles estão sentados no chão ou nos bancos embaixo das árvores conversando. — É referente a coruja-das-neves, não sei porque, mas alguém chamou assim e o apelido pegou. — Ela parou em frete a um dos prédios e reparei na coruja deste, ela possuía quatro penas destacas. — Os outros prédios não têm nomes como o Das Neves, o que é uma pena. Arthur já tentou colocar apelido no dele, mas não aconteceu. Bom, agora eu tenho que ir. Wanessa deve estar me esperando. Vejo você no jantar. Então ela saiu andando em direção ao prédio e me virei para ir ao meu. Quando entrei três pessoas já estava esperando o elevador, assim que chegou entrar e todos os botões foram acionados por um garoto. No momento que cheguei no meu andar sai em direção ao quarto. Vasculhei minha mochila procurando o cartão até que lembrei onde tinha colocado, o passei na porta e abri. Na hora que entrei reparei nas meninas sentadas no sofá, uma ruiva e outra loira, ambas ainda de uniforme, mas diferente de mim, elas estão sem o casaco e usando saia ao invés de calça, elas me olharam e depois voltaram a conversar indiferente a mim. As ignoro e vou até minha cama, onde está minhas coisas. Me sento e pegou o celular para olhar as mensagens. Recebi só uma mensagem, da minha mãe me perguntando como que foi meu dia. A respondo brevemente, sei que conversaremos melhor quando estiver em casa no sábado. Repentinamente a porta que penso ser do banheiro se abre e uma garota n***a aparece. Essa está usando calça e moletom do colégio, seu cabelo castanho está preso em um coque. Ela olha para mim me analisando de cima a baixo, depois vai para a sua cama e pega o equipamento de esgrima saindo pela porta do quarto. Parece que nenhuma das garotas gostou de mim, tomará que isso não faça nossa convivência nesse quarto difícil. Peguei minha mochila e a abri. Com o livro que encontrei, na mão, vasculho suas páginas procurando alguma coisa que possa fazer sentido, tanto com a caverna onde o encontrei quanto com o espírito que me guiou até ela. Vasculho na minha mochila meu caderno com o desenho da clareira. Olho o desenho tentando encontrar alguma coisa que faça sentido nesse quebra-cabeça. O local era no meio do nada, as árvores formavam um círculo tão perfeito, os cogumelos em cada um ficavam incandescentes no escuro, além é claro do fato que a caverna começou a desabar na minha cabeça. Se avia algum sentido no que estava acontecendo, eu ainda não avia encontrado. Frustrada, guardei tudo de volta na mochila e suspirei pesado. As coisas já eram estranhas na minha vida, mas ela ainda conseguia se tornar mais estranha. Peguei meu cartão do quarto, fui até as meninas que continuavam a conversar no sofá. — Com licença? Eu me chamo Emma. — Falei para ambas me ouvirem. Elas me olharam e fizeram cara f**a de nojo — Não queria incomodar vocês, mas poderiam me dizer onde fica a biblioteca? — Queria ler alguma coisa para passar o tempo e como esqueci em casa o livro que Johnny terminou só para eu ler, decidi passar na biblioteca para conhecê-la e encontrar algo para me entreter. — Você já está incomodando. E não! Não vamos dizer onde fica a biblioteca. Se vira e vai procurar sozinha — A menina ruiva do lado ri com a resposta da amiga e voltou a conversar com ela como se eu não existisse. A atitude dela me incomodou, mas não me deixei levar por sua arrogância e fui até a porta do quarto. Se elas querem e continuarem a agir assim, uma hora pode ser eu ou outra pessoa, mas elas vão ouvir e podem acabar se arrependendo. Sai pela porta indo em direção ao elevador. Tinha bastante tempo para me entreter até o jantar, uma das melhores formas era usar isso para conhecer o colégio e a biblioteca. De qualquer forma, estaria ocupando meu tempo. Assim que cheguei no térreo, passai direto pelos alunos que ainda estavam curtindo o resto do dia do lado de fora e entrei no corredor dos armários e fui em frente ignorando os olhares que caiam sobre mim. Quando avistei a encruzilhada do corredor, continuei em frente pelo vasto corredor que seguia. Passando por salas de aulas, agora vazias com o final das aulas. Caminho apenas para conhecer o colégio, sem um lugar específico para ir. Então parei no meio do corredor escutando algo, um som bem familiar, passei perto das portas verificando as salas do corredor, assim que achei de onde vinha o som, abri a porta e me deparei com uma disputa muito boa. Era a sala de esgrima e a dupla na minha frente estava bem empolgada com as estocadas e guardas, passei por eles para observar melhor o lugar. A sala era bem grande, tinha bonecos de aprendizagem amontoados em um canto, na minha frente as arquibancadas estavam expostas para se sentar e nas paredes tinha vários equipamentos. Pela sala estava seis pistas de esgrimas, uma do lado da outra, todas sendo usadas. Todos os alunos estavam fazendo luta de espadas e a cada momento uma lâmpada de cada lado acendia, indicando ponto de alguém. — Com licença? Você não é aluna de esgrima. E os testes não são hoje. O que faz aqui? — Me virei para quem falava, um homem magro e alto, estava usando o traja de esgrima, com exceção que estava sem capacete, a espada estava em sua mão direita. — Desculpe incomodar. Estava só olhando e já vou em bora. — Emma! — Olhei para quem me chamava. Pela voz pude supor que era um garoto. Ele se aproximou e tirou o capacete se revelando. O homem estava até agora me olhando. — Oi Arthur! Não sabia que você vazia esgrima. — O assunto não tinha sido abordado ainda. — Só um instante, você é Emma Lee? — Assenti com a cabeça. — A Sra. Stewart me falou para pô-la na equipe, mas depois falou que você preferiria fazer o teste. Não entendi o porquê da mudança, mas se quiser pode fazer o teste hoje. — Olhei para Arthur que tinha uma feição confusa. — Obrigada! Mas farei no dia como os outros alunos. — Como desejar Srta. Lee — Ele estava me tratando diferente, mas não faço ideia do porquê. — Se mudar sua decisão pode vir aqui, tudo bem? — Afirmo e ele se retira, deixando Arthur e a mim sozinhos. — Certo! Isso, foi estranho. Ele não é de abrir acessão. Principalmente para alguém fazer parte da equipe. Me conta, o que aconteceu? — Vi que estava confuso, mas não podia contar o que ele queria saber. — Nada. Ouve apenas uma confusão quando entrei no colégio, já foi resolvido. — Tudo bem. Eu não sabia que você fazia esgrima também. — O assunto não tinha sido abordado ainda. — Repito o que ele tinha falado e começamos a rir. O homem então o chama e ele se despede falando que nos encontraríamos no jantar. Depois de Arthur sair, dou mais uma olhada pela sala e me dirijo a saída. Depois de um tempo no corredor, achei a sala de dança, música e os ginásios do colégio, todos estavam bem perto um do outro. No final do corredor avistei uma porta dupla, me aproximei dela e vi que ela dava para outro pátio do colégio. Esse era maior que os outros, muito mais arvores estavam pelo lugar, mais um pouco a frente tinha uma estátua de bronze, a qual me aproximei para olhar de perto. Reconheci o rosto do meu bisavô, no pé da estátua tinha uma descrição de quando tinha sido feita, em mil novecentos e quarenta e oito, o ano de inauguração do colégio. Passei pela estátua olhando ao redor. De cada um dos meus lados tinha um prédio, me aproximei de um deles e vi na gravação da porta que estava escrito biblioteca, não esperei mais tempo e já fui entrando. O lugar era muito bonito, na minha frente dois corredores de mesas com cadeiras, várias delas ocupadas, do meu lado uma escada pro segundo andar, em algumas paredes estavam expostas às janelas e no teto um enorme lustre pendurado. Prateleiras cheias de livros, tanto no primeiro andar quanto no segundo, A bibliotecária ao fundo mexia no computador enquanto atendia um aluno. Me aprecei a chegar em um estante e ver os vastos livros que ela continha. Passei pelas estantes apenas observando, várias vezes peguei um livro ou outro para dar uma olhada. Num momento avistei um com uma capa interessante, o peguei na mão e olhei. Era uma menina vestida de vermelho com um cabelo castanho cacheado, ela segurava uma lamparina na floresta de noite, o título “A Fada” bem destacado. Fui com ele até uma mesa desocupada e me sentei para começar a lê-lo. Assim que comecei a ler fui entrando cada vez mais no personagem e na história. Envolvida pela trama, me deixei guiar pelas palavras. As horas foram passando, só me dei conta que estava na hora do jantar porque os alunos começaram a sair. Alguns foram até a bibliotecária para levar o livro por um tempo. Me juntei na fila de alunos em frente à mesa dela. Depois de alugar o livro, segui os alunos porta afora em direção ao refeitório. Uma vez lá peguei meu jantar e me juntei a Fernanda e Arthur que já estavam em uma mesa, essa dessa vez perto da árvore que agora está iluminada por luzes por toda a sua volta, deixando-a mais bonita. — Ah! Aí está você. Estava perguntando agora pro Arthur se ele tinha te visto e de acordo com ele, você faz esgrima. Quando ia nos contar? Olha que não gosto de segredos, principalmente quando são dos meus amigos e se descubro sozinha fico bem chateada. Arthur é prova disso. — De novo ela começou a falar sem me deixar responder, Arthur olhou para mim e começou a rir. — E eu sempre descubro. Sou culpada por correr atrás das respostas, mas meus amigos também são de me esconder. Então, já vou avisando. Não esconda nada de mim se não… — Deu Fernanda. Ela já entendeu — Ele falou — Mas o que ela falou é verdade Emma. Ela sempre descobre os segredos, não sei como, mas ela dá um jeito. — Com essa informação eu faço uma nota mental para sempre cuidar o que fala perto deles, principalmente da Fernanda. — Mas e aí o que ficou fazendo? — Fui conhecer o colégio e procurar a biblioteca. E respondendo sua pergunta, Fernanda, eu não contei que praticava esgrima porque o assunto não tinha sido levantado. — Então vai fazer o teste? — Ela pergunta — Vou! E como entramos nessa conversa, alguém me explica. Como me candidato pros testes? — É fácil! Do lado de fora da sala tem um mural. Nele tem uma folha escrito testes, é só colocar seu nome lá. — Explica Arthur. — Mudando de assunto. Achou a biblioteca? — Respondo com um sim de cabeça e começo a comer. — Estava muito cheio? — me apresso a engolir a comida para então respondê-la. — Não. Eu até achei que tinha poucos alunos, já que a prova anual está se aproximando. Pensei que estaria lotado. — A maior parte deles não gosta de usar a biblioteca, assim alugam o livro que precisam e estudam nos quartos ou ao ar livre de debaixo de uma árvore, o que, aliás, é muito bom. — Comenta Arthur depois de beber seu suco. — Faço isso direto, só fico na biblioteca quando estou na companhia de mais alguém, tipo a Fernanda, estudamos bastante juntos. Comemos e observo o lugar de novo, até que reparo nos professores no outro lado do refeitório. — Eu não tinha visto os professores no almoço. Eles comeram aqui? — Não. Eles não estavam no almoço. Eles só tomam café e jantam com os alunos. — Responde Fernanda. — No almoço eles ficam na sala dos professores, não sabemos o porquê. — Pelos professores não almoçarem conosco é que Jennette e Eitan vieram nos incomodar, eles não ariscariam com eles por perto. Terminamos de comer e depois da sobremesa, todos voltamos para nossos dormitórios. Assim que cheguei no quarto, vasculhei na minha mala, o meu pijama e fui pro banheiro tomar um banho. Depois do banho voltei pro quarto para me deitar, estava bem cansada, as meninas me ignoraram como mais cedo e foram pro banheiro, não me importei e fui dormir, pois teria mais um dia cheio amanhã.
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