O Colégio Interno Olhar Oculto, era um pouco afastado por conta da sua estrutura, levamos cerca de quarenta minutos para avistarmos seus grandes muros da estrada. Eles eram feitos de pedra e tinha mais de três metro, as grandes árvores que tinham na propriedade dava aparência de ser um ambiente muito tranquilo atrás daqueles muros. Quando chegamos dei uma olhada no portão de arco, ele era tão alto quanto o muro e duas estatuas de coruja estavam postas, uma de cada lado. Na entrada dois guardas estavam parados, as roupas de ambos eram pretas, a logo do colégio estava do lado esquerdo do peito e eles usavam um quepe de couro com detalhes em prateado. Johnny abaixou o vidro do carro quando um deles veio até nós e o outro ficou ao lado do intercomunicador que estava no muro ao lado do portão.
— Bom dia! Somos os Lee, a Sra. Stewart está nos esperando. — O homem acenou com a cabeça e deu sinal para seu companheiro que abriu o portão para passarmos.
O caminho até a porta do colégio era composto de um lindo jardim com árvores, arbustos, flores e bancos que estavam ocupados por alguns alunos que conversavam e estudavam. Na entrada uma mulher nos esperava à frente dos degraus. De repente uma sineta tocou, os alunos antes sentados nos bancos e na grama se levantaram, pegaram suas coisas e se dirigiram em direção ao prédio, pelo caminho vários deles olharam em nossa direção e nesse momento fiquei feliz que o vidro do carro era escuro, impossibilitando de nos verem. Johnny parou o carro no lado da escada e quando todos já aviam entrado, ele desceu para tirar minhas coisas do porta-malas.
— Sr. Lee! É bom vê-lo novamente. — Falou a mulher se dirigindo ao Johnny que já avia tirados minhas coisas do carro e agora a olhava. Respirei fundo e sai indo até eles para pegar minha mala e mochila.
— É bom vê-la também, Sra. Stewart. Essa é minha irmã, Emma. — A mulher a minha frente com toda a certeza é alguém muito importante no colégio da minha família. Trajava de uma roupa social que dava a ela total superioridade, cabelo preto, liso e comprido preso em um coque. Olhos de um verde-escuro que mostrava que era de total confiança e muito alegre, mas que também mostrava que não era alguém que se deixava intimidar e isso me fez perceber que não era bom ter essa pessoa como inimiga.
— Prazer em conhecê-la Sra. Stewart. — Levanto minha mão para cumprimenta-la e ela aperta.
— O prazer é todo meu Srta. Brook. — Me espanto, ela sabe quem eu sou! Não sei como ela descobriu, mas preciso contornar isso. Busco com o olhar ajuda do Johnny para me ajudar a sair dessa situação, mas assim que ele me olhar começa a rir e a mulher na minha frente também não se segura deixando escapar um sorriso. — Sim, Emma Lee Brook. Eu sei quem você é, mas não se preocupe, sou a única que sabe e seu pai só me autorizou a chamá-la pelo sobrenome Brook quando estivermos Assôs. Assim como aconteceu com seu irmão, você será só Lee para as outras pessoas.
— Sua cara foi muito engraçada. — Olho pro Johnny que ainda estava rindo de mim. — E não me olha assim, você também teria rido no meu lugar.
— Vamos resolver isso na partida de sábado quando eu estiver em casa e veremos quem ri por último — Agora foi minha vez de rir, ele sabe que acabei de desafiá-lo no vídeo game com direito a um prêmio escolhido numa loja pelo vencedor e nós dois sabemos que sou melhor que ele.
— d***a, acabei de arranjar um problema. É melhor eu ir para começar a treinar. — Rimos nos esquecendo completamente que a Sra. Stewart estava conosco. — Venho buscá-la sexta as sete horas da noite — Aceno com a cabeça e ele vai pro carro para ir em bora.
— Vamos entrar Srta. Brook? — Confirmo e já pegando minha mala e mochila, nós subimos os degraus e passamos pela porta. Quando entro fico maravilhada com o lugar, no teto um lindo lustre pendente está iluminando o lugar, do lado esquerdo tem uma recepção com algumas cadeiras de espera, nas paredes tem duas fotografias, uma do primeiro diretor, um homem careca de trinta anos usando uma camisa branca com uma gravata e a outra o meu bisavô Charles Brook, de mais ou menos quarenta anos, cabelos pretos e usando um paletó. Na minha frente e direita estão dois longos corredores. — Os dormitórios ficam em outro prédio. Só um instante, vou chamar alguém para levar suas coisas ao quarto.
— Não! Não precisa — Ela me olha. — Gostaria de levar eu mesma, assim já aprendo o caminho.
— Certo. Vou levá-la até lá, mas não gostaria que eu pedisse a alguém que carregue sua mala?
— Não precisa, posso carregá-la. — Ela assente e me leva pelo corredor.
— Sabe Srta. Brook, fiquei espantada que você não queria ter seu próprio quarto. Você poderia ter um só para si.
— Quantos alunos tem seu próprio quarto nesse colégio, Sra. Stewart? — Pergunto para ela já sabendo que o número é bem pequeno ou talvez até nulo.
— Três. Um deles é para alunos que, como você, descendem dos Brooks e esse quarto só pode ser ocupado por vocês, os outros dois são para qualquer outro aluno. — E aí está o motivo. Não sei porque dois alunos têm seu próprio quarto, mas estou certa em pensar que não conseguiram logo que chegaram ao colégio. Já sou a novata, não quero ser a novata que já tem seu próprio quarto porque é privilegiada. Penso em falar isso, mas desisto.
— Bom, acho que dividir o quarto é uma boa forma de fazer amigos — O que não está errado, posso realmente fazer amizade com minhas colegas de quarto.
— Como desejar, mas se quiser o quarto, é só falar comigo. — Afirmo com a cabeça. Então percebo que já não estamos mais no prédio de entrada, à nossa frente está um corredor que se estende para a frente, para a direita e para esquerda, as paredes estão repletas de armários e alguns alunos estão pegando e colocando seus pertences neles. — O seu armário é o do número cinquenta e nove, iremos passar por ele na ida para os dormitórios. Todos os armários se abrem com a digital do aluno.
Seguimos pelo corredor esquerdo e com forma passamos, os alunos olham em minha direção. Percebi também portas de salas, nelas escritas as séries das turmas, aparentemente do primeiro ao quinto ano. A Sra. Stewart mostra meu armário, passa um cartão no leitor da porta e me dá passagem para eu colocar meu dedo no escâner, assim que meu polegar entra no sistema o escâner fica azul, após testado continuamos em direção aos dormitórios. No final do Corredor passamos por uma porta dupla que está aberta.
— Este é um dos pátios e os dormitórios ficam naqueles prédios. — Olho para o lugar a minha volta. Uma grande área tanto com piso quanto com grama, as arquibancadas de pedras e os bancos recebem sombras das enormes árvores plantadas pelo local. Mais adiante tem seis edifícios, todos espalhados pelo lugar, cada um com um caminho protegido por uma área coberta. — Venha comigo por favor, vou mostrar seu quarto.
Em quanto passávamos por eles, reparei que em todos tinham uma estátua de coruja com asas abertas ao lado da porta. Todas eram de bronze, mas uma coisa as diferenciava, suas asas. Elas tinham algumas penas destacadas em prata. Em quanto uma coruja tinha apenas uma destacada em suas asas, as outras tinham duas, três, quatro ou cinco.
— Este é o prédio que fica seu quarto — A asa da coruja aposta desse, tinha seis penas destacadas. Quando entramos, me deparei com dois elevadores a minha frente, ao lado de cada um deles tinha um botão de touch e acima de ambos tinha um display indicando o andar. Do lado direito tinha um corredor que devia dar para alguns dormitórios e a minha esquerda tinha uma escada — Todos os prédios são mistos e cada quarto tem seu próprio banheiro.
Ela chamou um elevador, que não demorou a chegar e quando entramos, tocou no botou na qual tinha o número três. Saímos do elevador passando por alguns quartos, então ela parou, indicou uma porta e me entregou um cartão.
— Quarto trinta e quatro. — Passei o cartão no leitor da porta e quando ela abriu, entrei com minhas coisas. O quarto é bem espaçoso, tinha quatro camas, sendo duas delas um beliche que se encontrava ao fundo e as outras duas estavam ao lado, separadas apenas por mesinhas-de-cabeceira. Um sofá e alguns pufes, junto a uma mesa de centro, ocupavam o meio do quarto. Nas paredes estavam três escrivaninhas compostas cada uma por um abajur, ao lado delas tinha uma porta que devia dar para o banheiro e o quarto inteiro era iluminado pelos raios de sol que entravam pela janela, tornando a inutilidade das luminárias no teto durante o dia. — Sua cama é a do canto, mas se quiser falo com as meninas para você pegar outra.
— Aquela está boa — Vou até ela colocando minhas coisas ao seu lado e o cartão em cima da mesinha-de-cabeceira, depois dou mais uma olhada pelo quarto e é aí que meus olhos caem em um kit de esgrima do lado do beliche. — Qual das meninas faz esgrima? — Pergunto já me aproximando do kit.
— Não sei ao certo. — Ela responde — Seu pai me falou que você pratica esse esporte. Tenho certeza que irá gostar de fazer parte da equipe do colégio, já falei com o Sr. Johnson para inseri-la imediatamente.
— O quê? Você me colocou no Equipe? — Pergunto espantada e temerosa.
— Sim! Já está tudo encaminhado para você começar.
— Mas os alunos não fazem testes para entrar nas equipes do colégio?
— Sim. Mas acredito que por você já fazer esgrima há anos, não teríamos que nos preocupar com suas habilidades. — Sei que não é isso, de novo ela está me dando privilégios devido ao meu nome. Percebo que terei que falar sobre isso com ela.
— Olha Sra. Stewart, eu gostaria de pedir que a Sra. pare de me tratar diferente por causa do meu nome. Quero ser somente mais uma aluna nesse colégio.
— Desculpe e entendo Srta. Brook. Seu irmão me pediu a mesma coisa quando estudava aqui. Farei o possível para acatar seu pedido — Fico feliz com sua resposta, não queria soar grossa. O fato do meu irmão ter pedido a mesma coisa quando estudante não me espanta. Ele, mais do que eu, não gosta de ser tratado diferente. — Devo entender então Srta. Brook que você não vai entrar no time de esgrima?
— Se a Sra. concordar, eu gostaria de fazer o teste. — Ela assente para mim, mostrando que não se incomodava com minha escolha.
— Muito bem, então Srta. Brook, você gostaria de ser apresentada ao resto da escola por mim ou por um colega de classe? Se quiser, peço a uma das meninas com quem divide o quarto que mostre tudo para você.
— Não precisa Sra. Stewart. Se não se importa, gostaria de ficar a par da matéria em que meus colegas estão, assim não fico tão longe deles nos estudos — É claro que não estou preocupada com meus estudos, mesmo ela sabendo algumas coisas sobre mim, sei que dessa parte ela não sabe. Então posso ficar tranquila que ela não vai estranhar o fato de eu querer me entender na matéria. — Caso eu me perca na escola, peço ajuda a alguém. Pode ficar despreocupada.
— Certo. Pode vir comigo então Srta. Brook, a levarei até sua sala. — Pego somente minha mochila para a aula e sigo a Sra. Stewart. Quando estou para passar pela porta ela para. — Leve o cartão Srta. Brook, Ele é seu e somente seu. Cada aluno tem seu próprio cartão, cada um com um acesso diferente para si. Você, por exemplo, tem seu quarto e futuramente a sala de treino de esgrima. — O pressentimento me diz que mesmo que eu não passe no teste, terei acesso a essa sala.
Volto para a mesinha-de-cabeceira e coloco o cartão no bolso da frente na mochila, depois me dirijo a Sra. Stewart e passamos pela porta que se tranca assim que fechada. Ela me leva pelo corredor novamente em direção ao elevador. Quando chegamos no térreo do prédio me deparo com meu primo esperando o elevador. Sua cara transmitia espanto e felicidade.
— Emma!? O que faz aqui? — Não deixo de rir. Sua cara estava muito engraçada.
— Vim estudar, George. O que mais se faz em um colégio? — Ele ri da minha resposta, um sorriso puro e contagiante que me faz rir mais e a Sra. Stewart ao meu lado não fica para trás, nos acompanhando. É muito bom ver meu primo de novo, a última vez que nos vimos foi no meu aniversário em março. Ele cresceu bastante, provavelmente teve que pedir outro uniforme que serve-se nele, seus cabelos loiros estão bem dourados e cacheados, seus olhos cinzas com azul parecem transmitir muita alegria, mas ainda carregam a dor. Como ele está parecido com o pai dele.
— Vou esperá-la lá fora Srta. Brook. — Agradeço e então ela nos deixa sozinhos.
— Eu devia ter intendido quando vi seu uniforme, pergunta burra eu sei. É que achei que você só viria ano que vem para cá. Foi uma surpresa te encontrar aqui. — Ouvir ele falar de uniforme me fez olhar para ele. Estava vestido como eu, a única coisa que mudava era a cor de suéter que era azul-marinho.
— Entendo. Vem cá, deixa te dar um abraço. — Ele se aconchega em meus braços em um abraço bem apertado e reconfortante tanto para mim quanto para ele que carrega mais o peso da perda. — Como você está? E tia Rute?
— Estou “seguindo o fluxo”, como ele dizia. — Seu rosto fica triste e o aperto mais ele em meus braços — Vai fazer um ano. Mamãe está bem abalada, escuto ela chorar às vezes. Eu... também me deixo levar com as memórias e choro bastante. — Escuto ele fungar e vejo as lagrimas descer por seu rosto, o aconchego mais em meus braços.
— Não posso dizer que vai ficar tudo bem, porque não conheço a dor dessa perda. Sinto a dor da perda de um tio muito querido e você sente de um pai, amável, carinhoso, amigo, conselheiro... Eu não posso imaginar a sua dor, mas minha mãe diz que a dor e a saudade vão ficar mais fáceis de carregar com o tempo. Então se de tempo, está bem? — Ele assente para mim e limpa suas lagrimas na manga do casaco. — Vamos mudar de assunto. — Sorrio e ele me acompanha.
— Certo. Que bom que você está aqui... Apesar de não intender o motivo que lhe fez vir antes, estou feliz em ter minha prima por perto — rio, apesar de ser triste esse fato. Não nos vermos tanto quanto gostaríamos, só nos vemos em datas comemorativas. Meu pai não acha seguro, minha tia e meu primo saberem da nossa condição, acha perigo e depois da morte do tio Bryan ele quer mantar eles o mais longe possível dos perigos.
— Meu pai quis me colocar um pouco antes no colégio, só isso. Estou feliz em ver você, cresceu bastante nesses meses.
— Cresci, né? Mamãe fala que ando comendo muito o bolo da Alice no País das Maravilhas — Rimos da insinuação — Olha Emma... agora eu tenho que ir, tenho aula. Vim buscar uma coisa no meu quarto, mas meu professor vai ficar bravo se eu demorar mais.
— Tudo bem. Mas sempre que precisar de mim, pode me chamar está bem? Sempre! — Ele assente para mim, me abraça mais uma vez e entra no elevador. Quando a porta do elevador fecha me dirijo a saída do prédio onde a Sra. Stewart está me esperando pacientemente.
— Desculpe a demora Sra. Stewart.
— Não foi nada. Espero que o Sr. Lewis fique melhor com um parente a mais por perto que o ajude a passar pela dor. — Concordo e voltamos a caminhar. — Você deve ter reparado que para esses lados só se tem o pátio com os dormitórios. Depois tem os corredores com os armários dos alunos que se estende por quatro corredores e cada um leva a mais áreas do colégio. Também não podemos esquecer dos andares superiores com mais armários e salas, os ginásios, refeitório, biblioteca e outros locais que com certeza irá de ver mais cedo ou mais tarde. Seu bisavô fez um excelente colégio e seu pai o vem atualizando como pode com as tecnologias, fazendo assim este ser o melhor colégio do país.
Meu pai fez muitas mudanças no colégio com o passar do tempo, foi inserindo vários tipos de tecnologias e muitas estão instaladas lá em casa, principalmente na sala do meu pai onde ele passa a maior parte do tempo de trabalho. Johnny está com ele às vezes aprendendo e se preparando para cuidar do colégio. Não duvidaria que as próximas mudanças aqui sejam por parte, ideias dele.
Entramos de novo no corredor de armários e seguimos adiante. Novamente alguns alunos me olham, está tão na cara que sou aluna nova ou é só por que a diretora está do meu lado?
— Sua primeira aula está sendo história, depois será geografia. Vou pedir que um funcionário lhe entregue seu horário de aula antes do almoço, assim você ficará a par das suas aulas. Inicialmente você se apresentará para os professores toda vez que chegar em sala, para eles saberem quem é você. E a Srta. já está inclusa na chamada de aula.
Agradeço a ela e dobramos o corredor a esquerda, logo subindo as escadas. No segundo andar nós continuamos em frente ignorando os corredores da direita e esquerda. Com forme passamos, portas de salas começam a aparecer, todas rotuladas com uma matéria. Vamos mais a fundo no corredor e começamos a diminuir os passos quando avistamos uma porta escrita história nela, paramos em frente a porta e a Sra. Stewart bate e não demora a ser atendida por um homem, este, que parecia ser bem velho e baixo, cabelos grisalhos e óculos, tinha uma testa e queixo grande, usava vestimentas sociais e sapatos de bico fino.
— Bom dia, Sra. Stewart. Em que posso ajudá-la? — Essas únicas palavras saídas da boca dele, tão educadas e, ao mesmo tempo, firme e serias, me assustaram. Parecia que ele queria intimidar a diretora, mas ela não se deixou levar.
— Bom dia, Sr. Ribeiro. Desculpe incomodá-lo — Sra. Stewart falou tão firme e seria quanto ele que me fez ter uma nova visão sobre ela. Parecia que eles começariam uma discussão — Vim trazer uma nova aluna. Esta e a Srta. Emma Lee. Espero que ela seja bem recebida pelos alunos e professores — Falou ela fulminando o homem a minha frente. Estava cada vez mais com vontade de voltar na minha conversa com ela mais sedo para conhecer o colégio, acho que iria preferir do que ter visto essa cena.
— Claro! Como desejar Sra. Stewart — Ele me deu passagem e conforme entrava ele me olhava sério. Tenho certeza que ele não é do tipo professor fácil de se lidar, se com a diretora ele agia assim, tenho até medo em como ele age com os alunos.
— Srta. Lee, qualquer coisa que precisar pode falar comigo — Agradeço e logo ela vai embora. O professor fecha a porta e se dirige a mim.
— Qual seu nome? — O olhar que antes fulminava a diretora agora está direcionado a mim, acho que ele não gostou da última frase da dela.
— Me chamo Emma Lee Sr. — Respondo calmamente tentando não me mostrar intimidada.
— Muito bem, Srta. Lee, sente-se em uma carteira vazias. — Olho para a frente à procura de uma. É a primeira vez desde que entrei que reparo nela. Uma sala grande com quatro corredores, cada uma entre uma carteira e outra. As carteiras são em duplas, sendo elas separadas em cinco fileiras. Quando começo a caminhar percebo os olhares em cima de mim, eles vêm de todas as direções, percebo até que os alunos por quem passei se viram para continuar me olhando. Vou até um lugar vago na parede, as duas carteiras estão vazias, mas decido ficar com a do canto, deixando a do corredor desocupada. — E já vou avisando Srta. Lee, odeio conversas.
Após me sentar, olhei em volta para os alunos que continuavam a me olhar. Todos eles um a um foram voltando sua atenção para o quadro ou para o caderno. Suspirei e abri minha mochila para pegar qualquer caderno, quando de repente meus olhos percebem algo. Tiro um a um os cadernos da mochila para ter certeza do que vi, quando vejo só ele, tenho confiança nos meus olhos. O livro a qual encontrei na quela caverna, que está com suas folhas em branco e eu avia colocado na mesinha-de-cabeceira do lado da minha cama na minha casa, está aqui, na minha frente.