O Barulho (Continuação)

3180 Words
Abro meus olhos e a primeira coisa que reparo são nas folhas de uma grande árvore. Estou deitada no chão, posso sentir a grama e o cheiro do lugar, uma brisa gostosa passa por mim. Me sento encostada em um tronco e olho ao redor. Vejo arbustos cheios de flores e um lago do meu lado, na beirada deste, alguns animais estão tomando água. Suas águas refletem as folhas e flores das árvores. E o céu azul ilumina as copas das árvores deixando o lugar muito bonito. Reparo, então, em uma trilha de fumaça no céu. Ela não está preta, o que indica que o fogo não está aceso. Me levanto e dou mais uma olhada para esse lugar lindo do qual acordei e depois sigo na direção da fumaça. Chegando mais perto do local que vem a fumaça, consigo ver uma casa. Paro ao lado de uma árvore observando o lugar. A casa era feita de madeira e seu telhado, por incrível que pareça, era feito de palha e madeira. Vários arbustos e flores estavam postos ao redor e tinha uma horta ao lado direito da casa. Parecia um lugar muito tranquilo de se morar. De uma das janelas vejo um menino e mesmo de longe dá para ver que ele está chorando, não sei o motivo, mas me dá uma vontade enorme de entrar na casa e dar um braço nele para ver se posso ajudar. Quando estou para ir na direção da casa, vejo alguém se aproximar dele. Um adulto e pela sua fisionomia parecia uma mulher, ela coloca suas mãos no ombro dele conversando, essa ação me faz lembrar minha mãe e o resto da minha família, onde será que eles estão? De repente escuto um fungar de choro perto de mim, procuro em volta até encontrar a fonte do som. É quando vejo uma menininha sentada ao pé de uma árvore um pouco distante. Me aproximo de vagar dela para não assustá-la. Ela vestia um lindo vestido azul com vários detalhes em dourado e por cima do vestido, pendurado em seu ombro, estava uma capa dourada que caia sobre suas costas tocando o tronco da árvore. Uma sapatilha preta com um pouco de terra estava nos seus pés e em sua cabeça estava uma... coroa de ouro? Quando estava para me pronuncia para a menina minha visão começou a pesar e ficar escura, forcei meus olhos a continuarem abertos, mas sem sucesso, eles acabam fechando. Assim que abro meus olhos, vejo o teto do meu quarto e sinto o conforto da minha cama. Olho pros lados e vejo minha mãe e meu irmão sentados na cama me olhando. — Como você está querida? — Pergunta minha mãe, na sua voz é perceptível sua preocupação. — Estou bem. O que aconteceu? — É o que queremos saber. — Fala Johnny, desesperado. — O que aconteceu aqui, Emma? Escutamos um estrondo lá de baixo. Quando subimos, batemos na porta e você não respondia. Então entramos e encontramos você desmaiada no chão. — O que aconteceu, meu bem? — Pergunta minha mãe. — Eu não sei. Só lembro de ouvir um som por todas as paredes do quarto. — Minha mãe e meu irmão se olham espantados e depois se viram para mim. Nisso, meu pai entra no quarto com uma bolsa. Ele se aproxima de mim e coloca ela no chão a abrindo. Dela ele tira um par de luvas azuis e coloca. — Emma. Vou precisar tirar um pouco de sangue. — Me desespero. Como assim tirar meu sangue? Para quê? — Por que tirar meu sangue, pai? — Ele tira da bolsa uma seringa fazia. A agulha protegida por uma capinha. — Você desmaiou, Emma. — Fala meu irmão. — E daí? — Daí que não é normal um ser humano desmaiar por nada. E no nosso caso, menos ainda. — Continua meu pai. — Nunca desmaiei na vida Emma. Muito menos seu irmão. Se isso aconteceu com você, tem alguma coisa errada, algo nenhum pouco natural para nós. Preciso saber o que é e analisar seu sangue vai me ajudar. Sei que não é natural para nós. Meu pai se estudou por anos para saber o que ele tinha de diferente, formado em várias ares, ele sabia do que estava falando. Mas isso ainda estava me incomodando, já que nunca tirei sangue e provavelmente não era recomendado depois de um desmaio, porém, aí que está a diferença. Nós não somos como as outras pessoas. — Sei que nunca passou por isso, Emma. E está assustada. — Fala minha mãe. — Mas lhe garanto que não dói. Você nunca tirou sangue ou tomou uma vacina, porque sabíamos que não avia necessidade, mas agora precisamos saber o que aconteceu. Me tranquilizo um pouco com o que minha mãe fala e meu pai ajeita meu braço e procura a veia, quando acha, pega um algodão e molha no álcool, depois passa no local em que vai colocar a agulha, limpado em volta. Assim que feito, ele tira a tampa da seringa e penetra no meu braço puxando o êmbolo que vai sugando meu sangue para o cilindro. A única coisa que sinto e um fisgar e depois acaba. Após coletado, meu pai coloca um algodão com esparadrapo no local na inserção. Em seguida coloca meu sangue num tubo e o fecha com cuidado. — Pronto. — Meu pai se vira para mim e me olha atentamente. — Agora, preciso saber do que você se lembra antes de desmaiar. — Apenas ouvi um som ecoando das paredes ao meu redor. Andei pelo quarto procurando de onde vinha, mas não achei a fonte. — Alguma vez isso já aconteceu? — Minha mãe pergunta. — Não. Essa foi a primeira vez. — Meu pai assente e está prestes a se levantar quando Johnny toma a palavra. — Mas esse não é o primeiro evento estranho que acontece, não é mesmo? — Meus pais ficam espantados com isso. E tento me lembrar o que mais aconteceu, quando me lembro dos sonhos. — Eu não tenho sonhado. — Admito. — Durmo normalmente, mas não consigo sonhar. Pelo menos eu não lembro deles. — Isso é normal querido? — Minha mãe pergunta pro meu pai. — Você já se esqueceu de algum sonho que teve? Porque isso é normal para mim. — Que eu me lembre, nunca esqueci. Então isso torna anormal para mim. Mas pode ser que não seja nada já que para você isso é normal, temos que considerar que ela tem seu DNA também. Meu pai então dá um beijo na minha testa e se dirige a porta, sei que está indo para sua sala estudar meu sangue. Minha mãe faz a mesma coisa e me aconselha a ficar deitada e que mais tarde vem trazer meu jantar no meu quarto. Fico sozinha com Johnny ainda me observando. — O que foi? — Pergunto para ele. — Só estou pensando o que pode ter acontecido. Me frustra, não saber. — Entendo um pouco ele. Está preocupado com o que aconteceu e ainda com a inteligência que tem e incapaz de achar uma solução. Isso mostra que mesmo tendo o dom que temos, ainda não sabemos de tudo. — Vou pro meu quarto, mas se precisar de alguma coisa, pode me chamar. Afirmo para ele, que logo sai porta afora. Sozinha no quarto, lembro dos acontecimentos recentes. Sinto que aconteceu alguma coisa em quanto estava apagada, mas não consigo lembrar, decepcionada, suspiro e levanto da cama. Olhando meu quarto, reparo que minhas roupas que tinha tirado da mala não estavam mais ali. Alguém levou para lavar. Com vontade de fazer alguma coisa, vou para minha mesa desenhar. Da gaveta pego uma folha em branco já que deixei meu caderno no armário do colégio. Pego um lápis e deixo minha mão ser guiada pelo papel. Viajo em pensamentos, eles me levando pros livros que já li, o recente então vem e minha cabeça. Me lembro do menino no início da história desenhando a personagem. Imagino as asas que ele via, ou a forma que desenhava. Como belo devia ser a magia que ele via. A simplicidade das coisas, que tornavam todo muito bonito. Assim como ele, imagino as asas da fada erguidas recebendo a luz do sol sobre elas. O desenho devia ter ficado muito lindo. Pensando na história começo a ficar com sono, os olhos pesados, vão fechando. Até que sem me dar conta, ajeito meus braços na mesa e deito minha cabeça para dormir. Meu sono me leva para outro lugar, um, na qual posso me deixar guiar sem me preocupar com os acontecimentos. Horas depois acordo toda dolorida pela forma como dormi. Ainda sonolenta me espreguiço e olho pro desenho na mesa, já terminado. Era um bosque com um lago muito bonito que me dava a sensação de já ter estado ali. Mas sem me recordar de onde o pego e prendo com ímãs no mural em cima da mesa. Me levanto e estou para ir ao banheiro tomar um banho quando escuto alguém bater na porta. Falo para pessoa entrar e assim que aporta se abre vejo minha mãe com uma bandeja de comida nas mãos. Olho pro relógio na mesa e vejo que horas são, percebendo que dormi a tarde inteira. — Como você está — Ela pergunta. — Estou bem. Acabei de acordar de um sono tranquilo. — Ela coloca a bandeja na mesa e vem até mim. — Da para ver que dormiu bastante. — Ela ria. — Sua cara está bem amassada. — Ela me deu um beijo na testa em quanto tocava minhas bochechas com as mãos e depois se afastando, foi para porta. — Coma e se precisar pode chamar, está bem? — Afirmo e ela sai me deixando sozinha de novo, adorava receber esse carinho da minha mãe. *** — Seu uniforme está lavado e seco, Srta. Emma, gostaria que eu levasse pro seu quarto? — Pergunta Jefferson. — Não precisa, Jefferson. — Olho para ele com meu uniforme dobrado nas mãos. — Eu levo, obrigada. Deixa aqui no sofá que daqui a pouco eu subo. Ele faz o que pedi e sai, volto minha atenção para Johnny do meu lado. Pego o pote de pipoca da mesinha-do-centro e termino de comer o que tinha sobrado. Johnny do meu lado pega algumas e come, já Hannah terminou com a dela. Acabamos de terminar de ver um filme que Johnny tinha botado para assistir, eu estava só passando pela sala na hora que vi, não tinha intenção de ficar, mas quando dei por mim já estava sentada do lado dele comendo pipoca e tomando refrigerante. Depois a Hannah chegou, fez perguntas do que estávamos vendo e incomodou um pouco por que queria assistir um desenho, mas o filme também chamou sua atenção. — Posso assistir meus desenhos agora? — Pergunta Hannah. Rimos e o Johnny entrega para ela o controle, que animadamente pega e vai passando pelos canais. — Será que o papai já descobrir o que aconteceu ontem? — Levanto o assunto do meu desmaio. — Não. Mas ele passou o tempo inteiro lá no escritório. — Johnny reponde. — Não o vi desde ontem no seu quarto. Até desci pro escritório para ver se ele descobriu alguma coisa, mas nada. Ele nem me deixou entrar. — E a mamãe? — Pergunto. — Ela também tem ficado bastante tempo lá. Menos que o pai, mas ainda assim, mais que o normal. — Lembro das vezes que vi minha mãe desde meu desmaio. Foram duas vezes, uma ontem no jantar e outra hoje de manhã. — Quando falei com ela hoje de manhã, ela não tocou no assunto de ontem, fez o máximo possível para sair do assunto quando eu o citava. Chegou até a comentar no Denial. — O que ela falou? — pergunto ansiosa por ter alguma novidade sobre. — Que vai ver ele de novo essa semana e que é para nós o fazermos sentir-se à vontade quando chegar a hora. É para cuidarmos o que falamos perto dele. — Como assim, “cuidar”? — Hannah pergunta se metendo na nossa conversa. Nem tinha reparado que ela estava prestando atenção. — Que não poderemos falar do nosso dom Hannah. — Respondo sua pergunta. — Pelo menos, não no início. Até ele se acostumar conosco e se tornar definitivamente um m****o da família, é para nós irmos com calma com ele. — Nós vamos falar, claro, no tempo certo. Mas primeiro, deixaremos o Denial se adaptar a viver conosco. — Johnny continuo minha explicação — Por que se não, é muita informação para ele, lembra quando o papai te contou tudo? — Ela assentiu — Imagina isso para ele. — Até ele se sentir bem com a gente e melhor, irmos com calma. — Me levanto e pego minhas roupas do sofá, indo em direção a escada. Hannah se volta pro seu desenho na televisão e o Johnny pega seu celular, em quanto subo as escadas em direção ao meu quarto. Assim que entro no quarto, sinto uma vibração e já fico em alerta, olhando ao redor, vejo o espirito do menino da floresta aparecer na minha frente. Sua forma transparente fica num tom acinzentado misturado com azul, o fazendo parecer triste. O menino vai em direção a minha mesa, passando por mim. Ele para em frente a cadeira e por trás posso ver que fechou os olhos. Do nada as luzes do quarto se apagam e me vejo apena com a pequena claridade vinda da janela, com medo pelo que aconteceu da última vez, busco no quarto algo para pôr em frente aos olhos e protegê-los, mas na correria acabo batendo em alguns móveis e caindo no chão. Me levanto com pressa correndo até minha cama, quando as luzes voltam a acender e como antes, elas voltam muito fortes pros meus olhos. Assim que chego na minha cama, pego um dos travesseiros e coloco em frente ao rosto para me proteger. Me joga na cama com o rosto para baixo e coloco os travesseiros na minha cabeça, quando escuto alguém bater na porta. — Emma? Está tudo bem aí? — Escuto Johnny do ouro lado da porta. — Escutei um barulho lá em baixo. — Percebo que posso ter feito muito barulho quando cai. — Estou bem. — Respondo para ele ficar calmo e não entrar no quarto. — Só tropecei, não foi nada de mais. — O tranquilizo. Escuto um tudo bem dele e o ouço se afastar da porta, dou um suspiro de alívio por ele não ter entrado. Com calma viro minha cabeça pro lado para ver se a luz já voltou ao normal. Mas num simples vira, percebo que não, ela ainda estava forte, mas diminuía gradativamente. Esperei alguns minutos com a cabeça no travesseiro quando, por fim, decidi verificar de novo. Sem sentir um incomodo, abri meus olhos e me deparei com o quarto num escuro. Me levanto da cama e com calma, caminho indo até o interruptor para acender as luzes. Diferente da última vez, o menino continua no quarto após o acontecido. Vou até ele, olhando ao redor a procura de algo, da última vez ele deixou uma mensagem no quadro do colégio. Logo que não encontro, decido perguntar. — O que você quer dessa vez? O que você fez? — Pergunto e como reposta ele apenas assenti a aponta para minha mesa com sua mão. Vou até ela e vejo o livro da floresta em cima de várias folhas e desenho. Como ele veio parar aqui? O deixei dentro da minha mochila que está no meu armário do colégio, não lembro de o ter colocado na mala, ou muito menos tirá-lo dela. O que está acontecendo? Pego na mão o abrindo e analisando, quando vejo nas folhas de debaixo dele, uma mensagem. Peça ao livro para ir à biblioteca de Jason. Não perca essa oportunidade. Me viro pro menino, mas ele não está mais ali. Esses acontecimentos são muito estranhos e apesar de não saber como está tudo conectado, o incidente na floresta com a clareira e a caverna, o menino aparecendo em vários lugares, esse livro desaparecendo e aparecendo de repente, as mensagens deixadas pelo garoto, tudo está ligado. Por que essas coisas estão acontecendo? Por que das mensagens? Como assim pedir ao livro? Completamente perdida com as coisas, a minha volta, me sento na cadeira olhando a mensagem. O que está me fazendo pensar mais é o porquê não posso perder essa oportunidade. O que vai acontecer se simplesmente ignorar as coisas que estão acontecendo? Será que posso ignorar? Não podia dizer que minha curiosidade não estava desperta pelos acontecidos. Olho pro livro em minhas mãos atentamente. E apesar de parecer ridículo, decido ir em frente com o que o garoto disse. Pedir ao livro. Se é um livro, devo pensar que falando não vai acontecer nada, mas como os incidentes não foram comuns, não devo esperar normalidade de como fazer esse pedido. Portanto, decido fazer um primeiro teste. — Quero ir à biblioteca de Jason! — Mas nada acontece. — Desejo ir à biblioteca de Jason! — De novo, nada acontece. Trocando de tática e seguindo a lógica, pego um lápis de cor verde que estava a vista e escrevo como me foi pedido. Desejo ir à biblioteca de Jason! Repentinamente o quarto fica escuro e com o susto, caio no chão, recebendo apenas a luz da lua entrando pela janela. Sinto uma forte energia no cômodo e o livro na minha frente começa a brilhar, uma luz verde e azul brilhante saia do centro dele e ia subindo até o teto do quarto. Dali se espalharam ao redor do quarto, pareciam anualizar o local. Me levanto olhando aquilo fascinada, uma delas veio à minha frente, passando ao redor do meu corpo, tentei tocá-la, mas ela subiu rápido como que para fugir do meu toque. Subitamente outra luz, uma luz branca e flutuante apareceu no meio do quarto, no centro ficou azul-escuro e começou a se espalhar por toda ela, então ela ficou maior se expandindo no quarto ficando quase do meu tamanho, no centro um preto muito forte se mostrava e em volta da esfera, faíscas prateadas a circulavam. Não conseguia explicar as emoções que estava sentindo, estava fascinada com o que estava acontecendo. Nunca tinha visto e muito menos acreditava, mas tinha certeza, aquilo era magia. Lentamente as luzes vão voltando ao normal e o livro se fecha como se nada tivesse acontecido. A esfera na frente do quarto parece estar girando para todos os lados sem qualquer sentido. Curiosa para sabe o que ela era, me aproximo. Chego bem perto olhando aparição, analiso ao redor e atrás. Ela era grande, mas bem fininha, tinha certeza que não daria para enxergá-la se estivesse olhando de lado. — Emma, o que é isso? — Subitamente escuto a voz do Johnny atrás de mim que me faz congelar no lugar. Aquento tempo ele está ali?
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