Nancy Keller A taça ainda está morna na minha mão quando eu tomo outro gole. O vinho desce suave, mas esquenta por dentro, soltando um pouco da tensão que eu nem sabia que estava carregando. Igor espera. Ele não me pressiona, não me apressa. Só está ali, presente, olhando para o jardim como se me desse espaço para escolher o que dizer. Tenho que ter cuidado com o que vou falar. — Eu moro aqui na Alemanha já tem alguns anos... — Começo, girando a taça entre os dedos. — Vim com a minha mãe e a minha irmã. Ele me olha com atenção, sem interromper. — Sempre amei ser babá. Desde nova eu cuidava dos filhos dos vizinhos, depois trabalhei para algumas famílias… mas aqui foi um pouco mais difícil conseguir espaço. Cultura diferente, idioma, confiança… essas coisas demoram. Dou um meio sorriso

