Igor Santini O jantar está sendo algo que eu definitivamente não imaginei. Não pelo cardápio, não pela mesa impecável ou pela mansão silenciosa ao redor, isso sempre fez parte da minha rotina. O inesperado está bem à minha frente, sentada numa cadeira alta, com os pés balançando no ar e os dedos completamente sujos de molho. Aurora. Ela come praticamente sozinha, concentrada, empolgada de um jeito quase solene. Há um prato infantil à sua frente, mas a determinação com que ela ataca a carne é digna de um adulto faminto. Nancy havia comentado que ela gostava muito de carne, falou com tanta naturalidade que, por um instante, achei que fosse exagero. Um jeito carinhoso de justificar o apetite da criança. Não é. Aurora usa os dedos com vontade, sem cerimônia alguma. Ela quer comer e se su

