Igor Santini Estou no escritório da mansão, sentado atrás de uma mesa que não reconheço mais como minha. Esses dois dias que se passaram foram, sem exagero algum, os mais lentos e torturantes da minha vida. O tempo se arrastou de um jeito quase crüel, como se cada minuto tivesse consciência do que está em jogo e resolvesse me provocar. Passei esses dias inteiros revivendo imagens que não são minhas, mas que agora insistem em ocupar cada canto da minha mente. As fotos no celular da babá. A Nancy. As malditas fotos. Ainda vejo a Aurora no berço, pequena demais, delicada demais para caber em qualquer explicação lógica. O sorriso aberto, quase sem dentes, o olhar curioso voltado para a câmera. Vejo os vídeos dela diante dos meus olhos, rindo sem parar, mordendo a própria mão como bebês fa

