Nancy Keller O quarto está mergulhado num silêncio que não é vazio. É um silêncio cheio de respiração, de calor, de cheiro de pele misturado com lençóis recém-amarrotados. Estou deitada de lado, encaixada no peitö do Igor, ouvindo o coração dele bater num ritmo firme e tranquilo. Meu rosto está quase escondido na curva do pescoço dele, e eu inspiro devagar, sentindo o perfume que já aprendi a reconhecer de longe. Mas minha mente não está tranquila. A palavra ecoa dentro de mim. Mamãe. Eu fecho os olhos com força. — Igor… — A minha voz sai baixa, quase um sussurro. Ele desliza a mão pelas minhas costas, num movimento lento, confortável. — Hum? Eu hesito. O meu estômago aperta. — E se… — Engulo em seco. — E se a mãe biológica da Aurora aparecer? E se ela quiser contato? E… exigir

